Noite Sem Fim

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Enviado por Felipe em dom, 05/03/2015 - 17:39

Liam Neeson é uma das melhores coisas que poderiam ter acontecido ao cinema de ação norte-americano.

Tendo tido seu auge nos anos 1980, é fato que atualmente o cinema de ação carece de bons filmes. De bons roteiros. De astros... Estes envelheceram ou morreram e, das novas apostas, poucos realmente conseguiram consolidar o nome no gênero como Jason Statham e The Rock (claro que vou acabar esquecendo de citar alguém). Sendo assim, uma das coisas mais legais foi ter apostado num ator experiente e com uma carreira baseada em dramas para começar a chutar bundas e meter bala em todo mundo nas telas. Não foi a primeira vez que isso aconteceu e com certeza não será a última, mas a entrada oficial de Liam Neeson como astro de ação, que aconteceu com Busca Implacável (Taken, 2008), foi uma grata surpresa. De lá pra cá, Liam participou de três longas com o diretor Jaume Collet-Serra (o mesmo de A Casa de Cera e A Órfã).

       

Em “Noite Sem Fim” (Run All Night) Liam interpreta Jimmy Conlon, a principio uma figura patética, que é humilhado por praticamente todos ao seu redor e que passa a maior parte do tempo bêbado. Jimmy, além de ser o melhor amigo de Shawn Maguire (Ed Harris), é também um criminoso muito perigoso, que no passado era conhecido como “Jimmy, o coveiro” e que, a mando de Shawn, matava quem fosse preciso. Numa noite (a noite do título), Danny Maguire (Boyd Holbrook), filho de Shawn, acaba assassinando uns inimigos e quem testemunha tudo é Mike Conlon (Joel Kinnaman, o Robocop bostão da refilmagem) filho de Jimmy. Danny caça Mike pela cidade para matá-lo e acaba sendo morto pelo pai do segundo (Neeson). E é aí que a antiga amizade entre Conlon e Maguire acaba ruindo.

Coincidências do roteiro à parte, “Noite Sem Fim” é ágil em apresentar seus personagens e seus conflitos. Claro que às vezes pode parecer “coisa demais para uma noite”, mas essa é a ideia do filme. Concentrar toda a correria e todas as decisões de Jimmy naquela noite em que ele tem fazer de tudo para salvar seu filho e ainda assim confrontar seu melhor (e único) amigo.

       

O filme com certeza se beneficiaria de um diretor melhor no comando, um que tivesse mais segurança em encenar as cenas de ação sem apelar para a síndrome do “quanto mais corte melhor” que assola o cinema atual (principalmente em cenas de conflito). E que também não exagerasse tanto em transições que levam o espectador de um ponto da cidade a outro num efeito extravagante estilo Google Maps. Mas não posso ser injusto e apontar que mesmo assim a dupla Collet-Serra/Neeson acerta (e, claro, méritos do roteiro também) ao criar um personagem realmente complexo para Liam, mesmo que o alcoolismo seja uma bengala de composição muito fácil nesse gênero. E é aí que notamos a diferença de ter um ator realmente bom num papel central de um filme desses. Todo o peso que Jimmy carrega em suas costas é sentido sempre que Neeson entra em cena, pois ele atua. Não importa o filme. Ele atua e isso faz toda a diferença.

Com ótimo ritmo (algumas pontas sobrando aqui e ali) e um elenco afinado (tirando Kinnaman que não tem carisma algum) “Noite Sem Fim” é diversão garantida e que aposta na emoção (mas isso depende de cada um, claro).

E que diferença faz um Liam Neeson, hein?

 

P.s.: Os créditos finais são bem legais, se você, assim como eu, se interessar por esse tipo de coisa. 

Poltronas 

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