O incrível poder que temos em desperdiçar todas as Artes

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Enviado por Rafael em qua, 11/02/2011 - 12:31

Vamos começar com uma suposição: Você  resolve virar cinéfilo, quer se especializar um pouco melhor do que já sabe, mas para isso necessita suprir duas necessidades básicas: ler sobre e ver muitos filmes. Ler sobre cinema não é difícil já que há muitos livros sobre o assunto que explicam o básico, já a segunda necessidade é mais difícil. Ver muitos filmes, além de envolver tempo e disposição, também envolve o ano em que você resolveu se tornar cinéfilo. Se antes em 1985, por exemplo,  você tinha um número X de filmes para ver, mas se foi hoje provavelmente será algo em torno de  5X. Assim existe uma corrida para a nova leva de cinéfilos de se manter atualizado com os filmes atuais quando ainda tenta suprir a necessidade de se ver os demais produzidos desde a invenção do cinema.

   Uso da suposição acima para lançar um argumento, não só sobre cinema, mas também sobre todas as artes: Devemos parar de produzi-las. Sendo mais especifico, digo que toda humanidade deve parar de elaborar qualquer tipo de arte. Nós detendo apenas no cinema, basta olhar para qualquer locadora, livraria ou site que armazene fichas de filmes para comprovar a ideia de que estamos produzindo demais tornando impossível que se acompanhe.  Chutando um palpite arriscaria a dizer que só o mercado cinematográfico americano produz cerca de mil filmes por ano e tirando Rubens Ewald  Filho, quase mais ninguém vê quantidade equivalente de  filme pelo mesmo período. O mercado produz demais em muito pouco tempo, sendo que o público não mudou a forma lenta que consome. O que acontece a partir desta superlotação é um desgaste maior do mercado, fazendo com que mais produções ruins e repetitivas cheguem, uma forma boba de subestimar o grande público.

Há muita obras no mercado e não estamos consumindo, deixando acumular em prateleiras para quem sabe um dia olhar. Talvez uma pausa de dez anos em toda indústria cultural mundial seria suficiente para poder  dar tempo não só para o publico ter tempo de consumir mais do que já foi produzido, tanto atualmente quanto antigamente, mas também dar tempo para se repensar em toda indústria.  Focando no mercado americano, diria que seria a hora perfeita para se repensar o porquê da criatividade ter sumido e o modo como se está fazendo filmes atualmente. Todas principais questões poderiam ser facilmente resolvidas  se a indústria se libertasse da comodidade e tentar resolver o que tanto lhe prejudique antes que a própria entre em colapso. A bola de neve em torno da indústria cinematográfica ira cada vez aumentar. Uma renovação precisa acontecer, mas para acontecer precisa ser planejada, assim necessita de tempo. Tudo precisa surgir do mercado americano, já que este dita para praticamente todo resto do mundo a forma como cinema deve ser feito.

Sendo realista, a possibilidade de este pensamento um dia acontecer é praticamente impossível por ela fazer que produz perder dinheiro, mas também que barrar a arte seria loucura. Todos querem se expressar e para isto surgiu à arte, para comunicar uma ideia através da pintura, escultura ou escrita(algo que estou fazendo agora). Por mais que há uma discussão sobre sua utilidade e o que pode ser realmente considerado arte, ainda sim não como questionar sua importância para evolução do homem, tanto  individualmente quanto coletivamente. A dependência da sociedade quanto a ela é o que impede tal mudança.  Compreensível, mas ainda lastimável saber que muitos livro, filmes, pinturas, esculturas e outras obras  não serão vistas e devidamente respeitadas quanto merecem.

Comentários

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Enviado por Giordano em qua, 11/02/2011 - 23:37

Não entendi onde tu quis chegar.

Acho que a qualidade só existe por causa da quantidade. Quanto mais filmes, mais bons filmes vai ter. O espectador faz suas escolhas. Não vejo problema nisso. Uns se destacam sobre os outros por fatores economico-culturais.Não vejo desperdício nenhum aí, vejo seleção cultural (adaptando a expressão do Darwin para as artes). 

 

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Enviado por Rafael em qui, 11/03/2011 - 10:58

Discordo.

Quanto mais filme, mais filmes ruins. Basta tentar montar um lista de filmes deste ano, vai sobrar ruins e faltar bons. Em suma fazem qualquer coisa esperando que tu consuma, não se importando com a qualidade e sim com numeros.

Sim,  espectador tem total poder de escolha do que ver e o que não ver, selecionando a partir do seu próprio gosto.

Mas tudo que está sendo feito quer ser consumindo por todos, deixando um curto tempo para o público selecionar o que ver. Se tu escolher filme A ao inves do B, talvez tu não tenha chance de ver o B, porque o já tem o C, o D, o E e o F para tu ter que escolher. Se antes já era impossivel ver todos, agora definitivamente não há mais chances, fazendo com que dentro da tua seleção, tu tenha que selecionar

Espero que não tenha ficado complicado.

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Enviado por Giordano em sex, 11/04/2011 - 21:17

Ta, entendi, mas ainda discordo.

Tu ta vendo só o lado vazio do copo. Quanto mais filmes, mais filmes ruins e mais filmes bons também.

O "ruim" (entre aspas pq é relativo) vai estar sempre em maior número que o "bom".

Mas quanto menos filmes tiver, menos filmes bons vai ter. Então prefiro que tenha uma quantidade e variedade muito grande.

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Enviado por Ghuyer em sab, 11/05/2011 - 16:26

 

Como situação hipotética, para mim seria curiosio se a produção cultural mundial cessasse por mais ou menos um ano. Não sei quanto a vocês, mas eu tenho uma mente muita especulativo, e esses cenários imaginários quase sempre me são interessantes.

Então, por um lado, concordo com o Rafael, não só porque eu gostaria de ver o que iria acontecer na situação referida, mas porque eu realmente poderia aproveitar esse um ano sem filmes novos para ver aqueles que eu ainda não vi.

No entanto, eu preciso concordar com o Giordano também, porque quanto mais filmes produzidos, mais filmes bons aparecem. E é verdade que com isso os ruins aparecem em maior quantidade, mas tal fato me parece mais uma lei universal do que um efeito do modo atual de produção e consumo de cinema. O “bom” sempre estará rodeado de medianos e ruins, na minha opinião.

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