Cidadão Kane e as Teorias da Comunicação

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Enviado por Ghuyer em ter, 04/05/2011 - 16:20

Inspirado pelo Zeh, posto aqui um texto que foi de grande importância para o fechamento da nota final em uma disciplina que cursei no segundo semestre de 2010: Teorias da Comunicação.

A missão da turma era assistir Cidadão Kane (Citizen Kane, EUA, 1941) e fazer uma análise do filme sobre o viés de uma das teorias da comunicação. Cada grupo abordaria o filme de acordo com uma teoria só. No caso do meu grupo, ficamos com o Modelo Representacional da Comunicação

Se eu postasse o texto na íntegra sem qualquer observação, a grande maioria dos leitores não entenderia nada. Portanto, dividi esse artigo em três partes: a primeira parte ficará ao cargo de explicar os conceitos teóricos utilizados para analisar o filme na segunda parte; a segunda parte consistirá no trabalho em si; e, por fim, a terceira parte desse artigo dissecará os aspectos simbólicos mais marcantes de Cidadão Kane.

Não custa lembrar que isso não é uma crítica de cinema propriamente dita. A primeira parte certamente não é; a segunda também não (visto que é apenas a aplicação da primeira); já na terceira, na qual utilizei uma abordagem de interpretação semiótica, que hoje é a ciência vigente na análise fílmica (a ciência dos signos), o texto assume um tom de crítica cinematográfica digno.

E apesar do objetivo acadêmico, o texto ficou muito tranquilo de ler (creio). Fiz questão disso. Evitei ao máximo os frufrus acadêmicos que só deixam tudo mais chato e complicado. Enfim, espero me fazer entendido.

1ª parte: Conceitos Teóricos

Não vou dar todo o contexto das teorias da comunicação, também porque eu não sei se teria competência para tal, além do que me demoraria demais. O que o leitor precisa saber é simples. A disciplina Comunicação, com o passar do tempo, foi dividida em três grandes diretrizes: 1) a Comunicação Representativa; 2) Comunicação Expressiva; e 3) Comunicação Confusional (na visão do teórico Lucien Sfez). Cada uma delas toma um rumo diferente e, na ordem, cada uma engloba a outra. Ou seja, a Comunicação Representativa está dentro da Expressiva, que está dentro da Confusional. Isso não é consenso, mas concordemos com  Sfez e consideremos assim.

Como dito antes, meu grupo ficou com a teoria (as teorias, são várias, como veremos em breve) do Modelo Representacional da Comunicação, que, como já devem ter notado, se enquadra na diretriz da Comunicação Representativa. Em um seminário anterior à entrega da análise de Cidadão Kane, ficamos de explicar algumas dessas teorias que surgiram dentro deste estigma estudado pela Escola Norte-Americana de Comunicação. E isso quer dizer basicamente qualquer estudo feito por norte-americanos; não há uma “Escola” propriamente dita, aqui o termo está mais significando “Movimento de estudos”, no plural. O exército dos Estados Unidos apostou bastante em estudos que buscassem aprofundar a praticidade da comunicação – para manipular os soldados de forma mais eficiente, óbvio. Por isso, todos os estudos nos EUA tomaram essa linha do modelo representacional, que era o modelo mais objetivo, mais prático. O que esse modelo diz é simplesmente isso: um emissor envia uma mensagem por meio de um canal para um receptor. Contextualizando: eu (emissor) estou enviando esse texto (mensagem) para vocês (receptores) através da Língua Portuguesa escrita (canal). Entenderam? É conceitualmente bem simples, um modelo linear. Pensem nessa pergunta, cunhada pelo teórico Harold Lasswell: Quem diz o que para quem por que canal com quais efeitos? Basicamente, o seminário do meu grupo era sobre as teorias que se formaram para explicar os efeitos da comunicação. Esse amontuado de estudos sobre efeitos da comunicação acabou, mais tarde, sendo conhecido como o movimento do Mass Communication Research. Consequentemente, foram as teorias e conceitos desse movimento, listados a seguir, que tentamos identificar em Cidadão Kane:

-Ruído: não é um efeito da comunicação. Mas ele está dentro do modelo de comunicação representativa, e seria (literalmente) toda e qualquer interferência entre a emissão e a recepção da mensagem. E aqui cabe deixar claro que seria ruído tanto a barreira do idioma na conversa entre duas pessoas de nacionalidades diferentes, quanto à qualidade acústica do lugar em que a conversa se dá. As gírias são um ruído entre pessoas de épocas diferentes, e o vento soprando forte na rua também é um ruído (essencialmente literal).

-Teoria da Agulha Hipodérmica: nunca formulada academicamente, é calcada no behaviorismo (aquela ideia de causa-efeito), e diz que o sujeito absorve completamente aquilo que os meios de comunicação lhe passam, sem qualquer interferência de outros meios quaisquer, ou ainda uma reflexão crítica. A informação nos seria injetada com uma agulha hipodérmica, e nada poderíamos fazer para evitar isso. Os efeitos da comunicação seriam diretos, e o público completamente passivo. (O termo ‘agulha hipodérmica’ foi cunhado por Lasswell, mas a Teoria Hipodérmica propriamente dita continua sem autor definido).

-A Espiral do Silêncio: Problematizando a questão do público (quem é o público?), A Espiral do Silêncio, de forma bem resumida, aponta que quanto mais forte uma opinião se mostra, menos oponentes encontra, e com menos oponentes, mais forte ela se tornará. Em uma sala de aula, por exemplo, o aluno que se encontrar sozinho em sua opinião, não encontrará forças para entrar na discussão em mesmo nível que o resto da turma. Por outro lado, se outra pessoa se manifestar, com a mesma opinião, o aluno antes quieto encontrará base para fortalecer sua opinião. Caso ele estivesse sozinho, ou o grupo que concordasse com ele fosse substancialmente menor, a discussão estaria perdida, uma vez que a opinião mais forte tomaria o espaço. Essa teoria lembra bastante o conceito dos ‘estranhos’ de um sociólogo chamado Zygmunt Bauman, quando ele diz que no caso de você ser o diferente ou você fica quieto, concorda com a maioria e entra no grupo, ou você é excluído – acontece bastante por aí.

-Fluxo de informação em duas etapas: É compreendido que as conversas pessoais são mais fortes que a mídia. Nessa teoria, existe a idéia de um “líder de opinião”, que seriam diferentes indivíduos que, em certos contextos, exercem influência sobre certo grupo de pessoas. Atingir o líder de opinião, portanto, poderia ser uma boa estratégia para atingir um maior número de pessoas, sem tanto esforço. A figura do líder, no entanto, problematiza esse conceito. O líder varia de acordo com cada contexto vivido, mudando o nome de fluxo em duas etapas para fluxo em múltiplas etapas, pois existem múltiplos caminhos de comunicação interpessoal.

-Agenda Setting: Também chamada de Teoria dos Efeitos a Longo Prazo, ela joga a ideia de os meios de comunicação agirem como alteradores da estrutura cognitiva das pessoas. A longo prazo, como bem diz o nome, o indivíduo teria seu modo de conhecer o mundo modificado pelos meios de comunicação de massa. Como consequência, os assuntos e tópicos abordados em conversas seriam agendados pelos meios, havendo, assim, um agendamento dos temas e assuntos.

São essas as teorias comentados na segunda parte do artigo. Experimentem reconhecê-las no filme quando o assistirem.

2ª parte: Cidadão Kane analisado quanto ao modelo representacional da comunicação

Aqui vale avisá-los que o conteúdo a seguir não mediu esforços para evitar "spoilers". E independente disso, o texto só será realmente aproveitado por aqueles que já assistiam ao filme.

"Como falar sobre um filme que é considerado uma obra-prima atemporal? Não é fácil. Não apenas pelo filme ser abençoado por muitos entendidos em Cinema como “o melhor filme da História”, o problema principal também é o fato de muita gente não entender o porquê de “Cidadão Kane” receber tal posto.

Em verdade, questionar a qualidade técnica e/ou dramatúrgica do filme não compete a esse texto. A intenção aqui não é uma fazer crítica de cinema tradicional, e sim analisar quais aspectos do modelo representacional da comunicação podem ser constatados nesse que foi primeiro longa-metragem dirigido por Orson Welles. Especificamente, o trabalho é identificar como as teorias da escola norte-americana de comunicação se aplicam à história contada, e ao modo como a história é contada no filme. Para isso, acabamos por eleger cenas que exemplificam de forma bastante sucinta algumas das teorias estudadas. Além dessa investigação no âmbito da ficção, também se pôde fazer um paralelo quanto a características de fora das salas de cinema, no âmbito do real.

a) Real

Cidadão Kane”, embora obra ficcional, tem grandes similaridades com eventos reais. O roteirista Herman J. Mankiewicz confirma que se inspirou em magnata da mídia William Randolph Hearst. Porém, mesmo que a inspiração não fosse anunciada, a mesma soaria um tanto óbvia, apenas observando a semelhança entre do ficcional Charles Foster Kane e o real William Randolph Hearst (sem contar o fato de que Mankiewicz conhecia Hearst pessoalmente). Uma rápida lida na biografia do Hearst já comprova tal realidade. Tanto ele quanto Kane foram criados por um tutor, no lugar dos país; ambos tomaram posse da direção de um jornal pequeno enquanto ainda estavam na casa dos 20 anos – some a isso o fato de ninguém levar a sério o negócio que estavam começando; ambos passaram a ser donos da maioria dos jornais do país; ambos acabaram formando uma personalidade cheia de ego auto-inflado, e consequentemente encheram seus jornais com notícias sensacionalistas, sempre buscando o máximo de atenção.

A lista poderia continuar. Não há dúvidas de como Kane e Hearst se parecem. E esse, aliás, foi um dos problemas para divulgação do filme. Hearst ficou tão enfurecido, que chegou a publicamente acusar Orson Welles de ser um comunista – algo que, naquela época, era uma acusação de proporções (e consequências) épicas. Há também o relato de, durante as filmagens, Welles ter sido informado de que Hearst havia arquitetado um modo de prejudicá-lo. Hearst teria pagado uma mulher para, estando nua, agarrar Welles assim que chegasse a seu quarto no hotel onde estava hospedado. Junto à mulher, estaria um fotógrafo. A ideia seria sujar a imagem de Welles perante ao excessivamente puritano público dos Estados Unidos. Welles, então, decidiu não arriscar e dormiu em outro lugar naquela noite. Se a ameaça de Hearst era séria ou não, não se sabe.

No entanto, se a certeza quanto à veracidade dessa armação da mulher nua ficou no ar, Hearst, depois do filme estar finalizado, cumpriu sua promessa de prejudicar (eufemismo) a passagem de “Cidadão Kane” pelos cinemas. Hearst proibiu qualquer tipo de publicidade do filme em seus (muitos) jornais. Não só publicidade de “Cidadão Kane”, como de qualquer filme do estúdio responsável, a RKO. E foi além. Ofereceu-se para comprar o negativo de “Cidadão Kane” diretamente do presidente da RKO, George Schaefer, com a óbvia intenção de destruí-lo. A sorte foi que Orson Welles já havia tomado as precauções necessárias, tendo mostrado o filme para figuras influentes dentro da indústria cinematográfica, garantindo críticas positivas em jornais fora do alcance de Hearst, bem como o (ainda que limitado) lançamento de “Cidadão Kane” nos cinemas.

Apesar dos feitos que Welles garantiu para levar seu filme às telonas, a violenta investida de publicidade negativa por parte de Hearst acabou se sobressaindo, e “Cidadão Kane” não se saiu bem nas bilheterias.

É aí que primeiro entra nossa análise do ponto de vista da comunicação representativa, no âmbito do real. O que podemos enxergar nessa situação é que toda a problemática envolvendo o nome de William Randolph Hearst causou um ruído que dificultou tanto a exibição quanto a aceitação de “Cidadão Kane”.  Hearst fez de tudo para o filme não ser visto e, falhando nisso, garantiu que uma má recepção aguardasse a chegada de sua “biografia não autorizada” aos cinemas.

Ainda assim, o filme conseguiu nove indicações ao Oscar. Porém, sempre que o título “Cidadão Kane” era mencionado entre indicados no dia da apresentação, inúmeras vaias ecoavam entre os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. O longa-metragem hoje tão aclamado recebeu ao menos uma estatueta: Melhor Roteiro Original – ironicamente, a única categoria que homenageava justamente o elemento do filme que continha a “vida” de Hearst. Porém, mesmo com o prêmio, “Cidadão Kane” não passou a ser adorado da noite para o dia. Afinal, Hearst havia garantido o já mencionado ruído necessário para tal.

b) Ficção

Seguindo com a análise, agora no âmbito da ficção, podemos encontrar aplicações de teorias do modelo representacional da comunicação dentro do próprio filme “Cidadão Kane”. Sem qualquer relação com o ruído externo ao filme, também há um ruído interno em “Cidadão Kane”. Por acaso, toda a construção da narrativa é calcada nesse ruído.

A trama de “Cidadão Kane” se resume a uma investigação para descobrir o significado da última palavra proferida pelo grande Charles Foster Kane, momentos antes da sua morte. É a primeira cena do filme: depois do plano mostrando sua mansão, a câmera entra no quarto e vemos Kane deitado; corta para um close em seu rosto, ele menciona a tal palavra (“Rosebud”), e então morre, abrindo a mão e deixando um globo de neve cair e se quebrar no chão. Logo em seguida, assistimos a um longo noticiário televisivo (não finalizado) sobre a vida do sujeito. Um dos jornalistas não fica satisfeito, e decide descobrir o que está por trás da última palavra que Kane falou na vida.

Aí começa o ruído. Kane está morto, ele não pode nos dizer o que significa “Rosebud”. Então o jornalista procura as pessoas com as quais Kane era mais íntimo, e a partir dessas conversas, a vida de Charles Foster Kane nos é apresentada em flashbacks, sem ordem cronológica. Essas pessoas dizem que não sabem o que era “Rosebud”, ou, já idosas, comentam que até poderiam ter sabido algum dia, mas que não lembravam mais. São através desses flashbacks que testemunhamos as cenas em que algumas das teorias da escola norte-americana de comunicação podem ser constatadas.

Começando pela mais clássica delas: a Teoria da Agulha Hipodérmica. Na sequência de cenas que mostram Kane tomando o café da manhã com sua primeira esposa, Emily, ela diz: “Realmente, Charles, as pessoas vão pensar…”; no que ele interrompe e completa, confiante: “… o que eu disser para elas pensarem”. Ou seja, literalmente a ideia da Agulha Hipodérmica. Como dono de jornal, Kane acredita que pode injetar qualquer informação na cabeça do público. Obviamente, Kane não tinha todo esse poder como ele pensava que tinha. Porém, sua influência na mídia era inegável. Kane de fato era um líder de opinião. Logo, outra teoria é vista aqui: o fluxo de comunicação em duas etapas.

Ainda considerando o poder e a influência de Kane, quando ele se candidata à presidência dos Estados Unidos, nas conversas sobre pesquisa de intenção de voto, fica evidente a presença de mais uma teoria. Aquela que diz que a opinião mais forte predomina e influencia: a Espiral do Silêncio.

Porém, Kane é flagrado com uma amante. O puritanismo norte-americano não perdoa.   Devido a uma chantagem por parte da concorrência, Kane fracassa em ser Presidente dos Estados Unidos. Todavia, isso não abala totalmente o magnata da imprensa. Divorciando-se de Emily, Kane agora se casa sua amante, Susan, uma aspirante a cantora. Querendo agradar sua nova esposa, Kane não mede esforços para alavancar a carreira de Susan, dando um jeito de colocá-la como protagonista em várias óperas importantes da temporada de concertos, além de estampar a primeira página de seus jornais com críticas positivas. Tal atitude se encaixa na descrição da Agenda-Setting, em que a mídia colocaria em pauta um assunto para o público comentar.

3ª parte: Dissecando "Rosebud"

Voltando às situações envolvendo o jornalista que acaba conduzindo a narrativa, ao final do filme, ele vai com toda a equipe até a mansão de Kane, onde teria uma última chance de desvendar o mistério por trás de “Rosebud”. Chegando lá, o mordomo diz que tinha escutado o patrão mencionar a tal palavra em duas ocasiões. A primeira foi quando sua segunda esposa o largou, e ele, com raiva, destruiu todo o quarto em que ela dormia, só se contendo quando viu o globo de neve (o mesmo do início do filme), falando baixinho: “Rosebud”. A segunda seria referente à primeira cena do filme, em que o protagonista apenas murmura “Rosebud” e morre.

Daria a entender que “Rosebud” seria o globo de neve, mas o mordomo ainda fala que o patrão dizia muitas coisas sem sentido, e o jornalista não se convence. No final das contas “Rosebud” acaba permanecendo um mistério. Ninguém descobre o significado da palavra. Apenas o espectador. A última cena do filme revela o segredo. Ou parte dele.

No penúltimo plano do filme, depois de a câmera passear pelos milhares de pertences de Kane, alguns sendo encaixotados, outros descartados, vemos que, entre esses que estavam sendo descartados (queimados, no caso), estava o trenó que Kane ganhara quando criança, no qual estava escrito “Rosebud”. Essa seria a revelação final.

“Seria” por que, vale comentar, em uma cena anterior Susan está montando um quebra-cabeça, e em determinado momento podemos ver a figura que está se formando ali: um trenó. Algumas peças ainda estão faltando, mas podemos ver que no trenó está escrita uma palavra: “Rosebud”. Logo, Orson Welles já tinha dado essa pequena dica para o espectador, quanto ao significado de “Rosebud”. Então, talvez haja mais revelações escondidas ao longo do filme.

Demais interpretações estão fora da proposta da nossa análise. Porém, nos alongando um pouco, é interessante imaginar um segundo significado para “Rosebud”. Assim como separamos a identificação das teorias da comunicação representativa nos âmbitos do real e da ficção de “Cidadão Kane”, dentro da ficção do próprio filme podemos também enxergar dois paralelos para o significado de “Rosebud”. Um deles, o já comentado, seria o âmbito material: o trenó de Kane. O outro, o âmbito do simbólico, se referiria ao amor de Kane. Chegamos a essa conclusão por que: 1) o melhor amigo de Kane comenta com o jornalista o seguinte: “Tudo que ele sempre quis na vida foi amor. Esta é a história de Charles. Como ele o perdeu. Entende… ele nunca teve nenhum para retribuir”; 2) Susan vivia tentando montar aquele quebra-cabeça, mas, como comenta o jornalista no final do filme, estava faltando uma peça; logo, a hipótese que surge é que 3) Susan tentava em vão encontrar o amor em Kane (representado pela peça faltando); 4) amor que ele perdeu ainda na infância, quando foi separado dos pais; sem contar que 5) no momento em que é separado pelos pais, o jovem Kane agride seu novo tutor com o bendito trenó.

Enfim, poderíamos ainda dissertar longamente sobre “Cidadão Kane”, interpretando imagens, discutindo cenas, tentando desvendar todas as facetas do enigmático personagem título. Seguindo nessa linha, estaríamos apenas constatando o porquê de o filme ser o que tantos dizem que é: uma obra-prima."

Obs: apesar da utilização dos verbos da segunda pessoa do plural, fiz tudo sozinho. Detalhe: eu me ofereci para isso. Os demais integrantes do grupo participaram ativamente em outras tarefas da disciplina. Não quero deixar parecer que estou diminuindo o esforço deles. É a minha interpretação sobre o significado oculto de “Rosebud”. Isso é o que há de mais interessante em Cidadão Kane, na minha opinião. Há mais informações espalhadas pelo filme do que a princípio parece ter. No mais, basta dizer que tanto temática, quanto técnica e dramaturgicamente Cidadão Kane é irretocável. A fotografia (Gregg Toland) é absolutamente perfeita; a direção de arte (Van Nest Polglase), primorosa; atuações carismáticas e comoventes, considerando que a maior parte do elenco nunca tinha atuado antes; o roteiro é perfeito (não existe aquele ‘furo’ de não haver ninguém presente quando Kane profere “Rosebud” – aquela cena inicial era do ponto de visto do mordomo); a montagem (Robert Wise) muito organizada e coerente; e, por fim, a direção de Orson Welles é assombrosamente segura para um estreante no ramo.

Referências:

MARTINO, Luis Mauro Sá. Teoria da Comunicação: idéias, conceitos e métodos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009

SFEZ, Lucien. A comunicação. São Paulo: Martins, 2007

Comentários

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Enviado por Ghuyer em sex, 04/08/2011 - 12:49

De fato, Sfez sabia das coisas. Mas até entender o que ele tinha para dizer, não foi fácil. Eu costumava falar que "Lucien Sfez eu ficar com dor de cabeça". hehe

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