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Enviado por Giordano em sex, 07/22/2011 - 00:31

Pedro, acho que algumas mudanças realmente podem ofender a essência do personagem, mas ser purista/xiita demais em relação às adaptações é um pouco de exagero, pois são mídias completamente diferentes, e não só por isso, por que uma liberdade de interpretação sobre a mitologia criada cria um frescor ao redor dela. Eu posso fazer exatamente a mesma coisa que tu fez com o Homem Aranha, apontando diferenças, com os Batman's do Nolan, que não são tão fiéis quanto pensam, e não por isso, são filmes ruins. 

Acho que se Sam Raimi fez tantas mudanças em relação ao personagem, bom... não foi por ignorância ou falta de conhecimento dos quadrinhos, por que sei que ele tem muita, até por que Stan Lee acompanhou de perto o roteiro e produção dos três... Mas sim, por opção, e acho que é legal investigar as razões por trás dessas opções, que não é apenas vender bonequinhos. Então vamos aos poucos, em defesa de Raimi.

O cinema dos anos 2000 tem uma verossimilhança muito mais exigente do que os quadrinhos dos anos 60. Ta, talvez exigente não seja a palavra, mas é uma verossimilhança bastante diferente. O público dos quadrinhos tem facilidade em aceitar um gênio juvenil que desenvolve pequenas capsulas onde o fluído de teia fica guardado com uma tecnologia de compressão, expelido pelos braceletes mecânicos que o mesmo garoto desenvolveu. E isso funciona perfeitamente bem para o público restrito dos quadrinhos. No entanto, para o público amplo do cinema, fica mais acessível aceitar o fantástico do que uma tecnologia inconcebível. Portanto, Sam Rami, que já tinha uma experiência pregressa com o fantástico (evil dead!), prefere abraçar a bizarrice da teia orgânica, que eu pelo menos acho que funciona muito bem no filme.

Sobre MJ e Duende Verde. Bem, quanto a eles tu tem ótimos argumentos, sobre a construção da identidade de Peter Parker. Mas Sam Raimi definitivamente não fez a opção de colocá-los por não ter compreendido corretamente o Aranha, mas por uma questão iconográfica. No início dos anos 2000, adaptar quadrinhos não era uma ideia tão brilhante. Tim Burton e Bryan Singer tinham conseguido, mas Schumacher tropeçou feio. Era preciso, para a Marvel, criar um filme infalível iconograficamente, que o público possa identificar rapidamente no seu imaginário popular. E isso dificilmente aconteceria se a namorada fosse Gwen Stacy e o vilão, algum de menor reconhecimento que o Duende Verde. Pois o público geral (crianças e adolescentes acostumadas com o desenho animado, adultos que nunca tiveram o costume de ler muitos quadrinhos) reconhecem em Mary Jane a namorada de Peter e o Duende Verde como arqui-rival. 

Enfim, é claro que todo fã tem direito de criticar as mudanças feitas em relação às origens, mas gosto de tentar compreender as opções feitas, e muitas vezes, desprender-se da fonte gera frutos sensacionais (vide os livros adaptados por Kubrick, ou os Batman de Tim Burton e Christopher Nolan), e tudo bem, reconheço que Sam Raimi talvez tenha distorcido Peter Parker e transformado sua história numa história teen de superação. Mas o universo dos quadrinhos tende a se reinventar ao longo das décadsa, há super heróis com até seis ou sete versões para suas origens, e reinterpretação dos mais variados autores em cima da mitologia, o que já dá uma liberdade ainda maior para quema dapta. E acho que criticar a cor do cabelo de um personagem ou os musculos de outro, aí já é um pouco de exagero, não? hehe

Enfim, adoro essas discussões! E Pedro, o mais curioso é que eu já discuti algumas vezes com teu irmão, o Affonso, sobre fidelidade de adaptações dos quadrinhos. o/

 

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