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Jack Reacher: O Último Tiro

Enviado por Felipe em qui, 01/10/2013 - 20:26

 

Tom Cruise é o cara. Depois de uma série de vexames, baixas bilheterias e “Encontro Explosivo” nas costas, o astro volta ao posto de onde nunca deveria ter saído, com os excelentes “Missão Impossível: Protocolo Fantasma” (Mission: Impossible – Ghost Protocol, 2011) e agora, “Jack Reacher: O Último Tiro” (Jack Reacher, 2012).

Adaptado do livro “Um Tiro” de Lee Child, o novo longa do diretor Christopher McQuarrie, tem início quando um atirador mata cinco pessoas numa praça. Quando o suspeito é preso ele faz apenas uma exigência: “Chamem Jack Reacher”. O personagem título é um ex-policial militar que chega para investigar o caso e ajudar a advogada Helen (Rosamund Pike).

McQuarrie, vencedor do Oscar pelo roteiro de “Os Suspeitos” (The Usual Suspects, 1995), é extremamente cuidadoso no comando do filme, algo que ficou evidente em seu primeiro (e até então único) trabalho na direção, o ótimo “A Sangue Frio” (The Way of the Gun, 2000). Christopher tem talento de sobra em orquestrar perseguições e tiroteios e, também, de certa forma, lidar com o humor no meio disso. Sua câmera é precisa, sem exageros e busca ressaltar a tensão ou suspense com travellings muito sutis que escondem um interlocutor até revelá-lo, ou quando transforma Reacher em uma figura ameaçadora apenas realizando uma leve angulação enquanto este ameaça um de seus inimigos por telefone. Também são interessantes os reenquadramentos propostos pelo diretor, como aquele envolvendo alguém que se esconde entre e a nuca e os cabelos de outro personagem e vemos apenas o olho do sujeito. Quando o massacre inicial ocorre, vemos tudo de longe apenas pela mira de um rifle e tudo fica mais aterrador quando temos a oportunidade de estar dentro da cena, com a câmera se movimentando livremente entre aquelas pessoas, que estão prestes a serem executadas.

A violência em “Jack Reacher” é crua, certeira, e muitas vezes pontuada com humor. E aqui vale lembrar da excelente perseguição de carros que acontece no final do segundo ato do filme e que ocorre em três níveis (perseguidos, Reacher e a polícia). McQuarrie nos coloca dentro da ação, enquanto o personagem título corre e desvia de outros carros podemos notar o quanto cada movimento é calculado e sua frustração quando algo dá errado. É possível também ver o rosto dos atores dentro dos carros, indicando para o público que eles estão ali, de fato participando da ação. Utilizando apenas os sons dos automóveis e das batidas, sem interferir com a boa trilha sonora de Joe Kraemer (o mesmo de “A Sangue Frio”, que possui uma trilha sensacional), temos uma ideia mais real do que está acontecendo. E é nisso que o trabalho de som acerta tanto, pois perseguições já são tensas o bastante e por isso é tão bom que ouçamos apenas o que realmente interessa. E o mesmo pode ser dito das lutas, em que nossa referência são os gritos, os socos e as pancadas desferidas. Ou até mesmo a respiração pesada e tensa do atirador no massacre inicial.

Cheio de clichês e diálogos expositivos, “Jack Reacher: O Último Tiro” chama a atenção por ter um personagem central divertido e perigoso ao mesmo tempo. E traz como destaque Tom Cruise defendendo Jack, e nos fazendo acompanhá-lo por quase duas horas sem cansar. Jack Reacher, com seu cinismo e frieza, está mais para Vincent de “Colateral” (Collateral, 2004) do que para Ethan Hunt de "Missão: Impossível". E quando um valentão, sem saber que está prestes a levar uma surra, pergunta: “Você já fez isso antes?”, Reacher (ou Tom Cruise no caso) responde com hesitação que sim. E sim. Há quase trinta anos Cruise nos faz acreditar que ele pode realizar qualquer proeza. Nunca duvidamos dele, seja escalando uma montanha sem aparelhos de segurança, seja pulando de um prédio para outro ou como um assassino frio e cansado. E essa é talvez sua maior qualidade como ator.

 

 

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