Gato de Botas

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Enviado por Luciana em qui, 12/08/2011 - 09:39

Criado pelo escritor francês Charles Perrault no conto de fadas O Gato de Botas (1697), e depois adaptado para o cinema como o conhecemos hoje, em Shrek 2 (2004) e nos dois filmes posteriores (Shrek Terceiro, de 2007 e Shrek para Sempre, de 2010), o Gato de Botas agora se apresenta em carreira solo, no filme Gato de Botas, nova animação da DreamWorks dirigida por Chris Miller (Shrek Terceiro).

O filme já nos apresenta ao personagem-título (Antonio Banderas) como um esperto ladrão, mas não se assustem, pois ele é daqueles que rouba somente de quem merece ser roubado. Ele precisa de dinheiro para saldar uma dívida antiga, e em um bar para lá de suspeito fica a par da existência dos feijões mágicos que o levaria à gansa dos ovos de ouro (sim, aqueles de João e o Pé de Feijão), que segundo se sabe estariam em poder de Jack (Billy Bob Thornton) e Jill (Amy Sedaris), dois temidos assaltantes e assassinos. Enquanto bebe tranquilamente seu leite, ele colhe mais informações para seguir na sua empreitada.
 
 
O Gato de Botas é inteligente, astuto, sarcástico, malvado, sedutor, fofo e tem um sotaque irresistível. Entre outras tantas qualidades, é claro. Mas, o que dizem ser a perdição de um homem (neste caso, de um gato)? Uma mulher, certo? E nem o nosso querido felino ruivo seria capaz de escapar disso. É aí que entra em cena Kitty Pata-Mansa (Salma Hayek), uma charmosa ladra, e das melhores, pois consegue roubar sem que seja percebida a sua presença. E logo o pobre Gato cai em seus encantos.
 
Humpty Alexander Dumpty (Zach Galifianakis), o “ovo”, está na busca pelos feijões mágicos e precisa do Gato para ajudá-lo a consegui-los. Mas, Gato tem um problema sério com Humpty, e é Kitty quem deverá tentar convencê-lo a passar por cima de tudo e aceitar a jornada.
 
O filme ainda nos brinda com a infância do Gato, um pouco da sua história no orfanato onde foi criado desde que era um bebê-gato, e como ele veio se tornar o Gato de Botas. Desde pequeno ele já sabia convencer a todos com o seu olhar característico, o famoso “olhar de Gato de Botas”. 
 
 
A textura dos personagens e a direção de arte são incríveis. É possível perceber a diferença entre os pequenos personagens e o mundo “adulto” que os cerca. A fotografia saturada também auxilia a tornar a história ainda mais real, e o clima de faroeste presente em boa parte do longa ambienta os personagens de forma acertada. A trilha de Henry Jackman dá um toque especial de charme ao filme, principalmente nas cenas de “duelo de dança” entre Gato e Kitty. Aliás, essas cenas roubam parte dos louros da produção, são extremamente bem elaboradas e na medida certa.
 
O recurso split screen (tela dividida) é uma escolha inteligente, tem seu uso comedido no filme e nos momentos certos. A princípio cogitei que o 3D do filme não estaria sendo tão bem aproveitado, mas preciso me render à tecnologia quando relembrando algumas cenas em especial percebo que sem o recurso tais cenas se tornariam o “mais do mesmo”. Como exemplo, posso citar as cenas de luta, ou quando os personagens são levados ao alto pelo crescimento do pé de feijão, ou ainda, imediatamente antes disso, quando da tempestade que se forma. O recurso é realmente utilizado com sabedoria e de forma acertada.
 
 
Um dos poucos tropeços do roteiro talvez seja não desenvolver completamente alguns dos personagens, como Kitty Pata-Mansa, da qual obtemos apenas algumas parcas informações durante o filme. É uma personagem que se bem desenvolvida poderia complementar perfeitamente o universo do Gato, o que não acontece. Da forma como nos foi apresentada ela apenas faz parte daquele contexto, mas sem sabermos as suas reais motivações e nem o que a leva a tomar suas decisões. Outro ponto fraco do roteiro de Tom Wheeler é o fato de não explorar adequadamente o suspense com relação à aparição do “Grande Terror”, que quando revelada se torna algo simples demais.
 
A escolha do elenco no áudio original é excelente. Banderas, já sabemos que é o Gato e dele ninguém tira o posto, mas os outros dubladores também estão ótimos. Aliás, até Guillermo Del Toro, que também caiu de amores pelo personagem, empresta sua voz a um deles, o Comandante de polícia da cidade.
 
 
Gato de Botas é tanto para adultos quanto para o público infantil, apesar de que certas tiradas acabem por se perder no universo de pensamentos das crianças. O filme tem um humor extremamente inteligente, além de serem abordados temas importantes como a amizade, a escolha e o perdão. Um filme interessante para um personagem igualmente interessante e especial, um personagem que afinal de contas, consegue sustentar um longa sem ter um burro e um ogro ao seu lado e, principalmente, sem passar todo o tempo com seu olhar tradicional, como se isso fosse necessário para prender a atenção e atrair ainda mais a simpatia da plateia. 

Poltronas 

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Comentários

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Enviado por K-Jú (não verificado) em qui, 12/08/2011 - 12:50

Bahhh Realmente eu não estava levando fé nesse filme. Achei que ia ser só mais um complemento ao Shrek. Convenhamos que depois do Shrek 2, nenhum foi realmente muito bom.
Mas, acho q depois dessa crítica, vou ir assistir sim ^^
Parabens pelo site!
Abraços,
Júlia
http://magraderuim.com.br

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Enviado por Luciana em qua, 12/14/2011 - 09:13

Olá Júlia!

Obrigada pela visita no site, que bom que gostou. Eu estava bastante empolgada com o filme e realmente gostei do que vi, além de o Gato ser um fofo.

Ah, se tiveres a oportunidade de assistir ao filme legendado escolha essa opção, a dublagem não é la das melhores. E na voz do Antonio Banderas o Gato tem mais charme.

Lu.

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Enviado por Luciana em qua, 12/14/2011 - 09:30

Ontem revi o filme em versão dublada (missão tia, levei meu sobrinho para a sua primeira sessão 3D) e me decepcionei um pouco. Tanto com a dublagem, quanto com a voz do dublador do Gato (Alexandre Moreno).

Algumas falas foram alteradas, como por exemplo: "muffins" virou "croissants recheados", só pra citar uma fala bem simples. As mudanças até não chegaram a alterar tanta coisa, mas para quem viu legendado antes é inevitável acabar se sentindo incomodado com isso. Sem contar que o sotaque do Gato perdeu parte do charme, e ficou uma coisa bem estranha a dublagem meio em "portunhol".

Era isso.

A chata da dublagem =D

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