Amores Imaginários

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Enviado por Luciana em seg, 12/05/2011 - 14:54

O nome de Xavier Dolan deve ser lembrado como o do jovem que dirigiu (e também roteirizou e atuou) Eu Matei Minha Mãe (2009), seu primeiro longa. E, além disso, por ter dirigido (e claro, também escrito e atuado) Amores Imaginários, seu mais recente filme, que apesar de ter sido lançado e ter levado o prêmio Olhares Jovens em Cannes em 2010, chegou somente agora em 2011 no circuito brasileiro.

Grandes amigos, Marie (Monia Chokri) e Francis (Xavier Dolan) têm suas vidas e sua relação balançadas ao conhecerem o inteligente e sedutor Nicolas (Niels Schneider). Nicolas é um rapaz recém chegado à cidade, é bonito e simpático e, em um primeiro momento, sente-se à vontade sendo o centro das atenções. 
 
 
Depois desse primeiro encontro Francis e Marie ficam visivelmente abalados emocionalmente. E, na iminência de um novo encontro, ambos se esmeram ao máximo para ficarem à altura do rapaz. Nesse ponto, o acertado uso da câmera lenta, acompanhado da canção Bang, Bang, aqui interpretada na versão italiana pela cantora Dalida (é necessário falar sobre a canção de Nancy Sinatra: se em Kill Bill ela vai direto ao ponto, fazendo o paralelo logo após “A Noiva" ter levado um tiro na cabeça, aqui a canção funciona igualmente bem, exibindo toda a sensualidade e o ar provocante de seus personagens, seja através de um olhar, de lábios vermelhos, de roupas de “época” ou de um cabelo em forma de topete), e ainda aliados à fotografia intensa, de cores fortes de Stephanie Weber-Biron (peculiar a tonalidade das cores nos momentos em que observamos as conversas em alguns relacionamentos, a fotografia alterna entre tons vermelhos, verdes e amarelados), tornam o momento um dos pontos máximos do filme. Aliás, esse recurso da câmera lenta é utilizado com excelência por Xavier Dolan.
 
Aos poucos vamos percebendo a mudança estrutural dos personagens, que vão se moldando aos desejos de Nicolas. Marie encarna uma sedutora Audrey Hepburn, enquanto Francis, tenta fazer as vezes de Marlon Brando. Há uma reconstrução dos personagens, algo extremamente bem elaborado.
 
 
Breves pausas na história são realizadas pela inserção de depoimentos, relatos de pessoas que em algum momento já tenham passado por alguma desilusão amorosa, ou algo do tipo. Talvez, um dos únicos tropeços do roteiro seja o excesso dessas pausas, que em dado momento acabam por "quebrar a narrativa". Vale ressaltar que esses depoimentos são apresentados meio que de forma documental e até para ressaltar isso talvez o diretor tenha utilizado diversos planos nesses depoimentos, tais como plano geral, americano e próximo.
 
Enquanto Eu Matei Minha Mãe priorizava os conflitos entre mãe e filho, aqui, Amores Imaginários aborda com elegância os dissabores de um triângulo amoroso.
 
 
E, mais uma vez a câmera de Dolan é eficiente ao apresentar determinado personagem na condição em que se encontra em relação ao outro, como por exemplo, em determinada cena, a câmera venha a mostrar Francis em posição de inferioridade em relação ao seu interlocutor.
 
 
Como se não bastassem todos os acertos do roteiro, direção e as excelentes atuações, ainda temos um plano final que por si já valeria, em significado e riqueza de detalhes, por quase que o filme todo. Xavier Dolan é um nome altamente promissor, esse garoto tem talento. 
 

Poltronas 

5

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