Exit Through The Gift Shop

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Enviado por Pedro em ter, 03/01/2011 - 13:28

 

Dirigido pelo misterioso street artist Banksy, esse documentário de pouco menos de duas horas pode ser, antes de mais nada, definido como um comentário – às vezes hilariante – sobre como a sociedade de consumo e a tecnologia transformaram a arte em diversas maneiras (e nem todas boas!).

Discreto, o filme começa com a saga de Thierry Guetta. Francês radicado em Los Angeles, Guetta é um fascinado por filmagem. Traumatizado com a perda da mãe ainda criança, ele começa a andar pra cima e pra baixo filmando tudo e todos. Família, amigos, celebridades, ruas, cidades, marcos turísticos, lojas, em suma, tudo. Nesse frenesi de filmagens esse estranho e quase anacrônico acaba caindo como que acidentalmente de para-quedas no nascente mundo da street art.

Pra quem não sabe, a street art pode ser considerada um ramo do graffiti, mas que usa estêncile, tinta spray, cartazes entre outras técnicas pra criar intervenções artísticas geralmente críticas e inusitadas e que beiram, como o graffiti, a ilegalidade.

Guetta cai nesse mundo através de seu primo o street artist Space Invader. Invader constrói pequenas réplicas em azulejo, plástico e outros materiais dos famosos inimigos alienígenas do antológico clássico de videogame de mesmo nome. Guetta o segue pelas ruas de várias cidades fazendo mais do que apenas o registro; ele é quase um cúmplice e através do primo começa a conhecer outros artistas e viajar pelo mundo – e sendo anfitrião dos visitantes estrangeiros em Los Angeles – registrando tudo para o que seria um documentário sobre street art.

É através desses artistas que Guetta acaba conhecendo e se tornando amigo de Banksy.

Diria que essa a parte um desse filme e é a parte mesmo a respeito da street art em suas muitas variações.

Mas esse filme não é sobre street art. Depois de anos Thierry faz seu filme – uma horrenda colagem desconexas de imagens oriundas das milhares de fitas que o cinegrafista tinha em sua casa. A obra deixa seus amigos em choque pela inutilidade total: nas palavras de Banksy, “duas horas completamente impossíveis de serem assistidas”.

É aí que Banksy dá ao amigo um conselho e se inicia a segunda parte do filme. O artista diz ao amigo que ele deve, então, tentar ser ele mesmo um street artist.

Tocante ainda que pouco informativo a respeito do próprio movimento da street art, o filme se desenrola como uma comentário ácido (e diria terrível) a respeito do que a arte se tornou, do que pode ou não ser arte e da frugalidade com que a lógica racional da industrialização esmaga ou engole tudo em sua frente. Com uma estranha simetria – como na cena em que Banksy coloca um boneco inflável com as roupas e capuz dos prisioneiros de Guantanamo – o filme nos coloca frente ao poder da arte, sua novíssima efemeridade ou sua imortalidade comercialmente estruturada.

Estêncil de 10 dólares se transformando em obras de arte de milhares de dólares e um estranho homenzinho francês e sua câmera se tornando uma febre artística mas não saída de uma garagem, mas sim de um conselho inocente e a própria era da razão norte-americana. 

Poltronas 

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