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Enviado por Pedro em sex, 07/22/2011 - 11:19

Giordano, muitas vezes quando converso sobre esse assunto as pessoas me chamam de xiita da adaptação de quadrinhos. Eu curto. Curto ser "o chato" - só perguntar pra Jana :P

Mas assim, o meu principal problema com adaptações de quadrinhos (vou postar outro sobre os X-Men ainda essa semana; estou acabando de revisar) e foi o que eu quis deixar claro nesse texto é uma coisa que recentemente e no passado foi feita muito bem. Em certo sentido, até Schumacher meio que fez isso. É se apropriar da essência do personagem - seja mesmo de uma adaptação talvez mercadológica, como o Schumacher fez (afinal, aquele Batman ridículo, superficial e infantil era, muito provavelmente, o Batman da infância dele, interpretado por Adam West) - e criar uma história cinematográfica com ele. Acho um engano optar pelo argumento "mídias diferentes": trabalhei com cinema e com cineastas o suficiente para saber que a arte sequencial (nome pomposo pra histórias em quadrinhos) e o cinema são derivativos. E também já trabalhei com pesquisa de recepção de mídias visuais (TV e cinema) o suficiente pra saber que a maior parte dos diretores, produtores e criadores de conteúdos para esses meios são pressionados a tomar atitudes e decisões que no fundo subestimam o público. Tu vê que o cara envolvido na adaptação do Harry Potter para o cinema, lá em 1998-1999, achava que os livros dariam bons filmes, mas tinha muitas dúvidas se mais do que um livro conseguiria ser adaptado por motivos de pressão quanto ao sucesso financeiro.

Hollywood opera em cima de questões psico-sociais bem definidas (e definitivas) e com X-Men e Superman também acontece sempre a mesma coisa: inventa-se uma outra essência do personagem. Aquele Wolverine bundão dos filmes do Bryan Synger: o drama dele é profundo e deprimente, baseado na vivência do americano (e canadense) médio durante os anos 70 com as consequências do Vietnam. Eu nunca me esqueço de um amigo dizendo: "Sabe aquele tio bebaço que tu tem? Ele é palha, estraga tudo, mas também é legal, te dá umas playboy e faz uns churras". O Wolverine é esse cara. De fato, eu sou xiita só com a essência do personagem. É como se Reed Richards não fosse inteligente, como se o Batman não fosse resourceful. Outros diretores também fizeram isso. Eu sou um leitor ávido de Hellboy e mesmo achando os filmes do Del Toro fantásticos, eles escapam gigantescamente do personagem de Mignola, que é soturno, calado e triste. 

Mas concordo com várias coisas que tu disse. O problema é a bile que sobe quando tu vê que o que o personagem é mesmo, as histórias reais mesmo, são tão boas e tão cinematográficas e não há uma explicação realmente plausível pra porque não foi feito. Eu não apenas concordo como certamente teria feito o Duende Verde num primeiro filme do Aranha. Inclusive chamaria o Willen Dafoe (a despeito de que teria mudado o cabelo dele pra ficar mais parecido com o do Norman mesmo - que aliás é icônico). Acho que a Marvel tá descobrindo, principalmente agora com esse sucesso de público E crítica do First Class que é possível a liberdade poética da adaptação, mas tem que manter aquele núcleo duro (em termos lacanianos) de qual é a tragédia/drama/conflito que aquele personagem ou temática traz. 

Eu e meu irmão tivemos centenas de conversas ao longo dos anos sobre isso e foi preciso um Zack Snyder pra mostrar que é sim possível fazer uma ótima adaptação, praticamente fiel, de um clássico dos quadrinhos e ainda assim cagar tudo. Vamos combinar, não precisava daquele final daquele jeito. Podia perfeitamente ter sido o alienígena. Aliás, meu medo e o dele sempre foi que algum diretor metido a gênio - que nem o Tim Burton - venha a querer adaptar Sandman.

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