O Sétimo Filho

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Enviado por Rafael em qua, 03/11/2015 - 18:21

Todo mundo curte uma boa fantasia medieval.

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Ok, nem todas as pessoas do mundo devem gostar, mas tirando esta parcela da sociedade que não tem imaginação e coração, a maioria das pessoas se diverte vendo um bom filme de espada e escudo. Especialmente nerd/grupo/estereótipo social no qual me incluo. E como não gostar?  Este subgênero é rico em gerar histórias extraordinárias ao apresentar mundos fantásticos, onde as regras e valores do nosso mundo não parecem reger qualquer influência.  Skyrim, Game of Thrones, Caverna do Dragão, o universo criado por Tolkien (O Senhor dos Anéis/ O Hobbit) e inúmeros jogos de RPGs são só alguns dos universos gerados por esta mesma ideia de um mundo primitivo com uma diversidade de seres e criaturas.  O Sétimo Filho é mais um exemplo de projeto que se enquadra neste subgênero, porém não é dos melhores.

Adaptado da obra (Déjà Vu?) de por Joseph Delaney, O Sétimo Filho (The Seventh Son, 2014) narra a história de Thomas Ward (Ben Barnes) que é escolhido para ser aprendiz do Caça-Feitiço Gregory ( Jeff Bridges) por ser o sétimo filho de um sétimo filho (e agora?).  O jovem precisa aprender a dominar a arte de caçar criaturas mágicas sobre a ordem do impaciente Gregory, gerando uma relação complicada entre aprendiz/mestre (e agora já se lembrou de algo?).  Ambos precisam unir as forças para deter uma antiga paixão de Gregory, a feiticeira Malkin (interpretada por Julianne Moore), que pretende lançar uma maldição sobre o mundo.  Ao mesmo tempo, Thomas conhece a jovem bruxa Alice ..... e é exatamente como você está pensando. Sim, eles vão se apaixonar mesmo contra os avisos de Gregory e viver um amor-proibido.

Caso não tenha ficado claro no parágrafo anterior, O Sétimo Filho é incrivelmente clichê.  Não seria um problema usar clichês caso eles fossem usados de uma forma decente, combinando um pouco de originalidade para gerar um produto com um diferencial dos demais, mas não é o que ocorre aqui.  É a mesma coisa que vimos em outros tantos filmes de fantasias. O escolhido, o mestre ranzinza que no fundo tem um bom coração, o amor proibido, a inevitável traição, etc. O filme abraça todas estas escolhas comuns de outras obras, sendo uma experiência monótona.

E não deixa de ser surpreendente que o talentoso Steven Knight, diretor e roteirista do ótimo Locke (Locke, 2013), tenha se envolvido na elaboração de um roteiro tão fraco, com personagens tão fracos e mal construídos. Personagens pobremente escritos não faltam em O Sétimo Filho. Ao começar com o protagonista, que apresenta tanta personalidade e expressões quanto uma vassoura. Estou ciente de que a comparação é terrível, mas bastante válida. Se tirar o ator e colocar uma vassoura, o resultado vai ser o mesmo. Ben Barnes nem tenta sair da mesmice, fazendo com que Thomas seja apenas mais um protagonista de uma adaptação de um livro.  Nem o fato de ele ser o escolhido por uma razão (que nunca é justificada) parece ser um importante fator na criação do personagem. 

A atuação do ator fica ainda mais apagada quando comparada com a do veterano Jeff Bridges e isso não é algo bom como deveria soar.  Tentando parecer como um mentor rabugento que está constantemente bêbado, Bridges está mais constrangedor do que risível.  Mesmo sendo tão carismático, o ator não consegue imprimir isso em Gregory e soa irritante pela maior parte do tempo. Depois do fracassado O Doador de Memórias (The Giver,2014), talvez seja hora de parar de se envolver com adaptações de romances infanto-juvenis. 

O resto do elenco entra em tela tão esquecível quanto sai. Julianne Moore soa perdida em um filme com um nível tão baixo de qualidade, única justificativa aceitável para a participação dela é que todo mundo precisa pagar as contas (e não! Não temos referencias ao O Grande Lebowski, algo que poderia redimir o filme). Djimon Hounsou entrou em uma de interpretar capangas e faz a mesma coisa que fez em Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014). Olivia Williams e Antje Traue têm tão pouco tempo em tela que é um milagre que os subplots que envolvem seus personagens não tenham sido cortados na sala de edição. Arrisco dizer que o diretor Sergey Bodrov chamou tantos atores famosos para fazer com que nos importemos pelos personagens por causa de suas contrapartes na vida real, porém isso não funciona.  

Com personagens tão desinteressantes, as cenas de ação acabam sendo desinteressantes, não só por nunca haver um perigo real para os personagens como dá para prever o que vai ocorrer em cada cena tamanha a já citada previsibilidade do filme.  Sabe as cenas de ação de um filme tedioso que tu tenta ficar acordado? É o mesmo que acontece aqui.

Se apoiando ainda em aceitáveis efeitos especiais e design de criaturas, O Sétimo Filho acaba sendo apenas mais uma adaptação de livro para adolescentes. É assistível, mas a falta de novidade e criatividade o condena ao esquecimento.  Para um universo fantástico faltou justamente o fantástico e o fantasioso.  Se precisássemos de um filme tão chato que usa um universo medieval como base, teríamos ficado com Eragon (Eragon, 2006) e isso diz bastante sobre o filme de 2014.

Poltronas 

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