Carros 2

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Enviado por Rafael em ter, 07/05/2011 - 02:11

Tanto a Disney, como a Dreamworks e a Pixar tem características próprias que as diferenciam. A Disney, por exemplo, geralmente usa a mesma fórmula de “protagonista tendo que se redescobrir com ajuda de novos amigos em uma jornada cheia de aventuras”, mas sempre tem alguma pequena inovação na trama, seja um protagonista mais carismático ou coadjuvantes cômicos. Já a Dreamworks criou o hábito de fazer filmes baseando–se nos coadjuvantes, o que ofusca o seu protagonista, fazendo com que fique difícil que nos importemos com o personagem principal, como no caso do Burro do Shrek ou os Pinguins de Madagascar. Muito longe dos outros estúdios, vive a Pixar, que cria personagens fantásticos, baseado em técnica perfeita e em tramas sempre inovadoras, com exceção de Carros, que tem uma trama bem lugar–comum. E foi assim, na continuação de seu mais fraco filme que a Pixar caiu do pedestal.

Na continuação do filme Carros, de 2006, temos aqui Relâmpago McQueen (na versão original dublado por Owen Wilson), tetracampeão da Copa Pistão, que agora mudou de nome em homenagem ao falecido Doc Hudson (o ator que Paul Newman, que dublava o personagem faleceu). Depois da corrida, Relâmpago vem visitar seus antigos amigos, e por culpa de Mate, acaba entrando para uma corrida mundial em prol de um combustível alternativo do qual já tinha se negado a participar. Em meio à corrida, o reboque Mate (dublado por Larry the Cable Guy) acaba sendo confundido com um agente secreto, e se vê envolvido em uma busca para salvar a corrida mundial e consertar sua amizade com McQueen.

Carros 2, logo no seu início lembra outra animação da Pixar, Os Incríveis, por compartilhar duas semelhanças. A primeira é a técnica excepcional usada, mostrando um grande avanço em relação ao primeiro filme. Carros 2 serve para ressaltar as qualidades conhecidas da Pixar, de ter cuidado com cada detalhe, é interessante durante o filme analisar toda a perfeição que preenche a tela, sendo primoroso ver as sequências do mercado negro em Paris e a da chegada dos personagens em Tóquio.  Bem como quando pintam a tela com cores que servem para ressaltar cada cidade, como por exemplo Tóquio, que é recheada de tom fortes para retratar a sua inquietação. A segunda semelhança com Os Incríveis, é a de esperar uma certa maturidade do expectador, não hesitando em retratar a morte de coadjuvantes para os pequeninos cinéfilos, onde uma em especial pode até ser considerada forte demais para este público.

Mas esta maturidade vai por água abaixo após cinco minutos, quando o roteiro, escrito por John Lasseter, Brad Lewis e Dan Fogelman, pega Mate, (que é o equivalente ao Gorpo de He-man ou Snarf de Thundercats) e erradamente o transforma como protagonista. Se antes, no primeiro filme, o reboque caipira com suas gags chatinhas era aturável, agora fica insuportável, a ponto de ser deprimente cada minuto que o personagem ganha em tela. E atrapalhando ainda mais, entra a dublagem brasileira, que consegue aumentar (se possível) a chatice do reboque, sendo muitas vezes difícil de entender o que ele profere em determinada cena. 

A trama em que Mate é encaixado (que lembra muito o divertido Espião por Engano, clássico da Sessão da Tarde) não mantém nada de atrativo, servindo apenas para a Lasseter e Cia. mostrarem o quanto são competentes na criação de cenas de ação visualmente perfeitas, mas superficiais em conteúdo. Conteúdo este que se complica ainda mais ao ser preenchido com sub-tramas desnecessárias, vide a disputa entre McQueen e Francesco (dublado por John Turturro, que nada mais é do que uma versão automobilística de Jesus Quintana, personagem do mesmo Turturro no brilhante O Grande Lebowski).

Ao se basear em piadas que vão do nível sem graça até o nível constrangedor (alguém da equipe de Lasseter, assistiu a Transformer 2 e achou que seria bacana colocar um carro “vazando óleo” e “soltando gases pelo escapamento”), o lado cômico do filme acaba subestimando a inteligência de seu publico . Como se não bastasse, temos diálogos que nem de longe lembram a genialidade dos trabalhos anteriores da Pixar, o “Buzz, você está voando!!”, substituído por “Você ira comer poeira”, “Eu sei como se sente” e “Bons amigos perdoam”, entre outras pérolas que só fragilizam a animação.

E como se não fosse suficiente o filme por si só estragar os poucos créditos que o primeiro filme tinha, Carros 2 é precedido por um curta estrelado pelos personagens de Toy Story, o que por um pouco não estraga a perfeição que a trilogia representa. A Pixar caiu do cavalo, o que é uma lástima, afinal um estúdio que tinha uma carreira impecável, errar tanto no curta quanto no longa, só nos faz pensar em como 2012 está perto.

Poltronas 

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Comentários

imagem de Maza

Enviado por Maza em ter, 07/05/2011 - 07:57

E como não fico empolgado só por filmes com visual exuberante , piora ainda mais. É, a Pixar tinha que falhar feio um dia.

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