Estamos Sós? - Como os ETs de Steven Spielberg facilitariam a nossa vida!

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Enviado por Giordano em qua, 12/28/2011 - 03:24

Estamos sós? Bem, essa maneira de começar o texto não é das mais diretas , tampouco das mais originais.  É uma pergunta que a humanidade tenta responder há milênios. E que no último século, a ficção tratou de responder das mais variadas maneiras. No entanto, para o cineasta que mais vezes respondeu essa pergunta na história do cinema, “estar só” não parece ter a ver apenas com vida extraterrestre. Não. Para Steven Spielberg, estar só tem a ver com bicicletas, sorvete, purê de batata, tem a ver com o crescimento, com a relação com os pais, com Halloween, roupas de chumbo, , com música, com homens de preto e bolas de gude, pirâmides astecas, faroeste, trens e câmeras velhas, tem a ver com a infância e com a terceira idade. A verdade é que nenhum de seus filmes é sobre a existência de vida em outro planeta. Não. Em todos eles, os alienígenas são catalisadores de processos humanos.

Em ET – O Extraterrestre, a amizade do pequeno Elliot e do simpático alienígena botânico é, na verdade, um lindíssimo símbolo de uma criança despedindo-se de uma porção de sua infância, sobre o que vai permanecer e o que vai perecer da fase mais mágica da vida. Contatos Imediatos de Terceiro Grau é um conto sobre obsessão e crise de meia idade de um homem que tenta resgatar aquilo que perdeu ao atingir a vida adulta “séria”. Tanto Guerra dos Mundos quanto Indiana Jones e o Templo da Caveira de Cristal utiliza os alienígenas, hostis ou amistosos, para aproximar um pai distante de seus filhos. O recente Super 8, dirigido por J. J. Abrams (o famoso criador de Lost) faz uma ode à maneira Spielberg de falar sobre ETs, e utiliza uma criatura fugida de um vagão de trem para falar sobre perdas e como superá-las.

Os personagens de Spielberg precisam, cada um a sua maneira, de um alienígena para ultrapassar seus limites. Acredito que se tivéssemos disponíveis a gama de criaturas extraterrestres dos filmes do diretor, nossas fases de transição talvez fossem mais fáceis:

Após nascermos, poderíamos ser convidados para uma temporada com os alienígenas de Contatos Imediatos de Terceiro Grau, esta só para diversão, uma diversão que logo esqueceríamos pois a memória de uma criança é efêmera. Infelizmente, devemos, eventualmente, deixar a infância, e para isso, contaríamos com a ajuda do ET amigo de Elliot.  Caso tenhamos alguma perda familiar nesse meio tempo, um alienígena de Super 8 pode facilmente nos ajudar a ultrapassar essa fase difícil. Na adolescência, nos tempos de colégio, os Transformers poderiam nos ajudar a conseguir a garota mais desejada da escola e ainda sairmos de maiorais da high school. Na vida adulta, as coisas ficariam mais difíceis quando tivéssemos filhos, isso se os alienígenas astecas de Indiana Jones não nos fizessem perceber o valor da paternidade. Bom, como nem tudo são flores, podemos acabar nos separando, e ver nossos filhos se afastando de nós. A solução? Uma invasão alienígena violentíssima nos ajuda a nos aproximarmos dos filhos, a exemplo do Tom Cruise, de Guerra dos Mundos.  A crise de meia-idade vem, querendo ou não. Teremos que invocar de volta a Nave Mãe de Contatos Imediatos para darmos uma voltinha pelo espaço entoando as cinco notas da trilha do filme para vermos se podemos espairecer. Se tivermos problemas com hipoteca da casa ou com a chegada da terceira idade, os disquinhos errantes de O Milagre Veio do Espaço podem nos ajudar a aceitar esse último estágio da vida.  Se quisermos esquecer algo do nosso passado, em qualquer momento das nossas vidas, os Homens de Preto têm a ferramenta ideal. E é claro que para a morte, nada poderia nos preparar, mas aqueles seres de Inteligência Artificial (que não são exatamente aliens, mas vá lá) nos concederiam um último desejo.

Mas não somos Spielberg para entrar em contato com tamanha facilidade com esses seres. Por ora, estamos sós. Ou não. Talvez Spielberg tenha nos ensinado a invocar o poder dessas criaturas para responder a essa pergunta.

Comentários

imagem de Fernanda Azambuja

Enviado por Fernanda Azambuja (não verificado) em qua, 12/28/2011 - 03:50

Interessante demais. Inclusive com as peculiaridades de Spielberg, dá pra fazer uma intertextualidadezinha e aplicar algo dessa visão em Where The Wild Things Live (que de alguma maneira também se vê na Metamorfose do Kafka e na releitura da obra no cinema). Ai, a arte...

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