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Corações de Ferro

Enviado por Felipe em sex, 02/06/2015 - 06:58

               Corações de Ferro (Fury, 2014) tráz a história dos últimos dias da segunda guerra mundial e da tripulação de um tanque de guerra que realiza missões em solo alemão. No comando está Wardaddy (Brad Pitt) que, após perder seu motorista auxiliar numa batalha, tem de se contentar com um datilógrafo novato e bundão, Norman (Logan Lerman) como substituto devido ao número cada vez menor de soldados aliados. Completando a equipe do tanque estão “Bíblia” (Shia Labeouf), “Gordo” (Michael Peña) e “Gambá” (Jon Bernthal).

                O diretor e roteirista David Ayer nunca foi conhecido por ser dos mais sutis. Aliás, ele chamou atenção com o roteiro de Dia de Treinamento (aquele filme superestimado que deu o Oscar de melhor ator pro Denzel Washington), além de ter roteirizado o filme favorito da rapaziada dos carros tunados e que deu início a uma das franquias mais esquizofrênicas do cinema atual: “Velozes & Furiosos”. Ayer, que tem se especializado no cinema policial de ação, aqui leva seus dilemas e seus protagonistas machões para a guerra. Não que isso mude alguma coisa no que ele já está acostumado a fazer. Os personagens continuam transitando no limite da dualidade e, mesmo que cometam erros, continuam realizando sua parcela de sacrifícios. São homens (sempre homens, claro) que tem sua parcela de problemas e que são testados (matar ou não matar, roubar ou não roubar) pela vida ou pelo trabalho. De “Tempos de Violência” (com Christian Bale) passando pelo simplesmente idiota “Os Reis da Rua” (com Keanu Reeves) e chegando até “Marcados para Morrer” (com Jake Gyllenhaal) a base é quase geralmente a mesma (ainda não tive coragem de ver Sabotage com o Arnoldão). E talvez esses filmes se pareçam muito com eles mesmos por também sempre emprestarem Los Angeles como cenário. E não que repetir temas ou tocar mais de uma vez num mesmo tema seja um problemão, aliás, várias carreiras foram construídas dessa forma. O problema é a falta de habilidade ou de vontade de ir um pouco mais além. E esse seu novo filme não escapa disso.

                Dito isso, “Corações de Ferro” é muito eficiente como filme de guerra. Não iniciando com grandes batalhas, e apostando na decadência de seus personagens e do exército, o filme aparentemente aprofunda a tripulação do tanque ao tomar seu tempo em apresentá-los primeiro brigando, depois brincando entre si. Por estarem juntos há três anos combatendo lado a lado e praticamente vivendo dentro daquele tanque de guerra, aqueles homens acabam por se tornar uma família. Mas, na verdade, os personagens não passam de caricaturas. Temos o latino (Peña), o guri (Lerman), o carola (Labeouf), o bobo (Bernthal) e o foda (Brad Pitt, é claro). E aqui, devo dizer, o grande mérito do filme é o elenco que pega estes tipos e consegue conferir alguma humanidade para cada um deles além de criar uma ótima química entre os personagens. Jon Bernthal e Shia Labeouf chamam a atenção sempre que aparecem, sendo que o segundo consegue trazer grande parte da humanidade do filme sem fazer muita força (em especial numa das cenas finais dentro do tanque). Brad Pitt consegue fazer de seu “Wardaddy” um verdadeiro líder, ao mesmo tempo que calejado e transtornado de ter que aguentar mais um pouco daquele horror que ele sabe que está perto de acabar. A presença de Pitt é sempre enérgica. E então, temos um dos papéis mais ingratos depois do personagem latino, o piá de merda interpretado por Logan Lerman. Sempre o personagem que menos gosto neste tipo de filme, o personagem que odeio desde a primeira cena e que, por mim, poderia morrer no primeiro tiro a correr pela tela. O que não é diferente aqui. Norman é um bunda mole dos maiores, mas que graças a Lerman ganha um pouco dignidade (ainda que continue sendo irritante).

                Derrapando na trilha musical um tanto quanto exagerada e algumas vezes deslocada (mas contando com um trabalho de som supimpa), e falhando por algumas vezes levar algumas cenas longe demais (toda a sequência com as garotas alemãs soa um pouco forçada, ainda que ajude na dinâmica do grupo de soldados, mas o seu desfecho é completamente ridículo e absurdo). “Corações de Ferro”, sempre tenso e violento, apresenta ótimas cenas de batalha de tanques de guerra que nos fazem torcem por aqueles homens (e não sei bem o que pensar da escolha de tiros de diferentes cores para cada exército, algo que os deixa parecendo lasers).  Cada tiro errado pode colocar tudo a perder e se movimentar numa daquelas máquinas gigantes torna tudo mais difícil, mais demorado e mais desesperador.

                Ah, e se puderem não assistir ao trailer antes de ver o filme... Eu recomendo muito.

Poltronas 

4

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