Dia 6 - Quarta-Feira - 10.08

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Enviado por Giordano em qui, 08/25/2011 - 00:00

Transeunte, de Eryk Rocha - Mostra Panorâmica

Confesso que preciso assistir novamente ao filme "Transeunte", de Eryk Rocha (que parece ter MUITA influência do cinema de Jim Jarmusch) para formular uma opinião melhor. Por enquanto, fiquem com a sinopse oficial:

Expedito é um senhor aposentado que perdeu os laços com a vida. 
Entre outros anônimos, caminha diariamente pelo Centro da Cidade
 do Rio de Janeiro. Há anos, Expedito abandonou o papel de protagonista
 de sua história: tornou-se um figurante que testemunha os conflitos
 alheios através das conversas que escuta pela rua. Porém, passo a passo,
 começa a aceitar pequenos convites cotidianos para recomeçar sua vida.

Encontro "Palavra do Crítico" com Ana Maria Bahiana

Outra proposta legal do festival desse ano foi os encontros "palavra do crítico", o primeiro com o crítico Rubens Ewald Filho, que não tive o prazer de assistir, e um encontro mediado pelo crítico da Zero Hora, Roger Lerina, a minha crítica favorita, Ana Maria Bahiana, que nos despejou sua vasta experiência e deixou quase todos na sala com inveja da posição em que se encontra. Para quem não sabe, trata-se da única membro brasileira da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, responsável pela premiação anual dos Globos de Ouro. Bahiana comentou sobre a dinâmica da associação da qual faz parte. Ao ser questionada sobre escolhas duvidosas do Globo de Ouro, como as indicações de O Turista e Alice no País das Maravilhas, Bahiana diz, com humor, "Bom, eu posso até tentar gerar um boca-a-boca e dar a minha opinião, mas não posso controlar o mau gosto e o deslumbre dos meus colegas!" mas ela não deixa de erguer o seu prêmio sobre o seu primo mais famoso, o da Academia "Fomos nós que demos o premio para a Rede Social e não pra Discurso do Rei. Fomos nós que demos o prêmio para Brokeback Mountain, e não pra Crash - No Limite". 

Os momentos mais divertidos foram aqueles nos quais Ana Maria Bahiana lembra os assédios dos estúdios e distribuidoras nos "For Your Consideration" especial enviados aos votantes do Golden Globe: entre os que ela lembrou, os mais curiosos foram o cachorro de pelúcia com braço engessado que recebeu como marketing para o filme "Quem vai ficar com Mary?", um macaco bêbado (Se Beber, não Case 2) e uma coleção de vinhos temáticos de filmes como Cisne Negro e 127 Horas. Esses presentes, ela leiloa na internet através de seu twitter, doa para amigos, enfim, realmente se desfaz por não ter o que fazer. Mas há outros que ela guarda para si, como o pião de Inception ou uma coleção de filmes de Clint Eastwood, por Além da Vida. 

Lerina fez questão de estimular Ana Maria para que entregue detalhes sobre seus conhecidos poderosos em hollywood (já que é de senso comum a relação mais próxima com os grandes figurões). Bahiana confirmou algo que sempre soube: Steven Spielberg, o Deus para qual sempre rezo, é a pessoa mais humilde que conheceu em Hollywood, contando um caso em que este, que perdoem-me mas é o maior diretor do planeta, levantou-se e buscou um copo d'água para um membro da equipe no meio de uma entrevista. Contou também que Martin Scorsese é alguém que sempre gosta de entrevistar, já que quando o entrevista, costuma fazer apenas uma pergunta e receber em troca uma aula de cinema. Como nem todas as experiências são boas, ela conta que é de conhecimento comum em Hollywood que o mais difícil entrevistado é Tommy Lee Jones, que é de uma grosseria tremenda a responder qualquer tipo de pergunta. Contou também que George Clooney fez com que ela passasse à frente de toda a fila de jornalistas na série de entrevistas de "Eaí, meu irmão, cadê você?" e contou também sobre a sua relação com James Cameron, que sempre faz questão de que ela conheça os estúdios e vá nos screening tests de filmes como Titanic e Avatar, e sempre pergunta sua opinião. E Bahiana, para Cameron, é profética nas respostas, já que foi a primeira a prever o sucesso imenso de Titanic e os prêmios que venceria, e também a derrota no Oscar de Avatar.

Ana Maria Bahiana foi questionada pelo público presente sobre o valor dos blockbusters, e até mesmo se exaltou em defender um pouco o sistema hollywoodiano, e que a tendência comum é de que sim, histórias boas fazem sucesso e histórias ruins fracassam, ainda que hajam exceções o tempo todo, como o sucesso dos três filmes da série Transformers. Bahiana também afirma que todos os estudios "estão apertando o botão de pânico", apostando sem parar em sucessos certos, como filmes de super heróis e "carros-chefe" como os próximos Avatar, O Hobbit, Os Vingadores e Batman - The Dark Knight Rises. 

E por fim, quando questionada sobre o cinema brasileiro,  Bahiana afirma não saber opinar muito bem, pois não tem acesso à produção brasileira em LA, e é por isso mesmo que pretende vir mais para sua terra-natal e descobrir filmes aqui.

 El Casamiento, de Aldo Garay - Mostra Competitiva Estrangeira

Se nos outros dias, era preciso de uma interpretação um pouco mais aguçada para perceber as ligações entre os filmes que a curadoria Avellar-Sanz procurava estabelecer, hoje, quarta feira, não é preciso se esforçar nada: os dois filmes tratam do tema do transsexualismo, sob duas ópticas bastante diferentes, embora ambas humanistas. Esse primeiro conta a história de Ignacio e Julia (um homem que decidiu tornar-se mulher há aproximadamente vinte anos) , mas acaba funcionando como um relato de um relacionamento amoroso como outro qualquer, sem grandes panfletagens. Retrata a melancolia e a ternura do casal, com altos e baixos financeiros que acabam fortalecendo ainda mais a relação. No entanto, dedica o valioso tempo do filme a tempos mortos, que conferem maior grau de realismo, é verdade, mas sinto muito, me entedia. Perde-se um tempo incalculável na tosa do cachorro do casal, entre outros momentos corriqueiros, que no início são ternos, mas depois são só chatos. Mas ainda assim, válido pela opção do diretor de preferir não levantar bandeira alguma, dedicando-se exclusivamente ao cotidiano imperfeito de um casal único.

AVALIAÇÃO FILA K - 3 Poltronas

Olhe pra Mim de Novo, de Claudia Priscila e Kiko Goifman - Mostra Competitiva Brasileira

O diretor de FilmeFobia, Kiko Goifman, causa estranhamento no espectador em mais uma polêmica obra: o documentário Olhe pra Mim de Novo, um road movie documental que acompanha a viagem de Sillvyo Luccio (uma mulher transsexual) pelo Nordeste. Foi, de longe, o mais polêmico dos debates dessa edição do Festival. Para comentar esse filme, me parece necessário despir-me do compromisso do filme com a realidade e encará-lo como obra de ficção, para não confundir crítica cinematográfica com uma crítica pessoal. Sylvvio Luccio, como personagem ficcional (que não é), é uma criatura que divide opiniões entre o espectador, que pode percebê-lo, EM PARTE, como uma figura engraçada e caricata (quase como um personagem de Zorra Total, perdão se isso ofende o personagem). No entanto, Syllvio, ao longo da narrativa, mostra-se grosso, baixo e machista em inúmeros momentos, adúltero, pai de uma filha que deixa claro ser indesejável, e uma série de outros fatores que fazem com que outra leva de espectadores não simpatize em nada com esse personagem. Eu sou um desses, e para mim, o melhor momento do filme foi o momento catártico em que a tal filha (que por uma coincidencia atroz do destino, tornou-se evangélica) critica ferozmente a mãe Syllvio, e ainda que eu não concorde com o ponto de vista limitado da garota, fico feliz que em pelo menos um momento do filme, não me parece imposto gostar de uma figura cujo comportamento não me agrada em nada. As bandeiras que o filme ergue aqui e ali, de respeito à orientação sexual e contra a intolerância às diferenças, são bandeiras que evidentemente devem ser levantadas. Mas os mastros são entregues pelo filme a um protagonista de caráter e escolhas duvidosas ao longo dessa jornada, o que acaba por fragilizar o discurso, que torna-se até mesmo grotesco em alguns instantes. É evidente que suas escolhas são duvidosas, esquecendo a ilusão imparcial, o filme é um documentário, e trata-se de um ser humano, que como todos os outros, é imperfeito. No entanto, o filme não deve esperar que todos entreguem-se a essa visão de mundo tendo esse porta-voz. 

No fim, acabei falando mais da discussão o redor do personagem do que do filme e das situações nos quais o personagem se envolve. No entanto, o que marca do filme é o personagem, de maneira positiva ou negativa. Mas duvidem da avaliação de qualquer um sobre o filme, assistam (ou não) e cheguem às suas próprias conclusões.  

(nem eu entendi muito bem o que eu falei sobre esse filme, que comentariozinho confuso e não parece chegar a lugar nenhum.)

AVALIAÇÃO FILA K - 1 Poltrona

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