Eu Matei Minha Mãe

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Enviado por Luciana em dom, 11/20/2011 - 13:52

Alguns filmes não se deixam esmiuçar com facilidade, são mais complexos, mais herméticos. É o que posso dizer de Eu Matei Minha Mãe, longa de estreia do diretor, roteirista e protagonista do filme, Xavier Dolan. O que pretendo aqui não é exatamente uma crítica, mas mais uma “conversa”, alguns comentários sobre o filme, aviso de antemão.

Eu Matei Minha Mãe aborda a relação tumultuada entre uma mãe e seu filho. Chantale (Anne Dorval) é uma mulher que se separou enquanto o filho ainda era uma criança, e o criou sozinha desde então, já que o pai sempre foi ausente. Ela tem um estilo meio brega, é espalhafatosa, mas fica claro que ama incondicionalmente seu filho, mesmo que seus atos venham a desmenti-la na maioria das vezes. Já Hubert (Xavier Dolan) é um adolescente notadamente em crise, perdido em seus sentimentos e em si mesmo. Tudo na mãe é capaz de irritá-lo e ele não faz a mínima questão de esconder isso dela. A convivência entre os dois é uma montanha russa.
 
  
 
O filme é um misto de sons, imagens, cores e movimento. Principalmente imagens. Elas preenchem as lacunas deixadas propositalmente no roteiro, o que devo dizer, funciona perfeitamente.
 
Os momentos em que o rapaz está na companhia da mãe, principalmente em casa, são tensos. Momentos esses, que se tornam ainda mais carregados graças ao ambiente opressivo, sufocante e instável, favorecido pela excelente fotografia de Stephanie Weber-Biron, que consegue passar através desses detalhes o quão triste pode ser o lar deles.
 
 
Em contrapartida, quando Hubert está em casa de seu amigo Antonin (François Arnaud), não só a fotografia nos proporciona um ambiente amplo e iluminado, como também a família que reside ali, mãe e filho, torna tudo mais alegre e descontraído.
 
 
A câmera brinca com o espectador, ora se afastando, ora se aproximando ao máximo de seu personagem. O uso da câmera lenta, acompanhado da acertada trilha de Nicholas Savard-L'Herbier, proporciona ao filme momentos de estranha leveza, mesmo que o que vemos em cena seja um momento de tensão, fúria e desespero.
 
Acompanhamos várias fases de humor do garoto durante o filme, e sua atuação está excelente, mas são nos momentos mais singelos em que percebemos a força de seu personagem. E nos momentos mais difíceis o seu carisma e a sua fragilidade.
 
 
Eu Matei Minha Mãe tenciona a ser levado a sério, a ser colocado em discussão, e assim o consegue. Mas, é um filme o qual não se pode simplesmente ir lá e assisti-lo, não é um filme de fácil absorção ou mesmo facilmente esquecível. Ele é denso e faz com que suas imagens, ideias e diálogos fiquem circulando, rondando em nossas mentes por um bom tempo. Isso por si só já é algo admirável. E para um diretor de 20 anos? Absolutamente surpreendente e gratificante, assim como o filme.

Poltronas 

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