Boy Wonder

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Enviado por Rafael em qui, 07/07/2011 - 00:11

Hollywood sempre cultuou a figura do vingador que vive às margens da lei, atua onde a jurisdição da polícia não alcança e faz o que a justiça não pode com os criminosos.  A lista de filmes que contam com este premissa é longa, sendo grande parte repetitiva e cansativa. Conseguindo se  livrar do lugar comum em que este subgênero tinha se instaurado, Boy Wonder até surpreende por inovar, na medida do possível, mesmo quando bebe demais de outras fontes.

Depois de ver sua mãe ser assassinada em uma suposta tentativa de assalto, Sean (Caleb Steinmeyer) cresce obcecado por vingança.  Ele acaba vivendo como um vigilante, passando o dia como um estudante quieto e dedicado, que tem acesso total à delegacia e mantém uma relação conturbada com o pai Terry (Bill Sage), para a noite virar um justiceiro, que luta contra a injustiça, dando fim aos criminosos que conseguiram se manter fora das prisões, e buscando encontrar o assassino de sua mãe. Os problemas começam a surgir quando Sean começa a perder a noção dos princípios do bem e  do mal, e quando uma policial determinada (Zulay Henao) começa a persegui-lo.

Para um bom fã de quadrinhos, neste caso eu, não fica difícil encontrar as referências que o roteirista e também diretor americano Michael Morrisey usa para a criação do filme, não só na construção do roteiro, mas também na própria técnica aplicada na direção. Se dermos um rápido vislumbre, podemos ver uma junção de Kick Ass (o nerd buscando se tornar um herói e a péssima relação com o pai após a morte da mãe), O Justiceiro (o vigilante que mata bandidos e acaba por muitas vezes perdendo a noção do certo e do errado), e principalmente Batman, (tanto as HQs quanto os filmes dirigido por Christopher Nolan), que nos quadrinhos se inspira o conceito do homem se aprimorar fisicamente para combater o crime devido a um trauma do passado. Já dos filmes, Morrisey usa o clima soturno, sempre exaltando Nova Iorque de noite como uma cidade bastante  ameaçadora, colocando vários planos gerais/abertos para dar maior dimensão ao perigo   em que a cidade vive, o que somado com a fotografia deixa a cidade ainda mais soturna, se assemelhando a Gotham City criada por Nolan.

Estas várias influências usadas por Morrisey batem com as boas inovações criadas, o que acaba de certa forma prejudicando o filme. A criação de uma maneira mais plausível para a força física, a interligação bem trabalhada feita entre as subtramas, por mais que algumas destas sejam desnecessárias, somadas  a  inteligente forma  como a questão de moralidades são estruturadas, mostram criatividade por parte de seu realizador, que mesmo dirigindo seu primeiro longa, não mostra amadorismo comum neste tipo de projeto.

O filme é sustentado ainda pelo elenco, principalmente pelo seu jovem protagonista. Caleb Steinmeyer se mostra talentoso na construção do caráter do adolescente, sabendo alternar bem entre jovem frágil e justiceiro vingativo, diferenciando-os tanto pela voz (o primeiro em um tom calmo, mas sempre hesitando, o segundo pouco fala, mas quando profere algo, é em um tom mais ríspido) quanto pelo olhar, criando os dois como pessoas diferentes, que são forçadas a conviver no mesmo corpo e acabam se fundido, debilitando o personagem psicologicamente. Enquanto Bill Sage elabora um personagem que, assim como o filho, mantém o caráter dúbio, Zulay Henao se esforça para se desvencilhar do estereotipo policial-bonita-que-pouco-faz, e conseguir criar uma profissional que se vê perdida no meio de homens preconceituosos, na criação de um filho e na busca por um foragido da lei.

Mesmo tendo uma conclusão inapropriada, mas que condiz com que foi proposto (o diretor acaba por perder uma grande chance de surpreender o público), o longa consegue estabelecer um novo ritmo, onde a ação fica mais para terceiro plano, já que aqui o que importa são a historia e seus personagens, ou melhor, seu personagem. Então é bem provável que os transformetes (fãs de transformers), que procuram cenas de ação vazias e sem sentidos, irão se decepcionar e irão querer propagar erradamente a má qualidade do longa. Mas afinal, o que esperavam de um filme que desde o seu inicio deixa claro que está fugindo do maniqueísmo barato de explosões, mocinhas em perigo e homens vestindo cuecas por cima das calças?

Poltronas 

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Comentários

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Enviado por Rafael em dom, 03/04/2012 - 12:40

Ao meu entendimento, não importava qual selo ele escolhesse, ambos estavam envenenado.

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