O Ritual

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Enviado por Rafael em qui, 03/17/2011 - 14:50

Ultimamente, para se conseguir fazer um subgênero entrar na moda é bem simples: basta ter apelo aos jovens, como por exemplo, casos de vampiros e musicas melosas (na falta de outra palavra melhor) se encaixam  nesta descrição. Filmes abordando exorcismo inserem-se  ao lado destes, pois tem um publico cativo, que os mantém sempre em alta.  O Ritual é a novidade abordando possessão, onde  pessoas esperam por algo que as faça sair do cinema tremendo de medo e que não consigam dormir a noite.

Michael Kovak (Colin O’Donoghue)  em uma tentativa de fugir do destino de seguir a carreira imposta por sua família, ser um agente funerário, vira seminarista. Apesar de não deixar o seu ceticismo de lado, Kovak acaba indo a Roma para um curso sobre os rituais de exorcismo. Cético quanto a tudo, Kovak é apresentado ao padre Lucas(Anthony Hopkins), o maior exorcista do país que mostra a ele como funcionam os exorcismos.  Relutante, Michael terá que decidir no que realmente acredita, tendo sua fé testada em meio à possessões demoníacas.

O Ritual está longe de ser um terror assustador, apesar disso consegue ser um bom filme.  O modo usado para assustar o espectador é sutil dando preferência mais para o significado do exorcismo do que para o ato (vide o primeiro exorcismo mostrado no filme que até rende uma piada com O Exorcista). O sentido de exorcizar é o foco, já que a principal intenção do filme é mostrar a fé e o ateísmo, sendo o primeiro representado por Lucas e o segundo por Kovak. Esta batalha define boa parte do filme, dando ênfase para os diálogos, que representam o grau de crença de ambos os personagens.

O roteirista Michael Petroni, consegue mesclar suspense e  terror por boa parte da trama, mostrando competência. Ele erra ao não deixar o espectador tirar sua própria conclusão sobre os possuídos, se eram doentes ou estavam com o demônio no corpo, o que compromete o final do segundo ato, mas é corrigido na metade do terceiro.

Anthony Hopkins tem grande parte do mérito em relação à qualidade da película, já que sua atuação consegue segurar o filme nos momentos em o roteiro  falha. Hopkins faz um trabalho esplendoroso ao dar um ar cansando ao seu personagem, acrescentando ainda um humor sagaz que aparece até mesmo nas horas de terror, dando um toque diferente ao filme.  Hopkins ainda consegue eclipsar o novato Colin O’Donoghue , que demostra grande potencial interpretando a tristeza e ateísmo que envolve Kovak de uma forma simples. Completando o elenco temos a talentosa Alice Braga, que pouco aparece mas demonstra o porquê de ser a atriz brasileira mais talentosa dos últimos anos.

Mikael Håfström faz um serviço pontual usando o básico que se deve ter em um filme de exorcismo: uma fotografia mais escura e trilha tensa, nada inovador que o torne um diretor brilhante neste gênero, com o qual está acostumado visto que dois de seus quatro longos anteriores são suspenses. Håfström erra ao aplicar rasamente uma simbologia, como usar gatos (que sempre representam o mal ou azar, cães e gatos, por exemplo) ou mostrar a cidade do  Vaticano distante, que teria como função dar ênfase no suspense e no questionamento do espectador, mas acaba cedendo e sendo usada para aplicar sustos baratos. Outro ponto falho do filme é insistir em criar um vinculo usufruindo velhos hábitos de mostrar uma citação de uma pessoa religiosa (neste caso, João Paulo II) e de martelar que é inspirado em um fato real, algo que só serve para criar um hype para o público e mostrar certa desconfiança de Mikael sobre o próprio longa.

O Ritual consegue funcionar apesar das falhas que apresenta, acerta em não querer ser ambicioso demais e tentar se tornar um clássico no gênero. Se filmes sobre exorcismo se firmarem na moda, que sejam do estilo deste ou melhor, afinal em uma época em que vampiros afeminados tomam conta do mercado, um terror sempre cai bem, ainda mais envolvendo exorcistas.

  

Poltronas 

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