Dia 4 - Segunda-Feira - 08.08

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Enviado por Giordano em seg, 08/15/2011 - 02:03

 

Luz Teimosa, de Luis Alves de Matos - Mostra Panorâmica

Segunda Feira à tarde, na Mostra Panorâmica, foi exibido o filme Luz Teimosa, de Luis Alves de Matos. Estou bem pouco empolgado com a Mostra Panorâmica, pois os filmes pedem muito um interesse do espectador pelo tema retratado, aqui no caso, sobre o poeta português Fernando Lemos, que confesso jamais ter lido. Foi bacana ver as construções imagéticas das poesias e algumas entrevistas, mas o filme tem um ritmo meio truncado. Não tenho muito o que falar sobre o filme, e isso geralmente não é um sinal muito bom. 

5 poltronas para a sua misteriosa sinopse, que merece um Kikito de melhor descrição inútil de um filme, já que dela, não podemos apreender nada sobre a obra, ainda que seja um belo texto.

"O mundo de Fernando Lemos é um mundo ferozmente despojado de qualquer lógica externa, dizia Jorge de Sena. O seu multifacetado gesto artístico confunde-se com a própria existência onde o princípio poético está antes de tudo. E é através da luz que teima em entrar através da porta semicerrada que se vence o medo da vida no combate travado com a morte. E assim nasce cada palavra dentro de outra palavra, e cada imagem dentro de outra imagem. De quantas facas se faz o amor? Pergunta o poeta."

AVALIAÇÃO FILA K - 3 poltronas

Las Malas Intenciones, de Rosario Garcia Monteiro - Mostra Competitiva Estrangeira

Seguindo a tendência da 39ª edição, Las Malas Intenciones, o representante peruano, é altamente superior ao filme brasileiro com o qual foi exibido. Conta a história de Cayetana, uma criança que convence a si mesma de que irá morrer no dia em que seu novo irmão nascer. Ela amarga seus últimos meses com sua dor internalizada nas situações melancólicas que ela mesma cria para si, com imaginação e humor. Trata-se de um filme muito tocante, em especial pela jovem atriz Fátima Buntix, que dá a Cayetana uma incrível sutileza e complexidade, mas eu, pelo menos, acabei tendo uma grande antipatia pela personagem. O roteiro perde-se aqui e acolá, e estende-se muito ao final, que dá uma gigantesca importância ao relacionamento da garota com o motorista, mas não explora muito bem a ligação dessa relação com a trama principal envolvendo a chegada do irmão. Mas no fim, o que fica na memória são as cenas icônicas, como o encontro com a Morte, o trágico salvamento do passarinho, a visão da menina frente ao comunismo e a obsessão da garota com seu sobrenome, "Hero", ao imaginar heróis encontrando-a na piscina vazia. Uma pena que o filme foi prejudicado pela má qualidade da exibição em DVD e pela ausência de representantes do filme no festival.

AVALIAÇÃO FILA K - 3 poltronas

País do Desejo, de Paulo Caldas - Mostra Competitiva Brasileira

Não pensei que passaria por uma sessão mais constrangedora do que a de "Ponto Final" aqui no festival, mas Paulo Caldas, diretor do incrível Deserto Feliz, conseguiu se puxar e realizar um dos piores filmes que assisti nos últimos anos. Se o filme de Marcelo Taranto tinha algum conceito interessante que acabou por não dar certo, aqui não parece haver conceito algum. Bom, vamos à história. Contrariando o que diz a sinopse oficial, afirmo que o protagonista da história é o personagem de Fábio Assunção (que passa o filme inteiro mantendo uma engraçadíssima pose sedutora), um padre agostiniano que apoia um aborto (recriando a história real em que a mãe e os médicos foram excomungados) e passa a ser visto como um subversivo dentro da ordem religiosa. Para piorar, apaixona-se por uma pianista que luta contra uma doença crônica nos rins (Maria Padilha), e decide lutar contra o celibato, realizar seu amor e doar seu rim para a sua paixão. É ou não é um tema excelente para Manoel Carlos?

Não compreendo como Caldas, que criou os excelentes Baile Perfumado e Deserto Feliz pôde entregar-se ao tom falso e melodramático do filme, que culmina em caminhadas em slow motion de Fábio balançando seus sedosos cabelos pelo corredor, o forçadíssimo desmaio de Maria Padilha durante oum conserto, a patética e surreal cena da cirurgia em que Gabriel Braga Nunes parece estar concentrando-se para retirar um Alien da barriga de alguém, as caras e bocas que Nicolau Breyner faz como o bispo ao evocar o personagem de Alfred Molina em Código Da Vinci, ou então o inacreditável e absurdo amor dos personagens principais, que qualquer tipo de espectador tem dificuldade em aceitar. Ah sim, e o mais surreal é a presença da personagem que abre o filme, uma enfermeira japonesa que lê hentai, define signos do horóscopo através de tipo sanguíneo e que protagoniza seminua a polêmica cena que come hóstias com ketchup (em um ataque infantil e metáfora óbvia da industrialização da religião). 

O debate foi até morno, o filme foi acusado de exageros, tons melodramáticos, polêmicas gratuitas, mas a produção defendeu com classe (ainda que discordando das críticas) o seu filme. Well... Que bom que alguém gostou, ainda que sejam apenas os membros da produção. 

AVALIAÇÃO FILA K - 1 Poltrona

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