Harry Potter e a (quase) sempre Imperfeita Magia das Adaptações

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Enviado por Giordano em qua, 07/13/2011 - 22:18

 

Harry Potter e a (quase) Sempre Imperfeita Magia das Adaptações

Sobre a Narrativa de J. K. Rowling

Como já afirmei categoricamente na introdução dessa série de textos, considero Harry Potter uma obra prima da literatura contemporânea. A história em si não é um grande feito de Rowling, ela apenas seguiu uma estrutura canônica de epopéia heróica, seguindo os passos clássicos que um herói deve seguir e respeitando essas regras. Mas Rowling tem trunfos para suportar e destacar a simples história que carrega seu livro.

Um dos aspectos mais interessantes da narrativa de Rowling, mas que não é único de Harry Potter, é uma equivalência do mundo mágico em relação ao nosso mundo. Por exemplo, no caso óbvio da política, Rowling não procura medievalismos, como é a tendência nesse tipo de literatura, mas sim um Ministério da Magia que se aproxima à burocracia do parlamentarismo inglês, com todas as suas divisões, corrupções e complicações. Também o paralelismo que faz com a nossa História. Por exemplo, em História da Magia, estuda-se o momento em que os bruxos decretaram o Sigilo da Magia, que seria equivalente à nossa Idade Média, quando os praticantes de magia passaram a ser perseguidos. Ou a relação que é quase impossível um leitor não fazer, ao relacionar os pontos de vista de Voldemort ao nazismo alemão, relação que Rowling estabelece aos moldes do mestre Tolkien.

Outro aspecto inerente ao sucesso da série Harry Potter é ao nível de construção de seus personagens. Diferente da maioria das obras infanto-juvenis, Rowling, que no geral, não desrespeita o leitor com personagens planos, sem vida e baseados em estereótipos. Se um estereótipo parece ser evidente, o personagem se desdobra, como é o caso de criaturas como Severo Snape, Draco Malfoy, Neville Longhbotton e Fleur Delacour, que são os que me vem a mente agora. Snape surge como o estereótipo do professor durão, mas ao longo dos sete livros, mostra-se o mais complexo personagem da série. Draco Malfoy, como o arquétipo do rival de Potter, podia ficar na superfície, mas no sexto livro ganha riqueza ao ser acometido por pesadas responsabilidades. Neville, o loser da Grifinória, se mostra essencial ao longo dos livros para a própria concepção do protagonista. E Fleur, um exemplo mais simples que encontrei, tem pouco espaço nos livros, e a princípio surge como uma patricinha mimada e vaidosa, mas que no sexto e sétimo livro, se mostra disposta a lidar com a possível licantropia do noivo Gui Weasley, e ainda que esse drama não seja plenamente desenvolvido, ele já gera um conflito maior para a personagem.

Finalmente, e ainda mais essencial, é a estrutura narrativa escolar que J. K. Rowling adota para contar a história de Harry Potter. O público alvo de Rowling é, evidentemente, o público infanto juvenil. E a única maneira de uma criação fazer tanto sucesso quanto HP fez é gerando uma gigantesca identificação. Rowling apresenta as dificuldades de seu protagonista como um ano letivo. As férias, a dificuldade crescente, o clímax quase sempre se dá na mesma época do ano, que se tornam equivalentes às provas que o leitor médio enfrenta em seu ano letivo. Essa estrutura escolar é a grande sacada de Rowling para gerar a identificação do leitor jovem, e talvez essa opção tenha sido a grande razão para que Harry Potter tenha criado o gosto para leitura de uma geração inteira.

Para que a adaptação cinematográfica tenha sido bem sucedida como na literatura, acredito que tenha sido preciso pensar nesses quatro elementos essenciais para desenvolver a história de Harry. E respeitar esses quatro elementos não significa, no entanto, ser estreitamente fiel. Mas o objetivo desse texto é apontar os acertos e falhas das adaptações. Nesse texto, estou vendo o filme em relação ao livro. É mais do que evidente que sei das diferenças entre linguagem literária e cinematográfica, mas não é por isso que me cegarei à arte da adaptação. Então vamos lá.

 

HARRY POTTER & A PEDRA FILOSOFAL

Dentre os oito filmes da série Harry Potter, não tenho dúvida de que o filme que mais marcou e marcará a História do Cinema é A Pedra Filosofal.  O filme construiu imagens icônicas que se perpetuaram no imaginário popular, o que abordarei mais tarde no texto sobre a estética de Potter. É um desfile de passagens inesquecíveis: a seqüência inicial com Dumbledore, Minerva e Hagrid na rua dos alfeneiros; a visita de Harry ao zoológico; o recebimento das cartas de Hogwarts; a visita ao Beco Diagonal; o teste da varinha no Olivaras; a chegada à Plataforma 9 ¾, o encontro de Harry, Ron e Hermione no trem; avistando Hogwarts; o Chapéu Seletor; o primeiro vôo de vassoura; Wingardium Leviosa; a primeira partida de quadribol; a primeira aula de poções com Snape; a luta com o Trasgo;  o encontro com Voldemort na floresta; o xadrez de Bruxo, etc. São imagens inesquecíveis para fãs e também para não-fãs. Harry Potter e a Pedra Filosofal está, hoje em dia, quase a prova de críticas, mesmo com os efeitos visuais datados e o amadurecimento do público-alvo. E de fato, considero o filme quase perfeito, me arrisco a dizer que seus defeitos não são essencialmente cinematográficos, mas sim, defeitos originados do livro.

Como perceberão neste e em outros textos, entre os livros, considero hoje em dia o primeiro, o segundo e o sétimo livros inferiores ao resto da série. O sétimo, por razões que abordarei depois. Meu problema com o primeiro livro é que há conceitos muito filosóficos e didáticos que fogem ao universo prático e lógico estabelecido por Rowling nos livros posteriores, aproximando A Pedra Filosofal muito mais de um Pequeno Príncipe.

Por exemplo, os desafios para chegar à pedra filosofal, desafios estes que qualquer aluno aplicado do primeiro ano poderia passar. Sem falar que guardar um item tão precioso no terceiro andar de uma escola primária me parece uma solução bem tola. O “encantamento” colocado na pedra de que ela só iria parar nas mãos de quem não a estivesse procurando para uso próprio também tende a uma moralidade excessiva. Há também o espelho de Ojesed (ou Erised) que tem o infame trocadilho de significar “desejo” visto no espelho. E por fim, a morte ilógica de Quirrel ao ser tocado por Harry, que tem tanto amor que o vilão não pôde agüentar. Essas saídas filosóficas fáceis não aparecerão com freqüência em toda a série Harry Potter, mas surgem nesse primeiro livro em exaustão.

E Rowling também estabelece aqui sua muleta narrativa para seis dos sete livros, o que chamo de Dumbledore Ex Machina. Como nas tragédias gregas, Dumbledore surge ao final do livro (na sua sala ou na enfermaria) para elucidar questões que ficaram em aberto. De fato, me incomoda a repetição do recurso em quase todos os livros, mesmo depois que o personagem já morreu.

No entanto, o encantamento do primeiro livro para todo tipo de leitor se deve à já citada forte identificação que Rowling consegue gerar. A estrutura escolar e as equivalências ainda mais evidentes nesse livro, desde a compra da lista de materiais escolares até os exames de poções, geram essa assimilação quase lúdica do universo que Rowling propõe.

No roteiro do primeiro filme, o roteirista Steve Kloves procurou uma fidelidade excessiva, em diálogos e descrições. As mudanças são pequenas, como a excluída passagem de Potter pela Madame Malkins e seu primeiro encontro com Draco Malfoy e a existência do poltergeist Pirraça, excluída de todos os filmes, ou a existência do professor fantasma Binns. Há também certa inversão de ordem de acontecimentos.

Enfim, o parágrafo anterior tinha como objetivo apenas elucidar algumas diferenças pontuais,  e não para criticá-las. Entendo que tenham sido cortadas por questões de prioridade e ritmo. E é preciso entender um detalhe. Não sou um fã xiita que critica a ausência de detalhes supérfluos no filme. É perfeitamente entendível privar o espectador dos filmes de detalhes que seriam conquistados através da leitura dos livros. Mais tarde acontecerá o problema de distorcer a narrativa e excluir elementos-chave que tornam a história incompleta, mas que não aparece em A Pedra Filosofal.

HARRY POTTER & A CÂMARA SECRETA

Na minha opinião, J. K. Rowling tem quatro obras irrepreensíveis literariamente falando. Prisioneiro, Cálice, Ordem e Enigma do Príncipe. Os outros três livros, acho frágeis em relação ao resto. Já expliquei as razões pelas quais A Pedra Filosofal destoa dos outros. A Câmara Secreta não tem os problemas filosóficos que dão o título de A Pedra. O problema de Câmara é que, não fosse a pista que dá para o desenvolvimento das horcruxes, seria um episódio isolado na vida de Harry Potter, sem grandes ligações com o livro anterior ou com o posterior.

No entanto, a criatividade de Rowling apresenta professores novos, como Gilderoy Lockhart e a Profª Sprout, nos traz personagens importantes como Lucius Malfoy, o elfo doméstico Dobby, a Murta que Geme, e Arthur Weasley. Cria, como no primeiro, momentos icônicos como a visita à Toca dos Weasley, o carro voador, o salgueiro lutador, o clube dos duelos, os aracnídeos de Aragogue e a poção polissuco. E principalmente, desenvolve um clima de mistério crescente em relação a quem abriu a câmara secreta, e um clima Agatha Christie conforme os “sangue-ruins” vão sendo petrificados.

E como todo fã já está cansado de repetir, o filme A Câmara Secreta é a mais fiel dentre todas as adaptações (e não é à toa que se trata do mais comprido dos filmes). É possível ir virando as páginas acompanhando o que acontece no filme.  Seria essa uma adaptação perfeita? Não, acredito que não. A fidelidade excessiva causa um problema de ritmo no filme que o deixa um pouco mais cansativo do que todos os outros. (problema que vai ser invertido em A Ordem da Fênix). E se é possível estabelecer uma diferença crucial entre livro e filme (e que prejudica o filme) é a dificuldade em criar o suspense, problema que veremos novamente em Cálice de Fogo e Enigma do Príncipe, já que o grande mistério da trama é deixado de lado. No livro, são pequenos comentários sobre o comportamento de Gina Weasley que nos dá pistas de que ela seria a responsável pela abertura da Câmara Secreta, sem nos entregar a solução. E esse suspense talvez falte no filme.

HARRY POTTER & O PRISIONEIRO DE AZKABAN

Não escondo de ninguém que dentre os livros, considero Prisioneiro de Azkaban a obra prima da série, por mais que eu goste do livro Ordem da Fênix. E dentre os filmes, apenas As Relíquias da Morte parte 1 talvez supere o filme de Alfonso Cuarón. Então, tendo sido escrita com maestria por Rowling e conduzida com elegância pelo cinema, a história do encontro de Harry Potter com seu padrinho Sirius é a que teve mais sorte ao ser contada pelas duas mídias.

Prisioneiro se destaca em relação aos outros livros, primeiro pois é o único na série que não tem Lord Voldemort como ameaça. Segundo, pois cria paralelos interessantes entre a geração de Tiago Potter e a de Harry Potter. Terceiro, pois é o livro no qual o mistério é melhor desenvolvido. Quarto, pois nos apresenta a quatro dos personagens mais interessantes do mosaico de Rowling: Sirius Black, Remo Lupin, Pedro Pettigrew e Severo Snape, que já conhecíamos, mas que a partir daqui se desprende do estereótipo do professor odioso e se torna cada vez mais complexo. E por último, por ser a mais intimista de todas as histórias envolvendo Harry.

Novamente, Rowling contribui para o imaginário popular com elementos como a tia transformada em balão, o Nôitibus Andante, os Dementadores, as aulas de adivinhação da profª Trelawney, o Bicho Papão, o Mapa do Maroto, o feitiço do Patrono e o hipogrifo Bicuço.

E o mais interessante é a maneira como Rowling articula as subtramas desse livro. São elas: a perseguição de Sirius; a fragilidade de Harry frente aos dementadores; o mistério envolvendo as faltas de Lupin; o julgamento do Hipogrifo Bicuço acusado de atacar Draco Malfoy; a mais eletrizante partida de quadribol da série e o mistério de quem mandou para Harry a vassoura Firebolt; as fugas de Harry para Hogsmeade através do mapa do maroto;  a perseguição do gato de Hermione, Bichento, ao rato de Rony, Perebas, e a amizade desse gato com um enorme cachorro preto; e finalmente, mas ainda mais importante, o mistério envolvendo a maneira como Hermione assiste todas as aulas a que se matriculou.

São muitas subtramas, de fato, mas o interessante na narrativa de Rowling é que todas elas convergem e se resolvem no mesmo capítulo, o capítulo 21 – O Segredo de Hermione, na qual, através do vira-tempo, vários problemas se resolvem.

Na adaptação, é claro que é impossível não perder um pouco dessa convergência para um capítulo, já que o filme não tem essa linguagem e divisão dos livros, e caso o tivesse, teria um sério problema de ritmo. Mas o roteiro é articulado de uma maneira que todos os fatos, dos mais insignificantes, como os pequenos momentos no qual Bichento implica com Perebas ou a queda de uma bola de cristal pela escada, parecem significar mais do que superficialmente aparentam.

Assim como Câmara Secreta, Cálice de Fogo e Enigma do Príncipe, a trama baseia-se fundamentalmente em suspense e mistério. No entanto, é o único filme em que o mistério realmente parece envolver todos os detalhes da história, seja a ajuda que os gêmeos Weasley dão para Harry fugir para Hogsmeade, ou a forma que o Bicho Papão de Lupin toma.

Mas não, não é essa a adaptação perfeita que coloca a palavra “quase” no meu texto. Na verdade, pelo contrário, O Prisioneiro de Azkaban, o filme, por mais que tenha uma longa lista de qualidades e seja um dos melhores da série, comete um dos piores pecados das adaptações, que impede o entendimento leigo da história mais tarde: trata-se da ausência das informações do capítulo 18, quando descobrimos que Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas referiam-se, na verdade, a Lupin, Pettigrew, Sirius e Tiago Potter; descobrimos que eles são os responsáveis pelo mapa do maroto; descobrimos que a Casa dos Gritos não é de fato mal assombrada, mas colocada próximo a Hogwarts, assim como o Salgueiro Lutador, por causa de Lupin e sua licantropia; e descobrimos detalhes sobre a história que envolve Sirius, Pettigrew e Tiago Potter se transformando em animagos para fazer companhia ao lobisomem Lupin; e descobrimos também, com clareza, as razões da implicância e obsessão de Snape com Potter, Lupin e Sirius.

As informações proferidas no capítulo 18 são essenciais para  a posterior compreensão da história. Quando no quarto filme, vemos Voldemort chamar Pettigrew de Rabicho, o espectador desavisado não deve entender. Assim como não deve entender como Lupin reconhece o mapa prontamente ou não consegue estabelecer mentalmente a ligação tão forte que os quatro marotos tinham com Snape.

Enfim, apesar desse que considero um sério problema de adaptação, O Prisioneiro de Azkaban, pelo seu bem conduzido clima de mistério, permanece como um dos melhores filmes da série, ainda que não seja uma das melhores adaptações.

HARRY POTTER & O CÁLICE DE FOGO

Assim como não escondo meu apreço pelo livro e filme Prisioneiro de Azkaban, também não escondo minha revolta com o filme Cálice de Fogo. Considero o filme dirigido por Mike Newell muito, mas muito inferior a todos os outros. Na verdade, considero o único fraco.

Mas embora o filme seja falho, o livro permanece sensacional. Se um dos maiores trunfos de Prisioneiro de Azkaban era ser muito intimista, o trunfo de Cálice é exatamente o contrário. Rowling busca, no livro, mostrar como funciona a sociedade mágica externa à Hogwarts através da Copa Mundial de Quadribol e do Torneio Tribruxo, e como o Ministério da Magia lida com essas confraternizações mágicas esportivas. Há um clima de conspiração política no livro, que aumentará ainda mais em Ordem da Fênix.

O passado do universo se torna mais importante, com as lembranças e a introdução dos Comensais da Morte e das Maldições Imperdoáveis, e através de personagens políticos como Cornelio Fudge, Bartô Crouch, Arthur Weasley, Lucius Malfoy, Percy Weasley, Ludo Bagman e a desaparecida Berta Jorkins, descobrimos como o Ministério lida com essas questões. O jornal Profeta Diário, antes apenas citado, agora surge como personagem importante com a repórter sensacionalista Rita Skeeter. Descobrimos a existência de outras escolas de magia (inclusive uma no Brasil!) e o Torneio Tribruxo entre as grandes escolas da Europa chega à Hogwarts. Já interno à Hogwarts, há também o novo professor Alastor “Olho Tonto” Moody e a relevante presença de Dobby e Winky e a luta de Hermione pelos direitos dos elfos domésticos.

Chegamos ao filme de Mike Newell, que afirmo ter sérias falhas desde o roteiro à estética de fotografia, efeitos visuais e design de produção. Mas nesse texto, vamos nos ater ao roteiro. Como afirmei antes, não vejo problemas em privar o espectador dos filmes de detalhes que seriam conquistados através da leitura. Até aí tudo bem, é complicado adaptar um universo tão rico sem sacrificar detalhes supérfluos. Mas outro problema é distorcer a história, excluir elementos chave, desenvolver porcamente os personagens e não se aprofundar em questão alguma como faz O Cálice de Fogo.

O grande propósito de O Cálice de Fogo, além de evidentemente abordar a volta de Voldemort, é mostrar como funciona o Mundo da Magia quando externo à Hogwarts. O roteiro do filme não se aprofunda nessa questão, para não dizer que não se aprofunda em questão alguma. Citei antes os cinco personagens políticos (Cornelio Fudge, Bartô Crouch, Arthur Weasley, Lucius Malfoy, Percy Weasley, Ludo Bagman e a desaparecida Berta Jorkins). O filme exclui os três últimos personagens, e não desenvolve o suficiente nenhum dos primeiros quatro a ponto que possamos entender a dinâmica do Ministério da Magia, como é feito no livro.

A volta constante à casa dos Dursley é essencial para a compreensão do personagem Harry Potter. Arrancar para fora da história Válter, Petúnia, Duda e a curiosa visita dos Weasley aos Dursley distorce a estrutura e danifica a constância da vida de Harry Potter.

Mais, não há desenvolvimento algum, durante o filme, da relação de Harry Potter com seu padrinho Sirius Black, a não ser por uma rápida conversa na lareira. É difícil, portanto, para o espectador apenas dos filmes, extrair algum laço emocional com o personagem Sirius. Como o roteiro deste também não ajuda, a responsabilidade fica toda com o ator Gary Oldman no filme seguinte. Outro personagem que não é desenvolvido com clareza é Dobby, já que o conhecemos em Câmara Secreta e só voltamos a encontrá-lo em Relíquias da Morte. Através do cinema, não é possível entender com força, portanto, a ligação que Harry desenvolve com o elfo doméstico que o leva a sentir tanto a sua morte. Dobby, em Cálice de Fogo, é quem diz a Harry para usar guelricho para respirar em baixo d’água, e nos outros livros, mostra a Sala Precisa para Harry e o ajuda a descobrir o que Draco está planejando em Enigma do Príncipe.

Falando em Dobby, outro personagem excluído da história é Winky, a melancólica e (recentemente) alcoólatra elfa doméstica de Bartô Crouch, e que no livro, é a chave de todo o mistério ao redor de quem colocou o nome de Harry Potter no Cálice de Fogo, de quem conjurou a marca negra na Copa Mundial de Quadribol e de quem anda roubando da sala de Snape. Aliás, não parece haver mistério algum no filme, a não ser um momento em que Igor Karkaroff fecha uma porta, cena que está lá apenas para desconfiarmos de alguém, já que os outros suspeitos não são desenvolvidos – Ludo Bagman, Snape, Bartô Crouch.  E quanto ao Profeta Diário, a jornalista Rita Skeeter está avulsa no filme, uma vez que as notícias do ministério são um tanto ignoradas, assim como o fato da repórter ser capaz de se transformar em besouro.

Resumindo, em Cálice de Fogo não há desenvolvimento de personagens algum, e tampo desenvolvimento do universo concebido por Rowling. Sim, o filme faz a história ir pra frente devido aos acontecimentos (a volta de Voldemort), mas não estabelece laço algum com o espectador e nem o envolve mais naquele mundo, como acontece com o leitor do livro, e esse é o problema da adaptação de Cálice de Fogo.

HARRY POTTER & A ORDEM DA FÊNIX

Uma coisa que não consigo compreender, e que sem dúvida perguntaria ao produtor David Heyman, é por que o mais extenso dos livros deu origem ao filme mais curto. É um ótimo filme? Sem dúvida, mas não há razão para ser um filme tão corrido e tão desprovido de desenvolvimento de personagens (lá vem eu de novo com isso). Basicamente, o que quero dizer é que o filme Harry Potter e a Ordem da Fênix é sobre muitas coisas, mas não sobre a Ordem da Fênix.

Mas vamos lá. Primeiro, o livro, que por sinal, é um dos meus preferidos. Harry Potter e o Cálice de Fogo, ao apresentar o funcionamento do Ministério da Magia, preparou o terreno para Harry Potter e a Ordem da Fênix, que é, na realidade, uma grande trama política.

Se a magia chegou cordial e atrapalhadamente aos Dursley no livro anterior, com a visita dos Weasley, agora chega agressivamente com o ataque dos dementadores a Duda. Harry, depois da desastrada temporada de férias com os Dursley, descobre também que o Ministério está empenhado em provar que Harry e Dumbledore são mentirosos em relação à volta de Voldemort, através dos personagens do Ministro da Magia Cornelio Fudge, de seu assistente Percy Weasley (brigado com a família) e da subsecretária sênior do ministro Dolores Umbridge.

Harry também conhece a Ordem da Fênix, sociedade secreta anti-Voldemort, com os Weasley, Lupin, Snape, Olho Tonto e os personagens novos, Kingsley Shacklebolt, Mundungo Fletcher e Ninfadora Tonks.  E descobre também algumas teorias sobre a organização dos Comensais da Morte.

O Ministério da Magia, a Ordem da Fênix, os Comensais da Morte e sendo afetada por todas essas organizações, Hogwarts. Acho, sem dúvida alguma, a mais empolgante e envolvente das tramas que Rowling construiu.

A adaptação de Ordem da Fênix para o cinema é eficiente? Sem dúvida. Em especial por causa da transformação estética que David Yates, o estreante diretor, assumiu a partir desse filme e manteve nos filmes seguintes. Ainda que seja eficiente em desenvolver a narrativa mantendo a essência do livro, não havia razão para ser um filme tão corrido. O roteiro poderia desenvolver uma riqueza em detalhes e personagens.  Acho que somando o tempo que Tonks, Lupin e Olho Tonto aparecem no filme, não forma nem um minuto, e são personagens de crescente importância na série. Sirius Black também tem sua importância reduzida, e a pouca importância de Monstro e o esquecimento do quadro da mãe de Sirius fazem com que não sintamos o quão preso Sirius se sentem naquela casa.

A exclusão de Percy Weasley, que já foi limado do filme anterior, também é uma pena, pois é uma subtrama interessante a da relação do garoto com a família. Aliás, a Família Weasley deveria ser desenvolvida melhor nesse filme, com a presença de Molly, Arthur, Gui e Carlinhos na Ordem da Fênix. Inclusive, há uma excelente passagem em que Molly Weasley, ao ver um Bicho Papão, vê cada um de seus filhos (e Harry) mortos, já que este, nesse prenúncio de guerra, é seu maior medo, e que avisa o que aconteceria no sétimo livro com um de seus filhos.

E é claro, a implicância dos produtores com Dobby, que é sempre excluído provavelmente por questões práticas. A passagem dos garotos pelo Hospital St. Mungus para visitar Sr. Weasley também não está lá, que é quando encontram Neville Longhbotton com sua avó visitando os pais enlouquecidos pela maldição cruciatus. Questões escolares, como a ausência da Orientação Vocacional também fazem falta. O que também fez falta, mas não faria sentido nenhum já que no filme anterior não foi explicada a subtrama da repórter besouro Rita Skeeter, é a entrevista de Harry para o Pasquim.

Mas em um livro tão grande, não esperava que houvesse tanta fidelidade a detalhes, mas eu incluiria esses que citei. Já outros, como todo o capítulo em que Hagrid conta a sua aventura com os gigantes, é realmente dispensável. O quadribol, já que Harry estava proibido de jogar, não faz tanta falta e deixar para introduzir Rony como goleiro no filme seguinte foi uma boa sacada. As aulas de criaturas mágicas da professora Grubbly-Plank e do professor centauro Firenze exigiriam um desenvolvimento maior de subtramas e um custo mais alto pois haveriam mais criaturas a serem criadas com animatrônicos e CGI, mas preferia que tivessem gastado nessas aulas e no Dobby do que no gigante meio-irmão de Hagrid, Grope, que acho completamente dispensável para a história.

Enfim, a Ordem da Fênix é uma adaptação eficiente, porém pobre em detalhes, o que é uma pena, mas a essência da história é conservada, diferente de Cálice de Fogo.

HARRY POTTER & O ENIGMA DO PRÍNCIPE

Harry Potter e o Enigma do Príncipe é uma das obras primas de Rowling. Não há muitos elementos novos apresentados aqui. Há um professor novo, o professor Horácio Slughorn, o novo Ministro da Magia Rufo Scrimgeour, há as aulas de aparatação, há os relacionamentos complicados de Harry e Gina e de Rony e Hermione, as aulas particulares de Harry com Dumbledore sobre o passado de Voldemort, há Narcisa Malfoy e há também o livro de poções antigo que Harry começa a usar.

Na adaptação de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, vemos mais qualidades do que defeitos. O início do filme destoa completamente do início do livro. Embora, independente do livro, o início do filme com os comensais atacando Londres e Harry no metrô seja sensacional, meu coração de fã queria muito ver o encontro dos Ministros da Magia com o Ministro da Inglaterra, mostrando a ligação política do mundo mágico com o mundo trouxa. O encontro de Narcisa e Bellatrix com Snape talvez pudesse ser um pouco mais extenso, mas aí já se enquadra no preciosismo de fã. Já a ausência dos Dursley, não considero preciosismo de maneira alguma. É o mesmo problema encontrado no quarto. É preciso sempre haver os Dursley para mostrar a constância da estrutura que Rowling criou, de ano letivo, o sacrifício constante de Harry ao voltar para a casa dos tios. E nesse, em particular, há um importante encontro de Dumbledore com os tios que talvez não devesse ser ignorado.

Uma diferença crucial na adaptação de Enigma do Príncipe que foi criticada por fãs é a ausência de lembranças do passado de Voldemort. Eu pessoalmente, não vejo problema, é mais daquelas informações adicionais que devem ser conquistadas através da leitura, mas excluir certas conversas sde Dumbledore com Harry gera problemas para os filmes seguintes, já que é somente através das conversas com Dumbledore que Harry se dá conta que a taça da Lufa Lufa e o diadema da Corvinal podem ser horcruxes. E também, se afirmam que Snape conquistou seu sonho de dar Defesa contra a arte das Trevas, o mínimo que deveria ter no filme é uma cena de aula para mostrá-lo finalmente satisfeito com o cargo. 

O maior problema da adaptação de Enigma do Príncipe (que como disse, tem os acertos em número muito maior), é aquele que já assombra Câmara e Cálice. A dificuldade em construir suspense e mistério ao redor de um segredo. Aqui nesse caso, a identidade do Príncipe Mestiço. Quando Snape afirma-se como tal, a sensação do espectador médio é quase como “ta, e aí?”.

Vendo o filme como adaptação, Enigma do Príncipe se sai muito bem, mesmo com problemas. É fiel na essência, permite-se criar (a passagem de Bellatrix atacando a Toca é sensacional, e é inexistente no livro), desenvolve seus personagens e as relações de uns com os outros (Slughorn e, mesmo com pouco tempo, Narcisa Malfoy). 

 

Comentários

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Enviado por Ghuyer em sab, 07/16/2011 - 01:24

Finalmente alguém se mexeu para comparar livros e filmes de modo competente e razoável - e quando digo “razoável” não é referente à qualidade da escrita, e sim quanto a deixar de lado o preciosismo “fãnático” que assola tantos textos do tipo. Estou adorando esses teus artigos, Giordano. Várias informações interessantes inclusive ou principalmente para os não-leitores da série, como eu. Assim, é na condição de "leigo" que vou comentar sobre algumas das tuas observações sobre as opções de adaptação, e tentar oferecer um olhar de fora dos livros.

A Pedra Filosofal - Concordo com a afirmação sobre esse filme ser um marco definitivo na História do Cinema - e é difícil conceber que o filme já tem 10 anos! Senti uma imersão total no cinema quando fui ver, sabendo muito pouco sobre o que se tratava, e não fazendo a menor ideia do que a franquia se tornaria futuramente. Acho que Chris Columbus acertou em cheio no tom do filme. Sobre a questão das saídas filosóficas fáceis, não posso falar muito, porque mesmo na última vez que revi o filme ainda não tinha o senso crítico de hoje. Porém, analisando em retrocesso, concordo bastante com o tópico "Dumbledore Ex Machina". Inclusive, um do poucos problemas da conclusão da saga no cinema se resume na omissão de como Dumbledore sabia de certas coisas.

A Câmara Secreta - Aqui já eu discordo bastante da tua opinião não só sobre o filme, mas sobre esse capítulo da série de modo geral. Primeiro, não acho que seja um episódio isolado, como tu disse. Não é só a questão do diário do Tom Riddle aparecer para futuramente retornar à história como uma das horcruxes. Nesse sentido, também é importantíssimo ao apresentar a Espada Gryffindor. Porém, mais do que isso, para mim A Câmera Secreta aprofunda o conhecimento de Harry sobre Voldemort, o deixando mais intrigado e preocupado com o vilão, além de deixar claro o perigo que o mesmo representa. Essa primeira sequência também é relevante para evidenciar o caráter duvidoso da casa Sonserina, sem contar a característica de Harry em conseguir falar com serpentes, dois detalhes importantes para o desenrolar da trama toda. No entanto, concordo que, no filme, a relação de Gina com o diário foi mal retratada, no sentido de que tudo é descoberto através de diálogos expositivos, e não de cenas de fato mostrando as coisas. Em contrapartida, discordo quando tu diz que o filme tem problemas de ritmo e dificuldade em criar suspense. Eu pelo menos fiquei vidrado em tudo que acontecia, o tempo todo; e muito tenso nos momentos em que Harry caminhava sozinho pelos corredores enquanto escutava Voldemort sussurrando para ele.

O Prisioneiro de Azkaban - Tenho um fraco por qualquer história que trate de viagens no tempo. É um conceito que sempre me fascina, mesmo quando não e bem desenvolvido - o que não é o caso aqui. Não tinha me dado conta, mas realmente há várias subtramas importantes e bem entrelaçadas nesse terceiro capítulo. Até ter sido lançado O Enigma do Príncipe, era esse aqui meu filme preferido da série (na real, ainda me debato sobre qual dos dois prefiro). Agora, sobre o suposto pecado de adaptação que tu te refere, apesar de a informação omitida no filme ser bastante esclarecedora, vou dizer que não achei sua ausência tão drástica assim. Pelo contrário, acho que cria, no universo dos filmes, mais uma gama de mistério, deixando ao espectador o trabalho de divagar sobre a verdade daquilo. É fato que eu não sabia que Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas se referiam a Lupin, Pettigrew, Sirius e James Potter (não consigo usar "Tiago"), e provavelmente boa parte do público não-leitor também não tenha descoberto isso sem que alguém lhes contasse. Mas, ao menos quanto à minha percepção do filme, não revelar isso ajudou a intensificar a aura de mistérios acerca da história de Hogwarts. O que me incomodou mesmo foi 1) não saber como os gêmeos Weasley tomaram posse do mapa; e 2) como Pettigrew virou de amigo de Sirius e cia a servo de Voldemort. Essas duas informações, se não me engano, são constam no(s) filme(s). E ah, não tenho certeza dos detalhes, mas não recordo de ter ficado confuso quando Voldemort chamou Pettigrew de Rabicho. Na época, aquilo fez sentido, mas faz um bom tempo que eu vi o filme, e não vou confirmar nada.

O Cálice de Fogo - Dos filmes, lembro que foi com esse que balbúrdia em torno da franquia realmente tomou proporções enormes - tanto é que foi o DVD com vendagem mais rápida da história do Reino Unido, coisa que nenhum dos outros longas tinha conseguido chegar perto de realizar (inclusive, logo O Prisioneiro de Azkaban foi o filme com a menor bilheteria da franquia). Mas, enfim, também é esse filme sobre o qual eu menos lembro de detalhes. Lembro da batalha contra o dragão (e da frustração de as outras batalhas não terem sido mostradas no filme), lembro de Harry salvando a irmã da francesa loira na prova da água, lembro de Hermione flertando com aquele cara romeno, lembro do ranzinza Moody, lembro da morte de Cedric (um dos momentos mais inesperados da série toda, para mim), e lembro da icônica aparição de Voldemort. De novo, a memória não me permite falar com propriedade sobre o filme, e mais uma vez só posso falar que, na época, o filme parecia funcionar muito bem. Aliás, o instinto está me mandando dizer que, apesar de não haver aquela atmosfera de suspense e de temor que havia nos outros filmes, O Cálice de Fogo tem, até então, o melhor ritmo, talvez justamente por não desenvolver o suspense. Agora, pensando no que viria a seguir na série, realmente parece que faltaram informações importantes quanto à organização política dos bruxos, como tu muito bem apontou. Também achei decepcionante a pouca participação de Sirius, personagem que tanto se mostrou interessante e importante no filme anterior – porém, acredito que o talento de Gary Oldman já foi o suficiente para deixar clara a empatia entre Sirius e Harry.

A Ordem da Fênix - Poucos entendiam porque eu gostei tanto desse filme. Para mim era óbvio demais o porquê. A Ordem da Fênix é único dos filmes a realmente ter um batalha entre bruxos, além de um breve e fodástico embate entre Dumbledore e Voldemort. Só isso já bastaria para ser um dos meus filmes preferidos da série (e ainda é). Apesar de curta, essa batalha final, com a súbita morte Sirius, é para mim um dos momentos mais sensacionais de toda a saga. Poucas vezes fiquei tão empolgado, e justamente por David Yates fugir da linha óvbia, e fotografar as lutas em planos abertos, deixando o espectador apreciar a ação. Outro elemento do filme que me afeta positivamente é a introdução de Luna, uma personagem que me encantou de cara, e que considero muito intrigante. A indignação crescente de Harry e cia em relação à péssima atuação de Dolores Umbridge como diretora é muito bem desenvolvida, e cativa o público a ficar com raiva daquela figura arrogante. Sua entrega aos centauros é de um regozijo indescritível - e aí entra uma das falhas de As Relíquias da Morte ao não explicar como ela voltou ao Ministério da Magia. E outra coisa que não entendo é porque um sujeito mau caráter como Mundungo foi incluído na Ordem. Se isso é explicado, não me lembro, mas porque ele foi chamado para ajudar a levar Harry à Toca do Weasley em As Relíquias da Morte Parte I, é mais uma coisa que não entendo. No mais, acho que o filme é feliz em instaurar uma aura de conspiração política, apesar de realmente aquilo que dá título ao filme não ser explorado como deveria pelo roteiro do mesmo (tiraram Steve Kloves, fazer o quê?). A tua frase é perfeita: "o filme Harry Potter e a Ordem da Fênix é sobre muitas coisas, mas não sobre a Ordem da Fênix". E também concordo que o filme é curto demais. Podia ser mais longo. Aliás, todos os filmes da série poderiam ser mais longos (caso isso não alterasse sua funcionalidade), porque é uma história legal demais para acabar tão rápido.

O Enigma do Príncipe - Às vezes um único elemento da composição de filme pode fazer toda a diferença. Apesar de todas as bem pensadas opções de David Yates referentes a vários aspectos do filme, creio que não fosse a fotografia de Bruno Delbonnel, o resultado dificilmente seria tão bem sucedido. Feito esse comentário à parte, posso, mais uma vez, discordar quando tu fala sobre a dificuldade do longa em construir suspense e mistério. O suspense funciona devido à inteligência de Yates em filmar várias cenas sob ângulos quase subjetivos, dando a impressão de que alguém está ou poderia estar espiando a conversa. Ajuda nesse sentido a edição de som, que faz as vozes ecoarem pelos "vazios" corredores de Hogwarts. E o mistério opera na linha de descobrir qual a relação o professor Slughorn e Tom Riddle tiveram no passado. Em relação aos Dursley, acho que o retrato deles nos primeiros filmes já foi tão chato, que não havia necessidade de retornar essa questão mais uma vez. Porém, concordo totalmente que a revelação de Snape ser o tal Príncipe Mestiço soa demais como "tá, e aí?". E porque "príncipe"? – isso também não fica claro (nunca). E acho interessante que, quando vi no cinema, o filme provocou várias risadas, o que diluía o lado sombrio da história. Depois, revisto em casa, o filme pareceu de fato muito mais triste. Isso, de operar em mais de um nível de percepção, para mim, é um grande mérito da direção de Yates.

Enfim, gostei muito do teu texto, e tudo isso que discuti acima não são críticas, e sim apenas a minha versão dos fatos. Estou esperando teu próximo artigo dessa série sobre Harry Potter!

imagem de Giordano

Enviado por Giordano em sab, 07/16/2011 - 03:46

 

Cara, recomendo a leitura dos capítulos 18 e 19 de Prisioneiro de Azkaban.

Lá, tu vai descobrir que nem Pettigrew nem Sirius nem Tiago eram animagos até Remo Lupin ser mordido por um lobisomem. Dumbledore, diretor da escola, foi legal e colocou nos terrenos de Hogwarts o Salgueiro Lutador com uma passagem secreta para a Casa dos Gritos, onde Remo poderia ficar durante a lua cheia. Para lhes fazer companhia, Tiago, Sirius e Pettigrew, seus grandes amigos, descobriram o segredo da transfiguração e encontraram uma maneira de se tornarem animagos. Sirius, o cão. Pettigrew, o rato. E Tiago, o veado. Piadas a parte. Por isso Aluado, Rabicho, Almofadinha e Pontas. ;D

E minha insistência quanto a presença dos Dursley acho justificada, pois deve sim ser chato e repetitivo, pois é um sacrifício que Harry deve fazer até completar 17 anos. Sempre voltar à casa indesejada. E como afirmei, em Enigma do Príncipe, há um importantíssimo diálogo de Dumbledore com os tios de Harry!

Cara, recomendo a leitura dos livros. Se tu gosta do universo, vai descobrir um universo de informações incríveis!

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