OSCAR 2011

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Enviado por Giordano em sab, 02/26/2011 - 16:59

OSCAR 2011,

por Giordano, com nobre ajuda da Júlia

 

Os Academy Awards são cheios de bullshit? Claro que são! Cheios de glamour? Com certeza. Marmelada? Não sei, talvez. Mas mesmo assim, para qualquer um que goste de cinema, acompanhar a corrida é sempre um exercício empolgante, embora seja sempre acompanhado e frustração. O FILA K surgiu muito em cima da premiação e não tivemos tempo de preparar muita coisa nesse sentido. Portanto, crio aqui uma lista dos filmes indicados e pequenos comentários válidos sobre eles, e trata-se de uma das melhores seleções da academia em muitos anos. A premiação será entregue neste domingo, com a cerimônia apresentada por James Franco e Anne Hathaway.

Abaixo, uma listagem dos filmes indicados a todas as categorias, menos os documentários, estrengeiros e curtas-metragens (por pura falta de tempo, uma pena, é verdade... mas recomendo a reportagem do cinemaemcena.com sobre essas categorias). Acompanhado dos títulos, comentários acerca das repercussões dos filmes e indicações na mídia, crítica e público.

A REDE SOCIAL

 Indicado a: 

MELHOR FILME, DIRETOR, ATOR (Jesse Eisenberg), ROTEIRO ADAPTADO, EDIÇÃO, TRILHA MUSICAL, FOTOGRAFIA e MIXAGEM DE SOM.

Favorito a: 

DIRETOR, ROTEIRO ADAPTADO, MONTAGEM E TRILHA

O maior vencedor de prêmios da temporada já está definido, e trata-se da impressionante saga da criação do facebook. Vem sendo chamado de “filme que define uma geração”. O virtuosismo do diretor David Fincher (de Clube da Luta e Benjamin Button) se mostra em cada cena que constrói o embate entre o protagonista Mark Zuckerberg e o mundo a sua volta, equilibrando a impressionante trilha sonora de Trent Reznor (do Nine Inch Nails), o roteiro esperto e não linear de Aron Sorkin, o ritmo da montagem do filme e a sutil atuação do jovem Jesse Eisenberg (Zumbilândia) colocam “A Rede Social” no hall dos grandes filmes da década que se passou, e porque não, do cinema em geral.  No entanto, o tradicionalismo da academia faz com que o favorito ao prêmio máximo não seja a obra prima contemporânea de David Fincher, mas o tradicional O Discurso do Rei.  Inúmeros cinéfilos e críticos já comparam o Oscar 2011 com o Oscar de 1941, no qual o revolucionário Cidadão Kane foi derrotado por Como era verde meu Vale, filme que por maiores que sejam as suas qualidades, é lembrado sempre como “aquele filme que venceu Kane”. 

O DISCURSO DO REI

Indicado a: 

MELHOR FILME, DIRETOR, ATOR (Colin Firth), ATOR COADJUVANTE (Geoffrey Rush), ATRIZ COADJUVANTE (Helena Bonhan Carter), ROTEIRO ORIGINAL, EDIÇÃO, TRILHA MUSICAL, FOTOGRAFIA, FIGURINO, MIXAGEM DE SOM, DIREÇÃO DE ARTE.

Favorito a: 

FILME, ATOR, ROTEIRO ORIGINAL

A história do inseguro rei George VI e do especialista que lhe ajuda a resolver o problema tem tudo aquilo que a academia preza: uma história de superação, uma reconstituição histórica excelente, atuações magistrais e redenções recompensadoras. Colin Firth em um trabalho impressionante ao construir a insegurança de George ao falar. Geoffrey Rush equilibra com a segurança de um profissional fora do comum, mas de extrema eficiência, e sem deixar de ser o homem de família que é. Helena Bonham Carter fora dos papéis bizarros que ocupa nos filmes do marido Tim Burton ou nos filmes da saga Harry Potter. Realmente, um ótimo filme. Mas o melhor do ano, frente aos poderosos concorrentes que tem? Bom, trata-se do favorito pelo apelo que tem frente à academia, mas é claro que o merecimento é sempre discutível.

CISNE NEGRO 

Indicado a:

MELHOR FILME, DIRETOR, ATRIZ (Natalie Portman), FOTOGRAFIA E EDIÇÃO

Favorito a:

ATRIZ

“Cisne Negro” é um dos filmes mais comentados e um dos mais populares dos últimos tempos. O terror psicológico e introspectivo do diretor Darren Aronofsky conta a história da bailarina perfeccionista que precisa encontrar seu lado intenso e descontrolado para encarnar o papel principal da nova montagem do clássico de Tchaikovsky, O Lago dos Cisnes. No processo, delírios, desejos reprimidos e obsessões a colocam numa complexa luta consigo mesma. O filme tornou-se popular ao criar uma tensão que muitos julgaram comparável a O Bebê de Rosemary, ao mostrar o ballet de maneira mais visceral do que havia sido mostrado até agora, e principalmente pela impressionante performance de Natalie Portman, que já havia mostrado seu talento em O Profissional, Closer – Perto Demais e V de Vingança, agora consolida-se como uma das, senão a maior atriz de sua geração em Hollywood. 

O VENCEDOR

Indicado a

MELHOR FILME, DIRETOR, ATOR COADJUVANTE (Christian Bale), ATRIZ COADJUVANTE (Melissa Leo, Amy Adams), ROTEIRO ORIGINAL, EDIÇÃO

Favorito a

ATOR COADJUVANTE, ATRIZ COADJUVANTE (Melissa Leo)

“O Vencedor” é um filme que, à primeira vista, parece um filme como tantos outros já feitos. O lutador, seu treinador, sua família disfuncional, a namorada que o apóia e a grande luta que chega. Um tema mais que batido, mas que o diretor David O. Russell explora de maneira belíssima no filme, com um roteiro que constrói personagens críveis, e não por isso, menos problemáticos, como é o caso dos personagens de Christian Bale e Melissa Leo, que entregam performances impressionantes que os elevam ao posto de favoritos aos prêmios de coadjuvantes. Amy Adams (Encantada), já indicada duas vezes ao Oscar, também está espetacular no papel. Mark Wahlberg, embora não chame a atenção, faz seu personagem segurar as pontas para que tudo não desabe no meio do desespero que o cerca. Para O. Russell em “O Vencedor” o que mais importa são os personagens e as relações entre eles, e não qualquer artifício emocional de roteiro.

A ORIGEM

Indicado a

MELHOR FILME, ROTEIRO ORIGINAL, TRILHA MUSICAL, EFEITOS VISUAIS, EDIÇÃO DE SOM, MIXAGEM DE SOM

Favorito a:

EFEITOS VISUAIS, EDIÇÃO DE SOM, MIXAGEM DE SOM

Um dos filmes mais comentados de 2010 foi indiscutivelmente Inception - A Origem. Realidade Ou Sonho? O pião cai ou não? Se o filme conseguiu gerar esse tipo de discussão em grande parte das rodas de discussão, é por que atingiu seu objetivo. Christopher Nolan, depois do clássico contemporâneo que tornou-se Batman - The Dark Knight, conseguiu carta branca da Warner para explorar seu roteiro original, um filme de assalto a banco (ou o contrário?) no subconsciente. Juntou um elenco estrelar encabeçado por Leonardo diCaprio e Marion Cotillard, uma equipe técnica invejável e construiu o universo que pretendia. Tornou-se um gigantesco sucesso de público e crítica, sem apelar para 3D ou algo que o valha. É claro que sempre há aqueles que não embarcam na proposta e criticaram o racionalismo excessivo, as fórmulas de roteiro, a falta de envolvimento emocional ou artificialidade. Isso torna um possível prêmio de roteiro original um tanto discutível, mas tem a minha torcida, uma vez que esses "defeitos" me parecem atalhos eficientes que Nolan toma para conduzir a TRAMA mais do que os personagens. Os aspectos técnicos, no entanto, são indiscutíveis. Uma direção de arte maravilhosa e original, efeitos visuais espetaculares, um trabalho de som excelente e uma das melhores trilhas musicais da carreira de Hans Zimmer. 

 

TOY STORY 3

Indicado a

MELHOR FILME, ROTEIRO ADAPTADO, EDIÇÃO DE SOM, CANÇÃO, MELHOR ANIMAÇÃO

Favorito a:

ANIMAÇÃO, CANÇÃO (?)

Toy Story 3, lançado onze anos após o primeiro filme, emocionou milhões de espectadores no mundo inteiro, tornando-se o primeiro filme inteiramente animado a ultrapassar a marca do 1 bilhão de dólares. Andy, já crescido e a caminho da faculdade, decidindo qual rumo dar aos seus brinquedos. O sótão é o destino escolhido, mas por alguns erros a turma composta por Woody, Buzz, Jessie, Sr. e Sra Cabeça de Batata, Rex, Slinky, Ham e outros, acaba indo para a creche Sunnyside. A emoção fica por conta das relações de amizade, tanto entre os brinquedos, como em relação ao Andy.  Em um mundo de objetos cada vez mais descartáveis e crianças cada vez mais insatisfeitas, Andy preocupa-se em deixar seus antigos brinquedos bem cuidados e nas mãos de alguém que confie, em uma das cenas mais lindas do ano. Não, Toy Story 3 não está indicado apenas como figuração ou pela responsabilidade de indicar uma animação. Ele está entre as 10 por que merece. E muito. Toy Story, além das indicações comuns para a PIXAR (roteiro, edição de som, animação), também concorre em 'canção', tido como um dos favoritos, com "We Belong Together", de Randy Newman.

BRAVURA INDÔMITA

Indicado a

MELHOR FILME, DIRETOR, ATOR (Jeff Bridges), ATRIZ COADJUVANTE (Hailee Steinfeld), ROTEIRO ADAPTADO, FIGURINO, DIREÇÃO DE ARTE, EDIÇÃO DE SOM, MIXAGEM DE SOM, FOTOGRAFIA

Favorito a:

FOTOGRAFIA

O novo filme dos Irmãos Coen (Onde os Fracos não tem Vez) recria o faroeste de 1969 com o mesmo nome, baseado no livro de Charles Portus. No lugar de John Wayne, os Coen colocam seu conhecido Jeff Bridges (premiado com o oscar ano passado por Coração Louco) como o federal Rooster Cogburn, que ajuda a jovem Mattie Ross, menina de 14 anos disposta a ir atrás do asssassino de seu pai para vingá-lo. Interpretando a menina, Hailee Steinfeld entrega uma atuação bastante elogiada, mas que encontra-se na categoria "errada" da premiação, uma vez que está indicada a coadjuvante (para ter mais chances) mesmo sendo a protagonista da história. Um dos filmes com maior numero de indicações, mas que corre o risco de sair com as mãos abanando, ainda que conte com a fabulosa fotografia do nunca premiado Roger Deakins, uma direção de arte e figurinos lindíssimos e um excelente trabalho de som. A trilha musical também é belíssima, ao respeitar o gênero e ilustrar o ponto de vista pueril de Mattie, mas sem jamais perder a dramaticidade, mas a música de Carter Burwell foi desclassificada por contar demais com temas não originais. Quem também ficou de fora foi Matt Damon, que fez um interessantíssimo trabalho de voz ao encarnar o prepotente LaBoeuf, um texas ranger que ajuda Mattie e Rooster na caçada. 

MINHAS MÃES E MEU PAI

Indicado a

MELHOR FILME, ROTEIRO ORIGINAL, ATRIZ (Annette Benning), ATOR COADJUVANTE (Mark Ruffallo)

Junto com Inverno da Alma, o “menor” dentre os filmes colocados no sentido de produção e popularidade. Há quem duvide do merecimento do filme, que nada mais é do que um drama familiar. É bacana ver a academia contemplando um filme que contém homossexualismo, mas sem necessariamente tratar o tema como uma “questão social”, e sim com o mais puro naturalismo, na história sobre o casal de mulheres, cujos filhos adotivos vão atrás do pai biológico. Excelentes atuações dos cinco atores do filme – Annette Benning, Julianne Moore, Mark Ruffallo, Mia Wasicowska e Josh Hutcherson – e muitos vêem em Benning a única que pode arrancar o oscar das mãos de Natalie Portman.

127 HORAS

Indicado a

MELHOR FILME, ROTEIRO ADAPTADO, ATOR, MONTAGEM, CANÇÃO (If I Rise), TRILHA MUSICAL

Favorito a:

CANÇÃO (?)

Danny Boyle, depois de Quem quer ser um Milionário, volta com mais um energético e otimista exercício de estilo. Boyle e suas manias visuais ficaram de fora do prêmio de direção, mas entrou pelo dinâmico roteiro , que embora conte a parada história de Aron Ralston (rapaz que ficou preso cinco dias em um canyon em Utah), utiliza de lembranças, delírios e outros recursos para dinamizar e brincar com os sentidos do espectador. James Franco, em uma fase reveladora de sua carreira, mostra do que é capaz ao lidar com a dor e a clausura do personagem. A montagem e a trilha musical de A. R. Rahman, inseparáveis no filme, também foram lembradas pela academia, assim como a lindíssima canção If I Rise. 

INVERNO DA ALMA

Indicado a

MELHOR FILME, ROTEIRO ADAPTADO, ATRIZ, ATOR

“Inverno da Alma” é o menos popular dentre os indicados a melhor filme, o que não o reduz de maneira alguma. Trata-se de um suspense com elementos noir, em meio a um cenário country, que conta a história de Ree (Jennifer Lawrence, indicada ao oscar), uma garota querendo descobrir o que aconteceu com seu pai, um traficante de drogas.  Um filme policial introspectivo e um tanto deprimente, mas com um clima extremamente tenso. O destaque do filme é, com certeza, John Hawkes que encarna o ameaçador tio da moça, também indicado. 

ATRAÇÃO PERIGOSA

Indicado a

MELHOR ATOR COADJUVANTE (Jeremy Renner)

Ben Affleck, há pouco tempo atrás, se tornou quase uma piada em Hollywood, com seu relacionamento com Jennifer sendo alvo de tablóides, e sua péssima escolha de filmes durante um tempo. Mas como Mickey Rourke e Robert Downey Jr. provaram, Hollywood permite sim segundas chances. E Ben Affleck mostrou sua faceta como diretor no excelente Medo da Verdade, e agora mostra de novo no muito bem conduzido thriller de assalto a banco Atração Perigosa. Ben Affleck, o roteiro adaptado e a edição ficaram de fora, bem como o filme. No entanto, o ator Jeremy Renner (indicado ano passado por Guerra ao Terror e substituto de Ethan Hunt em MI:IV), entregou neste a melhor atuação de sua carreira, e a academia não deixou de lembrá-lo. 

COMO TREINAR SEU DRAGÃO

Indicado a

MELHOR ANIMAÇÃO, MELHOR TRILHA SONORA

A Dreamworks Animation realizou em 2010 aquele que é um de seus melhores e mais completos filmes de sua carreira. Depois que o primeiro Shrek venceu Monstros SA, a Dreamworks nunca chegou tão perto de vencer um oscar quanto agora. Tão perto, mas tão longe, uma vez que concorre com o indicado a melhor filme Toy Story 3. A história de Soluço e Banguela comoveu o público e a crítica, com um humor mais contido e certa sensibilidade, Como Treinar seu Dragão destoa das produções da Dreamworks, geralmente comédias escrachadas como Madagascar ou Monstros VS Alienígenas. Outro fator a favor de Como Treinar seu Dragão é a trilha musical de John Powell, também indicada ao oscar. Ainda há um “time Como treinar seu Dragão” que acredite em uma pane no sistema que vai tirar o oscar de Toy Story e dar para o conto de dragões.

O MÁGICO

Indicado a

MELHOR ANIMAÇÃO

Depois de Bicicletas de Belleville perder para Procurando Nemo, o animador Sylvain Chomet cria uma nova poesia visual, que novamente não se vale de diálogos para contar sua história. Aqui, se une ao cineasta Jacques Tati para contar a história de um ilusionista fracassado, por meio de imagens repletas de lirismo e significados. Uma pena que esse também concorre com Toy Story 3.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Indicado a

MELHOR FIGURINO, DIREÇÃO DE ARTE, EFEITOS VISUAIS

Favorito a:

MELHOR FIGURINO

Disney, Tim Burton e Johnny Depp juntaram-se para fazer um bilhão de dólares. E apenas para isso, pelo visto. “Alice” foi um filme extremamente criticado pelo roteiro formulaico, o marketing excessivo e pela falta de coragem de fazer algo com o mínimo de personalidade. Tim Burton chamou o time de sempre, Danny Elfman reciclou as trilhas compostas para Fantástica Fábrica de Chocolate, tivemos que agüentar a canção de Avril Lavigne acompanhando o filme, Johnny Depp cheio de trejeitos e vícios adquiridos com um certo pirata. O filme tem suas qualidades. Helena Bonham Carter e a menina Mia Wasicowska estão ótimas. O figurino, a direção de arte e os efeitos visuais estão realmente muito bonitos e criativos, é verdade. Mas a mercenária e fraca conversão para 3D põe o visual todo a perder. E sobra o que? Um bilhão de dólares.

 

 

HARRY POTTER & AS RELÍQUIAS DA MORTE parte I

Indicado a

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE, EFEITOS VISUAIS

A saga de Harry Potter permanece não só infalível (ok, Cálice de Fogo é abaixo da média dos outros), como com capítulos cada vez mais refinados técnica e artisticamente. A primeira parte do capítulo final traz sutilezas e um apreço visual que estariam longe da maneira como começou, com Chris Columbus. A trilha musical de Alexandre Desplat utiliza notas do famoso tema de John Williams com um preciosismo lindíssimo, e assim como Escritor Fantasma, traz um trabalho de Desplat superior àquele pelo qual foi indicado (Discurso do Rei). A direção de arte, a fotografia e os efeitos continuam com o deslumbre de Enigma do Príncipe. O roteiro também mostrou-se eficiente na maneira como dividiu o livro em duas partes, na construção da tensão e na maneira como explora as relações entre Harry, Ron e Hermione, trio que veremos apenas mais uma vez no cinema.

ENROLADOS

Indicado a

CANÇÃO (I see the Light)

A Disney retomou sua linha de princesas ano retrasado com A Princesa e o Sapo¸ e dá continuidade com o 3D Enrolados, que brinca com a história da Rapunzel num longo bastante contemporâneo e divertidíssimo, ainda que falho em alguns sentidos e um pouco sem personalidade. Parte da decepção fica por conta das canções compostas pelo talentosíssimo Alan Menken. Seu único acerto dentre as canções do filme foi contemplado com a indicação ao oscar, e trata-se de “I See the Light” interpretada por Mandy Moore.  A cena na qual a música é cantada é uma das mais lindas do ano, quando vemos um espetáculo de lampiões voando, refletidos no rio como se fossem estrelas. 

TRON: O LEGADO

Indicado a

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Poucos elogiaram o roteiro de Tron:O Legado, assim como poucos elogiam o roteiro do Tron original, ambos os roteiros confusos, com diálogos forçados e didáticos. Mas o trabalho com nostalgia deste novo Tron é tão apaixonado, e mostra essa paixão desde as primeiras cenas, em homenagens e referências, que só nos leva a lamentar a não indicação do filme em outros prêmios que tanto merecia. O design de produção digital e geométrico do filme deveriam ter lhe conseguido uma indicação à direção de arte. Os efeitos visuais em 3D que brincam com a profundidade de campo imergem o espectador de tal maneira, que nada explica a indicação de um filme como Além da Vida no lugar de Tron: O Legado. E só o preconceito explica a ausência do Daft Punk e suas empolgantes faixas dos cinco finalistas de trilha musical. 

INCONTROLÁVEL

Indicado a

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Tony Scott (Top Gun, Chamas da Vingança) não via um filme seu ser elogiado há tanto tempo que muitos acreditavam que ele ia manter-se em filmes genéricos medianos até o fim de sua carreira. No entanto, com Denzel Washington, Chris Pine e um trem desgovernado, Scott fez um filme-pipoca de homem X máquina (inanimada, por favor), como não se fazia há um bom tempo. Aliás, um trem desenfreado é o passatempo ideal para um editor de som brincar durante muito tempo, e não é à toa a indicação para o filme, uma vez que o trabalho de som é realmente espetacular.  

SALT

Indicado a

MELHOR MIXAGEM DE SOM

A nova heroína de Angelina Jolie deixou pra trás filmes como Percy Jackson, Último Mestre do Ar, Encontro Explosivo, Aprendiz de Feiticeiro e Príncipe da Pérsia (tidos como sucessos garantidos e fracassaram), se tornando a única tentativa de criar uma nova franquia que realmente deu certo nas bilheterias, embora se trate de um filme meio deslocado no tempo ao ressuscitar a rivalidade russo-americana nos tempos atuais. Angelina Jolie fez o filme praticamente sem dublês e sem efeitos digitais. Uma seqüência, ao que tudo indica, está sendo encaminhada, e espera-se que caso isso aconteça, que construam um pouco melhor o personagem, já que embora seu nome estampe o título do filme, parece ser o que menos importa em meio às cenas de ação bem coreografadas.

ALÉM DA VIDA

Indicado a

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Clint Eastwood parece ser sempre uma aposta certa para o Oscar, mas nos últimos anos, vêm apresentando alguns filmes bastante discutíveis, como A Troca, Invicto e este Além da Vida. Eastwood arrisca-se no complicado tema do espiritismo, nas tramas paralelas de seu filme, com Matt Damon como um médium, um pequeno garoto que perdeu seu irmão gêmeo e uma apresentadora francesa que teve uma experiência de quase morte. A indicação de “Além da Vida” para efeitos visuais deve-se exclusivamente à cena inicial, que remonta o incidente dos tsunamis com muita eficiência. Mas muitos concordam que a vaga deveria ter ido para outros longas de maior destaque nesse sentido, como Tron: O Legado, Scott Pilgrim contra o Mundo, A Rede Social (que duplicou o ator Armie Hammer de maneira mais do que perfeita para construir os gêmeos Winklevoos) ou Cisne Negro (de efeitos digitais discretos, mas eficientes e extremamente orgânicos). 

HOMEM DE FERRO 2

Indicado a

MELHORES EFEITOS VISUAIS

É de senso comum que a segunda aventura nos cinemas de Tony Stark é inferior a primeira. No entanto, ainda se manteve como enorme sucesso de bilheteria consolidou o herói no cinema e garantiu mais um filme do personagem. Se a qualidade do filme em geral baixou um pouco em relação ao primeiro, o mesmo não se pode dizer da técnica nos efeitos digitais, que foram ainda mais elogiados ao conceber, por exemplo, uma impressionante briga entre o Homem de Ferro e seu amigo Máquina de Combate.

O LOBISOMEM

Indicado a

MELHOR MAQUIAGEM

Favorito a

MELHOR MAQUIAGEM

“O Lobisomem”, de Joe Johnston, passou por inúmeros atrasos até chegar aos cinemas em fevereiro do ano passado.O filme teve seu roteiro altamente criticado e atuações abaixo da média de gente do porte de Benicio del Toro e Anthony Hopkins. No entanto, a técnica de Rick Baker como criador de monstros é tão impressionante que o filme manteve-se forte nessa categoria durante todo esse tempo. O maquiador Rick Baker já venceu pelos monstros concebidos para O Grinch, MIB, O Professor Aloprado, Um Hóspede do Barulho e Um Lobisomem Americano em Londres.

 

INDICADOS INÉDITOS NO BRASIL

 

No disputado oscar de melhor atriz, temos duas que os brasileiros ainda não tiveram oportunidade de ver. Temos Nicole Kidman como a mãe que lida com a morte do filho no drama familiar RABBIT HOLE – REENCONTRANDO A FELICIDADE. Michelle Williams foi indicada e seu parceiro de cena Ryan Gosling não, pelo “anti romance” BLUE VALENTINE – NAMORADOS PARA SEMPRE. Entre as atrizes coadjuvantes, a desconhecida, porém elogiada, Jacki Weaver foi lembrada pelo policial REINO ANIMAL. O aclamado diretor Mike Leigh conseguiu mais uma indicação a roteiro original, com o seu drama UM ANO A MAIS. As roupas históricas do elogiadíssimo I AM LOVE e da criticadíssima fantasia shakespeariana A TEMPESTADE (de Julie Taymor) correm por fora na disputa pelo melhor figurino. E na categoria mais a parte da disputa do ano, a de melhor maquiagem, temos o romance MINHA VERSÃO PARA O AMOR que envelheceu Paul Giamatti, e o drama de guerra de Peter Weir, CAMINHO DA LIBERDADE

OS ESQUECIDOS PELA ACADEMIA

O numero de "esquecimentos" da academia na seleção desse ano foi bastante menos significante em relação a outros anos, é evidente que filmes como BLUE VALENTINE, CAMINHOS DA LIBERDADE e UM ANO A MAIS esperavam ter mais reconhecimento, mas foram lembrados em algumas categorias. Há, no entanto, alguns filmes que foram completamente esquecidos (ou pior, ignorados). O que mais chama atenção, é claro, o novo filme de Martin Scorsese A ILHA DO MEDO, thriller de suspense psicológico com Leonardo DiCaprio no papel principal, que sofreu por estrear muito cedo, no início de 2010. O filme , no entanto, merecia lembranças, no mínimo, para DiCaprio, para as lindíssimas fotografias e arte do filme, e para o roteiro adaptado do livro de Dennis Lehane. Outro diretor que sofreu do mesmo mal foi Roman Polanski, ESCRITOR FANTASMA, suspense político extremamente climático com Ewan McGregor e Pierce Brosnan, também estreou cedo, embora tenha sido aclamado em festivais. A prisão domiciliar de Polanski por um caso de estupro há décadas atrás pode ter prejudicado ainda mais o filme, que merecia maiores lembraças. A trilha musical de Alexandre Desplat supera as faixas criadas para DISCURSO DO REI, mas preferiram indicá-lo pelo drama inglês. Saindo da zona de conforto da academia, dois fenômenos nerds valem a pena ser citados, mas ninguém esperava realmente indicações... SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO e KICK ASS - QUEBRANDO TUDO passaram na frente de muito blockbuster esse ano. "Kick Ass" inova ao brincar com super heróis sem poderes, a super violenta menininha HIT GIRL, Nicolas Cage em um raro bom momento de sua carreira, e trocadilhos nerds para dar e vender. Mas o liquidificador pop do ano foi realmente "Scott Pilgrim". O conceito visual da história do garoto que tem que lutar contra os sete ex namorados super poderosos da garota de seus sonhos, é originalíssimo e arrisco dizer, de vanguarda, ao introduzir interessantes conceitos de ritmo e edição, uma direção de arte baseado em referências de quadrinhos e videogames, e nostálgicos efeitos visuais. Por fim, outro que acho que deveria ser lembrado, não pelos méritos do filme, que é mediano, mas suas atuações, é O GAROTO DE LIVERPOOL, Aaron Johnson (o Kick Ass) criou um John Lennon extremamente convincente e complexo mesmo sem poder se valer de semelhança física nenhuma. Anne Marie-Duff um pouco exagerada como a famosa Julia, mãe de Lennon, mas o show mesmo é de Kristin Scott Thomas, essa sim, talvez (ênfase no talvez) merecesse não só ser lembrada como premiada em "Atriz Coajuvante" na sua construção de Mimi, tia controladora de Lennon.

 

Comentários

imagem de Jose Leopoldo Dexheimer

Enviado por Jose Leopoldo D... (não verificado) em sab, 02/26/2011 - 18:51

Gio, após ler os comentários sobre o Oscar, já me sinto em condições de assistir à Premiação com mais espirito crítico e melhor entendimento sobre porque alguns filmes foram esquecidos.Por exemplo gostei muito do Escritor Fantasma.Acho que a luta pela escolha dos coadjuvantes vai ser muito empolgante:The King`s SpeechXThe Fighter.Um abração dos avós que acompanham pari passo a tua carreira!

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