A Incrível História de Adaline

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Enviado por Rafael em sex, 05/22/2015 - 10:55

 A Incrível História de Adaline (The Age of Adaline, 2015) parte de um plot simples, mas que nunca deixa de ser interessante: a mortalidade, o fardo de um dia deixarmos de existir e nos tornarmos apenas lembranças. Um tema que não é novidade para o cinema, mas aqui ganha uma nova roupagem. Este novo longa do diretor Lee Toland Krieger abraça um lado mais romantizado ao narrar a história da moça do titulo, (Blake Lively) que adquire a capacidade de nunca mais envelhecer após um acidente de carro. Com medo que descubram Adaline vive sempre fugindo, o que a impede de criar laços mais profundos de amizade e de ter um relacionamento melhor com a sua filha, atualmente uma senhora (Ellen Burstyn). Mas eis que finalmente ela encontra uma nova paixão tendo que lidar com as consequências da condição que sofre e.... você que está lendo provavelmente já adivinhou o resto, estou certo?

Como fica evidente, o filme é bem padrão para um romance, com direito a vários clichês do gênero.  Então tem personagem rejeitando as investidas, mas aceitando no final, a construção do relacionamento, os encontros fantásticos, a briga, a reconciliação, o dissentimento, o acerto final, entre outros.  Tirando o fato da protagonista não envelhecer, não há nenhuma novidade fora disso, são grandes as chances de tu já ter visto vários filmes iguais a este, com personagens parecidos e com outro recurso narrativo no lugar da imortalidade.  O fato de ser parecido com outros longas não é ruim: é só desinteressante.  Usar clichês não é o problema, mas sim como usar eles de uma forma criativa que torne interessante para quem está assistindo.  Não há um senso de novidade na forma como a relação do casal é construída.

Entretanto, o romance funciona pela boa química entre Blake Lively e Michael Huisman.   Apesar da falta de originalidade, os dois atores conseguem demonstrar carisma como um casal padrão de romance.  Mesmo tendo mais material para trabalhar, Blake Lively não consegue expressar todo dilema de uma mulher de 107 anos presa no tempo, mas como uma protagonista ela funciona bem o suficiente para segurar o filme. Já Huisman faz o possível com um personagem que tem como única função ser perfeito (ele é inteligente, rico, charmoso, etc).

A imortalidade de Adaline não é explorada em todo seu potencial, sendo mais uma ferramenta para criar um impedimento para o casal.  Não há um trabalho melhor em construir um arco dramático em torno do tempo e do envelhecimento, com pedaços que são jogados diante da narrativa servindo mais para relembrar a condição de Adaline em relação ao relacionamento.  Nunca há um grande conflito em torno disso, durante o filme, somente no final que ele tem surge com uma importância maior na narrativa, mas rapidamente é resolvido.   E é até compreensível de certa forma, já que o dilema da mortalidade da personagem nunca chega a ser o foco do longa, porém ainda sim é uma ferramenta mal utilizada. Por consequência, os veteranos atores Harrison Ford e Ellen Burstyn ficam sobrando na trama, especialmente a atriz, não podendo fazer muito em estabelecer um personagem. Ambos funcionam mais como uma forma de pontuar a imortalidade do que como personagens relevantes dentro da narrativa.

Estabelecendo uma comparação, A Incrível História de Adaline lembra bastante um conto de fadas.  Tu tens a princesa que sofre com uma condição causada por uma magia (filme tenta justificar cientificamente com base em princípios ainda não descobertos, o que é risível e preguiçoso), o príncipe perfeito que se apaixona a primeira vista, o amor resolvendo tudo no final, tem até um narrador que só serve para explicar os porquês da história.  Me repetindo, estas semelhanças só ressaltam que não há muita originalidade, nenhum novo olhar sobre o romance ou sobre os personagens, nada que se destaque dos demais exemplares do gênero. Nunca chega a ser inassistível, mas também não é memorável.  Com o perdão do trocadilho, não há nada de incrível nesta história.

Poltronas 

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