Bananas

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Enviado por Luciana em seg, 06/04/2012 - 10:41

Dono de uma filmografia de fazer inveja a muitos diretores, ele parece ter sido destinado a encantar e a trazer alegria ao público através de seus filmes. É certo que em algum momento até mesmo um gênio como ele – sim, porque ele é um gênio – pode tropeçar em um ou outro filme, mas o contrário é o que normalmente ocorre, e ele costuma nos brindar com uma bela obra a cada lançamento. Ele é o tipo de diretor que quando nos deixar, deixará um enorme legado e é claro, um imenso vazio pela falta que seus filmes irão nos fazer. Estou falando de Woody Allen.

O primeiro filme que vi do diretor – não sei se pelo momento, se pela sessão, ou outro motivo – me deixou extremamente decepcionada. Tanto que levei um bom tempo até criar coragem para assistir a algum filme dele novamente. Felizmente optei pelo fantástico Ponto Final (Match Point, 2005), e corrigi o maior erro que eu já havia cometido que era de tê-lo julgado por um filme que “não me caiu bem naquele momento”. Esse filme foi Igual a Tudo da Vida (Anything Else, 2003), que em algum momento pretendo rever para quem sabe reformular meu conceito a respeito.

Recentemente decidi revisitar a obra do diretor, mas principalmente, corrigir o fato de não ter assistido nem à metade de sua filmografia. É o que me traz aqui a falar sobre o filme a que assisti recentemente, o segundo dirigido e estrelado por Allen: Bananas.

Bananas traz um Woody Allen jovem, de cabelos revoltos e com aquele sorriso maroto no rosto. O filme nos conta a história de Fielding Mellish (Allen), funcionário de uma empresa que fabrica os mais diversos tipos de máquinas e equipamentos, e ele está ali para testar os aparelhos antes de serem colocados a venda, a fim de verificar se são seguros e eficientes em seu propósito. As cenas dos testes rendem boas risadas.

A sequência inicial do longa é no mínimo curiosa, onde um repórter esportivo (?) faz a cobertura do assassinato do presidente da pequena cidade de São Marcos que está sendo tomada pela ditadura.

Mellish, em função de alguns acontecimentos, decide viajar para São Marcos onde acaba se encontrando com o ditador Vargas e nos entregando uma das melhores – talvez a melhor – e mais hilárias cenas do filme, onde seu personagem participa de um jantar com o ditador. Aliás, o humor despreocupado de Bananas é extremamente eficiente, não deixando tempo para o espectador parar de rir de uma cena antes de começar a rir de outra. É uma cena mais engraçada que a outra: um harpista no armário, uma orquestra que finge tocar, um lanche para mais de mil pessoas, etc.

A inspirada trilha sonora de Marvin Hamlisch contribui e muito para o sucesso da obra, mas o roteiro coescrito por Allen, juntamente com Mickey Rose, merece grande parte dos créditos do sucesso do filme, tamanha a sua eficiência. E como não poderia deixar de ser, a interpretação de Allen rouba o filme. Não há como negar isso, por exemplo, ao assisti-lo nessa cena que citei do jantar, ou na cena em que ele é julgado por subversão – pois se envolve com um grupo de rebeldes – e nos entrega um auto interrogatório de chorar de rir. Simplesmente hilário.

Apesar de ser um filme perfeito para Allen mostrar todo seu talento não apenas por trás, mas em frente às câmaras, é com satisfação que observamos que a maioria do elenco está muito bem em cena, contribuindo bastante para andamento da história. E é curioso ver em determinado momento Sylvester Stallone fazendo uma pontinha no filme. É uma participação bastante pequena e rápida.

Bananas é bastante interessante. Começa bem, melhora em seu decorrer e nos entrega um final genial. Woody Allen é um mestre. Isso não tem como negar. E é maravilhoso perceber que ele não para, que praticamente a cada ano nos presenteia com um novo filme, uma nova aventura pelo mundo suas fantásticas ideias. E eu, por minha vez, continuarei a viajar pela sua magnífica filmografia.

Poltronas 

4

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