Ah... O Amor!

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Enviado por Luciana em dom, 04/17/2011 - 17:03

 

Dirigido e roteirizado por Fausto Brizzi (o roteiro conta ainda com Massimiliano Bruno e Marco Martani), Ah... O Amor! começa exatamente onde a maioria das comédias românticas normalmente terminam: casais felizes se beijando, fazendo juras de amor eterno, visitando vários locais do mundo, etc, etc. Mas aos poucos vamos entrando do dia-a-dia dessas pessoas, e percebendo que no cotidiano a visão é outra: brigas, divórcios, pessoas que não reconhecem seus erros por serem orgulhosas, e isso acaba, e muito, por atrapalhar qualquer relacionamento. E aqui não seria diferente. Utilizando-se de histórias similares às mostradas em Idas e Vindas do Amor e Simplesmente amor, o filme nos traz algumas situações entre o período Natalino e o Valentine Day´s (14 de fevereiro, dia dos namorados na maior parte do mundo, incluindo Itália, país onde se passa o filme).
 
Um juiz que cuida de um processo de divórcio, mas ele próprio está passando por uma crise conjugal; o professor de psicologia metido a galanteador, mas que na verdade sofre pela perda da ex-mulher; a amiga da esposa do juiz que está com casamento marcado e descobre que o padre da paróquia é seu ex-namorado, por quem ela ainda nutre algum sentimento; um jovem casal que sofre com as agruras de um relacionamento à distância, entre outros.
 
Infelizmente o filme peca por em diversos momentos de seu primeiro ato, insistir na repetição de frases que sempre venham a fazer menção ao título original do filme (Ex). Ora, nesse ponto fica nítido que a obra não acredita o suficiente na inteligência do expectador, sempre deixando claro que em várias cenas não está sendo falado apenas de um amor antigo, de uma desavença amorosa do passado, mas sim uma lembrança de “veja bem, o título original é esse!”. Sempre encontramos personagens falando: “o meu ex foi em tal local”; “Sim, estou saindo com sua ex”; “a minha ex tem esse toque no telefone”. Coisas desse tipo que acabam por entediar quem está assistindo.
 
O diretor Fausto Brizzi sempre que pode, deixa claro algumas boas referências à cultura pop, em especial ao cinema. Isso fica claro quando observamos o casal que está prestes a pedir divórcio, e os filhos falam sobre o que gostariam de ver: “La Boheme, de Puccini.” Após o casal de crianças descreverem do que se trata a clássica ópera, o pai diz: “eles não são meus filhos, são filhos de Nano Moretti” (cineasta italiano notório por seus filmes com crítica social ou temas dolorosos, dramáticos). Mas, ainda assim as mais nítidas referências ao cinema se mostram evidentes no casal Giulia (Cristiana Capotondi) e Marc (Malik Zidi), que estão se afastando pelo trabalho da garota. Enquanto ela terá que morar na nova Zelândia, a terra em que foi filmado O Senhor dos Anéis, na Terra- Média (e a câmera mostra bastante a geografia do local, relembrando ainda mais a obra máxima de Peter Jackson. Aliás, vale ressaltar que a fotografia de Marcello Montarsi se mostra impecável), o namorado segue morando em Paris, em frente ao famoso bordel que dá nome ao excelente filme de Bazz Lhurmann, Moulin Rouge.
 
A trilha sonora me pareceu bastante instável, pois ora acerta em cheio quando o clima é de pura descontração e alegria (em especial em um momento da balada noturna e o pessoal empolgado dançando Sex Bomb, de Tom Jones), ora se enfraquece ao ressaltar mais os momentos de dor e tristeza (exemplo disso é o falecimento de uma personagem com pequena relevância na trama, e que quando da mãe falando no funeral - a cena já suficientemente dramática, tensa e, dolorosa - com a trilha sonora ao fundo apenas soa como um recurso bastante artificial, onde o silêncio se faria mais adequado naquela cena).
 
Dentre as várias histórias que acompanhamos durante o filme, Fausto Brizzi opta por dar mais destaque a uma ou outra, o que entendo como um recurso bastante interessante. Caso optasse por dissecar cada uma delas, o filme provavelmente se tornaria longo e entediante. E como não poderia deixar de ser, em Ah... O Amor!  temos aquele personagem excêntrico, que age de forma estranha e que consegue arrancar risos do espectador até mesmo em cenas mais tensas. Neste caso, o posto é ocupado pelo juiz, interpretado de forma bastante convincente por Silvio Orlando.
 
Tendo em seu terceiro ato algumas soluções bastante óbvias, o filme se ousasse um pouco mais, poderia ser uma obra razoável em meio ao gênero de comédia romântica com histórias cruzadas. Mas, da forma como ficou, é um filme bem superior ao fraquíssimo Idas e Vindas do Amor, mas bastante longe da graça e do brilho que transmite o filme inglês Simplesmente Amor.
 
OBS: meus agradecimentos mais do que obrigatórios ao Maza, que auxiliou em toda a crítica, desde as referências, como na trilha sonora e outros pontos... Uma crítica que foi postada por mim, mas poderia normalmente estar como ele o autor, pois colaborou e muito para que ela fosse colocada no ar.

Poltronas 

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