O Lado Sombrio de Sucker Punch

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Enviado por Pedro em dom, 05/29/2011 - 03:11

 

Praticamente todo mundo já viu ou ouviu falar da famosa e recheada de mistérios e perguntas sem resposta sincronização do incomparável disco do Pink Floyd de 1973, Dark Side of The Moon, e o clássico estreante do Technicolor de 1939, The Wizard of Oz. The Dark Side of Oz, Wizard of the Dark Side, etc, etc. Na verdade, a primeira vez que vi isso a sincronização estava gravada numa fita cassete e admito ter ficado até bastante assustado com as coincidências que não podem deixar passar a ideia de um videoclipe. Dorothy Gale, interpretada maravilhosamente pela lendária Judy Garland, encostando seu ouvido no peito do Homem de Lata enquanto o disco quase que silenciosamente se encerra com aquele bater de coração místico e parte, talvez, essencial dos imaginários tecnológicos e transcendentais de nossa era. A velha e frágil casa de madeira voando pelos ares ao som de The Great Gig in the Sky. A morte da bruxa maldosa e aquela cena assustadoramente psicodélica dos habitantes de Oz dançando. Todas essas imagens, esse fenômeno até hoje inexplicado, são parte fundamental de todo um panteão de mitos sobre e em Hollywood. Alan Parsons, o famoso produtor desse disco, disse mais de uma vez em entrevistas, por exemplo, à MTV que não apenas tudo não passa de delírios conspiratórios como seria tecnológica e artisticamente impossível planejar e executar essa sincronia nos idos de 1972, quando o disco foi gravado.

Claro, cada um de nós acredita em algo: dos mais céticos que imaginam que tudo é uma farsa perpetrada principalmente por Roger Waters em seus delírios artísticos e sua admiração muito bem conhecida por filmes – esse, inclusive, em especial, tendo ele mesmo dito em certa ocasião que o filme marcou muito sua juventude – até os mais crédulos da mitologia do Rock que acreditam que tudo é por acordos com o demônio, feitiçaria ou uma sincronia artística aos moldes das contestadas invenções do avião ou rádio. Mas crendices a parte, é impossível não constatar o poder desse fenômeno – tanto no imaginário fílmico da nossa era quanto no social. Eu fui a mais de uma reunião para se assistir a sincronia do Mágico de Oz com o Dark Side.

E, ainda mais, a parte isso, é preciso reconhecer a influência que essa sortuda coincidência ou bem armada farsa teve sobre inúmeros artistas. E, às vezes, sinto que tem sempre alguém que assiste todos os filmes possíveis e tenta sincronizá-los com esse disco. O que nos leva ao novo fenômeno que recém começou a aparecer na internet – talvez devido ao fato de que o filme tenha estado há apenas pouco tempo nos cinemas e ainda não tenha sido lançado em DVD/Bluray.

Sucker Punch sincroniza com Dark Side of the Moon. É sério. Se vocês duvidam disso, aí vai o link:

http://bitsnoop.com/dark-side-of-the-sucker-punch-q24975303.html

A qualidade é péssima porque, como eu disse, o filme ainda não saiu em DVD ou Bluray e a sincronização foi feita a partir daquelas toscas filmagens de dentro do cinema ou direto do projetor. Eu não vou spoilear a galera porque é tão óbvio que a sincronização possa ter sido feita totalmente de propósito: a experiência é videoclípica. Dois momentos, logo no início do filme mostram isso muito bem: quando ela dispara contra o velho – padrasto dela se não me engano – logo após a morte da mãe e ela acaba atingindo a irmãzinha, Baby Doll corre até a menina e a pega nos braços. Ela então percebe que a menina está sangrando e David Gilmour canta “race towards an early grave” exatamente nesse momento. Logo depois, quando ela está sendo internada, toca Time. Todo aquele momento tenso no início da música, com aqueles tambores e batidas, a marcação do relógio, é quando Baby Doll olha chorosa para a sala com as pessoas. É aquele momento tenso, Carla Gugino colocando a fita num gravador, as suas futuras companheiras sentadas, a menina solitária no canto – toda a passagem do tempo e a letra parece clamar pela própria história do filme.

Recomendo assistirem a despeito de não ter achado que ficou tão bom. Como esse fenômeno ainda é bem recente – acho que faz apenas uns 20 dias que isso apareceu na internet – esse torrent ainda tem poucos seeds e poucos peers, então demora pra baixar. Pra quem tiver paciência, fico curioso se alguém se dará o trabalho de sincronizar de novo com um arquivo de DVD ou alta qualidade. Também vale, para aqueles como eu que não foram ver o filme no cinema, assistir com legendas, pra poder ver o filme e não só ficar curtindo isso que eu, pessoalmente, duvido muito que seja uma coincidência como imagino que a sincronização original seja. E além do mais, Sucker Punch é um filme bem passável e, convenhamos, a grande sacada dele são os visuais, não o roteiro, né?

Vale mencionar, como nota conclusória, tendo finalmente assistido todo, que várias partes do início ficam realmente muito bem sincronizadas. Muito bem mesmo. Depois, nem tanto. Daí quando se repete a reprodução do disco - técnica usada já na sincronização com The Wizard of Oz para que dure até o final do filme - temos novamente alguns momentos. Tenho que assistir mais algumas vezes, de repente com um pouco de vinho pra ajudar, pra tirar mais conclusões a respeito disso.

p.s.: minutos depois de postar esse texto eu descubro que o filme acabou de aparecer em DVDRip nos torrents da vida.

Comentários

imagem de Ghuyer

Enviado por Ghuyer em qui, 07/14/2011 - 15:01

Comecei a ver agora e, realmente, a música cola muito bem com o filme. Até acho que os diálogos suprimidos não fazem a menor falta. Mesmo quem não viu o filme é capaz de entender o que acontece, e o som do Pink Floyd também ajuda nesse sentido.

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