Jurassic Park III

imagem de Rafael
Enviado por Rafael em qui, 06/11/2015 - 15:57

Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park, 1993) é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Ele acerta em tudo que é possível. Tem uma grande direção, planos visualmente lindos, ótima atuações, uma história inteligente e instigante, personagens interessantes, uma trilha sonora que evoca a perfeição do filme, frases memoráveis (“Hold on to your butts’’, “That is one big pile of shit’’, “Welcome to Jurassic Park”, “Life finds a way” só para citar algumas) e a risada de Jeff Goldblum. Basicamente, tudo que um grande filme precisa ter.  Não hesito em dizer que é um clássico.  O longa consegue capturar a magia cinematográfica de uma forma brilhante, mesclando doses de comédia, drama e aventura na medida.

 Infelizmente, O Mundo Perdido: Jurassic Park (The Lost World: Jurassic Park, 1997) é uma grande decepção, pois não consegue realizar o mesmo feito. Respeito por tentar fazer algo diferente, porém poucos dos acertos do primeiro longa se repetem aqui.  Por mais que Spielberg ainda esteja inspirado na direção e Jeff Goldblum brilhe cada vez mais como Ian Malcolm toda vez que aparece em tela, a trama não é tão interessante e os personagens em sua maioria alteram entre o modo irritante e esperando para morrer.  Há sequências interessantes e é louvável o fato de ele tentar ir além expandido aquele universo,  porém se perde ao tentar tornar a história  maior. O terceiro ato é só um reflexo desta tentativa de sair de uma aventura para algo mais dramático, ficando deslocado e desinteressante. Porém, pelo menos ele tenta fazer algo diferente, algo novo. Não dá para dizer o mesmo sobre Jurassic Park III (idem, 2001).

A trama é simples, até demais: Mais uma vez o Dr. Alan Grant (Sam Neil) está sem dinheiro para financiar suas escavações e a solução para este problema familiar aparece na proposta para voltar à Ilha Nublar como guia de um casal milionário (Téa Leoni e William H. Macy),  que querem ver dinossauros.  Alan aceita ir acompanhado de seus assistente Billy Brennan (Alessandro Nivola), porém ao chegar descobre que o casal está à procura do filho perdido em um acidente de paraquedas e que eles estão na ilha Sorna, lugar completamente desconhecido para ele.  Aí como previsto em todo filme da série nós temos: T-Rex, velociraptors, dinossauros fazendo coisas de dinossauros, pessoas correndo,  pessoas se escondendo , pessoas morrendo e todo resto do pacote.

Jurassic Park III tem uma trama bastante simplista, o que não seria nenhum problema se tivesse personagens interessantes e que evoluíssem durante a trama.  Melhor forma de colocar é que tudo é fácil demais. Não há nenhum conflito, assim não há evolução de personagem.  Escrever o paragrafo anterior foi difícil, pois o filme pode ser resumido como pessoas fugindo de dinossauro. Simples assim.  Não há muito mais do que isso, além de um drama familiar bobo e do resgate de uma criança, nada que já não vimos antes.

Há vários momentos copiados do primeiro filme da franquia (de grupo separado até personagem mexendo em fezes de dinossauro), porem não há o mesmo senso de urgência.  A tentativa de transformar o Espinossauro como um grande vilão que persegue o grupo rende momentos patéticos (a cena do celular e toda sequência no barco são bons exemplos). Fica parecendo que ele é uma sugestão de produtor, algo como “coloca um dinossauro maior que o T-Rex para render umas cenas de ação e para vendermos brinquedo”.  Colaborando com isso, temos o próprio Alan Grant não sabendo explicar como a InGen criou ele,  já que não estava no catálogo de atrações.  Não contente com ter um dinossauro atrás do grupo ainda temos os velociraptors, que deveriam ser os verdadeiros vilões.  Há um motivo por estar atrás o que daria uma sensação de urgência necessária, além de fechar com o fato de Alan adorar os raptors e eles terem rendidos grandes momentos nos outros dois. Porém este subplot fica sumido por uma parte do filme e só volta para ser resolvido de uma forma vergonhosa, rendendo um dos piores momentos da franquia,  empatando com a cena do avião (“Alan?”).

 Com os personagens permanecendo estáticos, todos terminam o longa como começaram.  O único arco que tenta criar um desenvolvimento de personagem é o envolvendo Alan e Billy, porém ele não é bem construído. O relacionamento dos dois que deveria ser algo mestre/ aprendiz não é desenvolvido o suficiente e assim quando ele tenta ir para frente não parece ter uma mudança.  O próprio filme parece sabotar esta relação ao colocar uma cena final entre os dois completamente desnecessária, matando assim o único avanço do relacionamento. Não se contentando em estragar os próprios relacionamentos, Jurassic Park III vai além e praticamente destrói toda relação Alan/Ellie, construída no primeiro filme.  Mostrar aqueles dois personagens separados é não se importar com todo arco do próprio Alan no primeiro filme, que era o de se importar com crianças para assim construir uma família.

Mesmo com o filme se auto sabotando, Sam Neil ainda consegue cativar na figura de Alan Grant.  Aquele personagem é dele assim como Ian Malcolm é de Jeff Goldblum. Neil consegue entregar mais uma vez um Alan que nos conhecemos e que gostamos, como quando o vemos corrigindo um dos filhos de Ellie sobre briga de dinossauros ou concordando com Eric Kirby sobre o livro de Malcolm: isso de fato é algo que Alan faria. Neil sabe bem interpretar o tom sério e bem humorado do de Alan.  

 Os demais personagens sofrem da mesma maldição do segundo filme, alteram entre fast-food de dino ou seres irritantes. Téa Leoni e William H. Macy se encaixam perfeitamente na segunda categoria para o azar do espectador que queria que fosse a primeira. Enquanto Téa fica condenada em dar vida a uma personagem que tem com único modo de comunicação o grito, Macy interpreta um personagem que tem como função ser o perdedor, o que gera cenas bastante inúteis (cena da maquina de doces é a principal). Não há um personagem, e sim um estereótipo do derrotado. Ainda há a participação de Laura Dern no papel de Ellie, mas como é algo muito breve e com o único proposito de chamar o resgate, Laura Dern pouco pode fazer.

Joe Johnston não é nenhum Spielberg, ele não compartilha o mesmo talento.  Então muitas das cenas sofrem pela falta de uma construção melhor.  São poucos momentos onde ele consegue construir uma tensão, mas logo em seguida ele se perde ao prolongar a cena e transforma-la em algo maior.  A sequência dos pterodáctilos é o melhor exemplo, começa muito bem, mas termina de uma forma genérica, sem nenhum atrativo.   Johnston não consegue desenvolver uma assinatura ou um diferencial, tudo é bem padrão. Principal diferença para Spielberg acaba sendo o uso maior de CGI, que data bastante o longa. Sorte que os animatrônicos ainda funcionam razoavelmente bem na maior parte do tempo, longe da perfeição e da qualidade do primeiro longa, mas o suficiente para não comprometer as cenas. IAssim é uma grande pena que eles sejam poucos usados no longa.  

Ao terminar de assistir Jurassic Park III, fica bem perceptível  ver o porquê a franquia demorou anos para ter um novo exemplar (poderia fazer um trocadilho com “extinguir”, mas vou passar). A sensação é de que eles não sabiam para onde ir, já que este exemplar acaba parecendo uma paródia do longa original, só que sem todas as qualidades atrativas.  Não há magia,  nenhuma originalidade ou talento investido e bem poucos momentos de entretenimento.  O retorno de Dr. Alan Grant deveria ser algo melhor.

Poltronas 

2

Comentar

Plain text

  • No HTML tags allowed.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.
CAPTCHA
Esse desafio é para nos certificar que você é um visitante humano e serve para evitar que envios sejam realizados por scripts automatizados de SPAM.
CAPTCHA de imagem
Digite o texto exibido na imagem.