Incêndios

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Enviado por Jana em qua, 09/21/2011 - 11:34

 

Incêndios é, em sua essência, um poderoso drama familiar, intenso, devastador, inteligente e bem estruturado, sobre amor e ódio, segredos e compensações.

Desde o seu início, o filme nos mostra o tom dramático que seguirá ao longo dos seus 130 minutos. Ao iniciar em slow-motion ao som de Radiohead (“You and whose army?”) nos mostrando o que parece ser uma escola no deserto, vamos nos aproximando cada vez mais de meninos tendo suas cabeças raspadas por soldados, e somos apresentados a um menino em especial com três pontinhos pretos no pé, que encara a câmera de maneira amargurada.

Logo após esse prólogo devastador, o filme nos remete para um escritório, onde os gêmeos franco-canadenses Jeanne e Simon estão fazendo a leitura do testamento de sua mãe, recentemente falecida. No testamento ela deixa duas cartas a ser entregues por eles, uma ao pai, que eles acreditavam estar morto, e outra ao seu irmão, do qual desconheciam a existência.

Apesar de relutantes, os gêmeos viajam para um país no Oriente Médio (o qual o diretor canadense Denis Villeneuve faz questão de omitir o nome) afim de realizar o último desejo de Nawal, sua mãe, sem antes saber o quanto estão despreparados para conhecer o horror que foi a vida dela. A jornada tem início com a viagem de Jeanne, Simon se junta à ela mais tarde, enquanto o passado de Nawal nos é apresentado em flashbacks. 

A trágica história de Nawal, representada em uma atuação belíssima da atriz Lubna Azabal, revela o agonizante custo de uma guerra civil para o fator humano, e o que vemos aqui é a personagem passar de adolescente idealista, à adulta rebelde lutando por liberdade e justiça, prisioneira política sofrida e por fim, envelhecida e atormentada. E na verdade, é a atuação de Azabal dentre excelentes outras que faz com que o filme não pareça longo.

Assim como as atuações, outros fatores contribuem para que este longa, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, seja singular e nos prenda do início ao fim, tais como a direção impressionante de Villeneuve, a montagem, que em primeiro momento pode parecer confusa, mas ao longo da projeção se mostra um trabalho esplêndido (como por exemplo a cena do ônibus), a admirável fotografia de André Turpin, e o roteiro adaptado pelo próprio diretor para a obra teatral de Wajdi Mouawad. 

Por fim, os eventos nos levam a um final arrebatador, que por um momento parece ser uma grande reviravolta no enredo, mas que, se pensarmos bem, e relembrarmos o início do filme, estava  inserido na narrativa desde o começo. Incêndios é uma linda história de amor, por mais absurdo que pareça afirmar isso, amor incondicional de uma mãe por seus filhos, amor num misto de perplexidade e carinho, crueldade e satisfação. Um filme onde o amor em nenhum momento deixa de existir, mesmo que por vezes nos seja apresentado de forma dura, chocante e inimaginável. 

 

Poltronas 

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