Batman Eternamente

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Enviado por Rafael em qui, 07/26/2012 - 10:56

 

Batman Eternamente (Batman Forever, 1995) pode ser considerado como uma ponte que liga dois universos: o obscuro, infantil e malicioso que Tim Burton realizou nos seus dois longas à frente do personagem, e o carnaval abestalhado e sem sentido que Joel Schumacher iria fazer em Batman e Robin (Batman and Robin, 1997).   E como uma ponte ele tenta funcionar ligando universos que guardam uma enorme diferença entre si, ainda trazendo um pouco de ambos. Nesta tentativa de estabelecer a identidade e se criar um novo estilo, surge o primeiro longa do Batman de Schumacher, que se preocupa em desenvolver seu protagonista. O que seria algo positivo, caso este mérito não se perdesse em meio a uma história boba e sem sentido, que mais parece um roteiro descartado do seriado dos anos 60.

Se antes Tim Burton focava nos vilões, como eles surgiam e quais eram as suas motivações, Joel Schumacher tenta explorar mais seu protagonista, mas cai no mesmo erro dos anteriores: conectar o herói com os vilões, forçando o desenvolvimento da trama. Ambos os antagonistas surgem de “erros” das duas personalidades do protagonista,  só que ao invés de usá-los  para explorar a dualidade de identidades do herói, Schumacher não trabalha o suficiente com eles. Mesmo que o objetivo de ambos seja a vingança, a ideia é muito mal trabalhada, não tornando suficientemente crível que aquilo os motivaria a arriscar a vida de milhões. Soma-se a isso à fragilidade de desenvolvimento dos personagens, com as atuações extremamente caricatas de Jim Carrey e Tommy Lee Jones, parecendo a todo o momento estarem sofrendo de uma gigantesca hiperatividade. Toda história de Batman Eternamente acaba sem propósito e isso fica especialmente visível a partir do próprio plano dos vilões, soando como algo estúpido, mesmo se fôssemos transportados para os anos 90. O modo como é trabalhado o plot de vilões, criando uma televisão 3D que suga o conhecimento das pessoas, é algo que só faria sentido nos anos 50/60, ainda assim com muito boa fé.

Por outro lado, temos um melhor estudo do personagem titulo que é mais bem explorado e desenvolvido. Ao criar Robin, tendo a tragédia como um ponto comum com o homem-morcego, Schumacher consegue de forma razoável trabalhar a questão existencial “por que o Batman existe e o que o motiva”, e por consequência, explorar a existência do mesmo. Mas ao tentar reforçar ainda mais a dualidade de Bruce Wayne/Batman, o diretor acaba desenvolvendo a trama paralela envolvendo o interesse amoroso do herói, que além de tirar foco da história principal acaba soando forçado e corrido para o próprio personagem. De início nos é vendido a todo o momento que a relação dos dois é algo puramente sexual, sendo mais tarde subitamente transformada em uma paixão do herói, uma mudança que acaba indo de encontro ao o que foi mostrado anteriormente.

Com tantas trama paralelas - o interesse amoroso, a vingança do ajudante e o plano dos dois vilões – e personagens sobressalientes, há um desgaste quanto ao processo de auto descobrimento do personagem título, que acaba perdendo importância na busca de concluir todos os dramas ao mesmo tempo, tudo é feito apressadamente para o final feliz acontecer.

Tentando conceber um novo visual, Schumacher transforma a antes sombria Gotham City em algo alegre e colorido, o que reflete no próprio veículo do herói. Se antes o Batmóvel era preto, sempre protegido para representar a natureza de seu protagonista, o novo veículo é espalhafatoso, representando todo o oposto, indo na contramão com a própria atuação de Val Kilmer, que tenta fugir de momentos que representem este exagero visual. Seguindo a mesma concepção da iluminada Gotham City de Schumacher, todo o cenário e figurino são o mais chamativos possível, seja o covil dos vilões, a armadura e os apetrechos do herói ou o terno do Duas Caras.

Batman Eternamente parece querer ser uma homenagem ao seriado sessentista do herói, mas que não quer assumir o caráter divertido e estranho que a série tinha. Só que ao contrário do seriado que o tempo transformou em algo constrangedor, Batman Eternamente não corre este risco justamente por sozinho já ser bastante constrangedor. Talvez isso não fosse um problema, caso já não soubéssemos o que Joel Schumacher ainda iria fazer com o personagem...

Poltronas 

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