VIRTUAL X REAL - Uma defesa das locadoras.

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Enviado por Giordano em qui, 11/03/2011 - 02:34

respondi isso numa entrevista para um trabalho do Rafael, estudante de jornalismo:

A grande questão aí é a dicotomia entre o real e o virtual. Com o virtual, não se tem contato realmente direto com nada. Se eu vou numa locadora, eu posso dizer que tenho um filme nas minhas mãos, enquanto a internet não possibilita isso. E eu pelo menos acredito que a relação fica muito mais distante. Perde-se a essência. Sou muito materialista, por que eu acho que o imaterial se manifesta no que é material, sabe? Um pouco metafísico isso, mas é verdade. O virtual é só uma representação, e isso me incomoda. É por isso que eu continuo indo a locadora. Eu gosto de ir lá, ficar horas tateando os filmes, e sair com eles em mãos. É outra experiência. Assim, eu to me relacionando com o objeto filme. 

E outra, a virtualidade dá uma ideia de possibilidades infinitas, ou seja, caos. Se a pessoa ta vivendo no caos e não percebe (como os milhões de usuários do facebook), ok, ela ta confortável. Se ela para um pouco, pensa e se dá conta do caos, é uma sensação assustadora. Numa locadora, as coisas tão em ordem, por que são físicas. A pessoa se sente realmente confortável, não virtualmente confortável. 

Outra, bem direta, odeio ver filme num monitor de pc. Além de ser menor, menos impactante, tem muitas distrações. A pessoa ta vendo um filme, ouve o som do bate papo do facebook, por exemplo.Ta, eu sei que tem a possibilidade de ver um filme baixado na TV e que tem monitores bons e grandes. Mas... sabe? Tem muito mais coisa aí, não só a qualidade da exibição. Tem o ato de pegar a caixinha do DVD, abri-la, colocar o dvd na bandeja, apertar o eject do player. É tudo muito significativo. Eu adoro o botão eject. Quando tu aperta esse botão, o dvd (que geralmente tem a estetica do filme impressa nele) é inserido num aparelho que "acorda" um mundo. 

Por isso uma locadora é algo tão lindo. São milhares de mundos em prateleiras esperando pra ser acordados pela tecla eject. A virtualidade não possibilita isso. Não adianta, não é a mesma coisa, não importa o que digam. 

isso pra não falar do óbvio: o ato de baixar filmes fere a economia do mercado cinematográfico. Acho absurdo quem defende a morte dos direitos autorais com algum embargo socio-filosófico. Bullshit. Preguiça e avareza não são pecados capitais sem nenhum motivo. Preguiça de sair de casa, e avareza de não querer gastar para assistir um filme. Prejudica o espectador, que tem a ilusão de ter tido a experiência completa, e prejudica o mercado que possibilita essas experiências a milhares de pessoas.

Não acho que isso que eu to falando vá surtir algum efeito em alguém. Só senti vontade de compartilhar isso, já que tornou-se piada recorrente o fato de eu não baixar filmes, como se fosse por motivos fúteis, enquanto acredito que a futilidade esteja em quem faz. 

O argumento que me parece mais coerente é de quem se indigna com as distribuidoras brasileiras, que tem dificuldade em lançar filmes aqui. E quando passam-se anos sem a obra ser lançada aqui, realmente, é a única maneira de assistir aos filmes. (que é o caso nos quais eu baixei filmes). Mas as pessoas tem que entender que é ciclico, mais pessoas baixam, menos pessoas no cinema e na locadora, menos estimulo para as distribuidoras lançarem certos filmes aqui. 

E se as locadoras vão se sustentar? Acho economicamente quase impossível. Não vão desaparecer totalmente por que é um espaço fascinante. Algumas vão se sustentar sim. Lojas de vinil existem ainda. Vão virar um clube nostálgico para pessoas mais materialistas como eu. Vai virar algo de nicho. Sorte daqueles que ainda resistirem e permanecerem nesse nicho. Vão gastar assistindo a um filme que poderiam assistir de graça? Claro que sim. Mas vão gastar por uma experiência muito mais significativa que apertar o play num media player ou no youtube no meio do caos de imagens do mundo virtual.

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