Mad Max: Estrada da Fúria

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Enviado por Felipe em qui, 05/14/2015 - 12:35

Que filme sensacional!

Não gosto muito de utilizar aquele tipo de afirmação que começa com “o melhor” e termina com “dos últimos anos” (décadas, tempos ou etc.). Mas, às vezes, vem ao caso. E esse é um deles. “Mad Max: Estrada da Fúria” (Mad Max: Fury Road, 2015) é, sem dúvida, um dos melhores filmes de ação dos últimos anos. E um excelente recomeço para o “Guerreiro da Estrada” antigamente interpretado por Mel Gibson (cara foda, vale lembrar). Em tempos de John McClane virando piada e Vin Diesel’s com seus carros voadores, Max é o herói que precisamos (ao contrário do que diria a música da Tina Turner).

         

A história tem início com Max (Tom Hardy) sendo perseguido (pelos vivos e pelos mortos, como ele mesmo diz), preso e sendo levado para a Cidadela para ser marcado e usado como doador (bolsa) de sangue pelos guerreiros de “meia vida” (pessoas marcadas pela radiação que acabou com o mundo como o conhecemos). A partir daí, Max tenta fugir de seus captores e acaba se juntando a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron numa das personagens femininas mais sensacionais que o cinema de ação já nos trouxe) que foge do líder da Cidadela, Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, o mesmo ator que interpretou Toecutter, o líder da gangue de motoqueiros do primeiro Mad Max). O filme é ágil em explicar quem é Max e o que ele quer, por meio da narração de Tom Hardy, partindo o mais rápido possível para o que realmente interessa. Mesmo assim, durante boa parte do começo do longa, Max se mantém calado e muitas vezes quem assume o protagonismo é Furiosa que desde seu primeiro momento em cena deixa claro apenas com o olhar todo o seu sofrimento e sua força. O filme aposta na insanidade do começo ao fim e isso se reflete tanto no ritmo, na ação, na trilha e nas atuações. Um mundo desregrado e violento onde quem tem o controle dos recursos (água, comida, combustível, munição) tem o comando sobre todos, e é aí que entra Immortan Joe que manipula o povo e seus guerreiros prometendo para eles um paraíso que virá apenas com o sacrifício.

Confesso que até assistir ao primeiro trailer de “Mad Max: Estrada da Fúria” eu não estava muito animado. Ultimamente eu tento não me empolgar muito com qualquer lançamento cinematográfico. Não é falta de fé e sim “medo” do que algumas facilidades do cinema contemporâneo tem feito com diversos realizadores e projetos. Em especial os efeitos digitais que tomam conta de boa parte dos filmes de ação hoje em dia. Basta assistir a um “Velozes & Furiosos” da vida pra notar que nada, simplesmente nada, é real ali (Nem o Paul Walker, mas aí o mérito é outro). Atores sentados num carro parado num estúdio e um fundo verde. Bacana. Mas cadê o risco? Cadê a tensão? Todos os filmes tem praticamente a mesma cara, tudo é bonitinho (ou feio no limite) e geralmente tudo tem sido muito esquecível. Aqui não. A ação é, em sua maior parte, real. Com veículos reais, atores reais e batidas reais. E tudo a favor da história.

           

Fora isso, outro fato que me deixava meio com pé atrás, era que Mel Gibson não estava de volta no papel de Max Rockatansky. Saudosismo, claro. Mas não conseguia imaginar Max sendo feito por outro ator e Tom Hardy não desaponta. Na verdade, durante o filme eu jamais pensei nisso. Já que George Miller sabe o que quer de sua série e ele tá com a macaca. Sendo fiel ao que a trilogia original tinha de melhor e elevando isso a outro nível. Envelhecer bem e com colhões é para poucos (Cof, cof Spielberg) e Miller volta pra mostrar que é o cara e que ele é foda pra caralho. Com uma direção de arte sensacional que diferencia rapidamente quem é quem na caçada e que traz conceitos geniais como a roupa e a máscara de Immortan Joe e o cinto de castidade que as suas “parideiras” usam. As maquiagens são perfeitas e auxiliam ao te puxar pra dentro daquele mundo destruído e decadente.

           

Dia desses, lendo um texto de Roger Ebert, ele afirmava que certo filme tinha sido chamado por outros críticos de “cinema puro” e, com isso, pôs se a pensar que isso muitas vezes pode significar “puro visual” sem uma qualidade fundamental que é a “bagunça da vida humana” (palavras dele). Mad Max sempre foi sobre a bagunça da vida humana num mundo onde a vida humana vale menos que poder ou combustível para alguns. Uma visão de Miller do que o futuro poderia ser. Claro que ainda vivemos numa sociedade que investe numa imagem civilizada. Mas não somos tão diferentes assim dos sobreviventes/guerreiros que ele criou em 1979.

Vou me repetir, mas “Mad Max: Estrada da Fúria” é um dos melhores filmes de ação dos últimos anos. É correria do início ao fim com pouquíssimas pausas. E quando você acha que está pronto para relaxar, começa tudo outra vez. Que belo recomeço. Obrigado, George Miller.

 

P.s.: Aliás, é o tipo de filme que quando acaba você já quer rever. Fazia tempo que isso não acontecia comigo.

Poltronas 

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