O Vendedor

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Enviado por Luciana em dom, 01/15/2012 - 15:33

O cinema canadense tem nos proporcionado excelentes filmes nos últimos anos: Incêndios (Incendies, 2010), Eu Matei Minha Mãe (J'Ai Tué Ma Mère, 2009) e A Minha Versão do Amor (Barney’s Version, 2010) são alguns desses casos. Ocorre que O Vendedor (Le Vendeur) novo longa vindo de lá, dirigido e roteirizado pelo estreante Sébastien Pilote, fica um tanto atrás em qualidade.

De imediato, em sua cena inicial e ainda antes da apresentação do título do filme, observamos sem maiores explicações um guincho remover um animal morto em um acidente à beira da estrada. Pouco tempo depois o foco é outro, um carro acidentado. Esse é o ponto de partida para a história que acompanharemos ao longo das quase duas horas do filme. 
 
Em uma cidade assolada por um inverno extremamente rigoroso, onde a neve marca sua presença em toda e qualquer superfície à mostra vive Marcel Lévesque (Gilbert Sicotte), um homem de 67 anos que nem de longe pensa em se aposentar.
 
 
Marcel por 16 anos consecutivos é considerado o melhor vendedor da loja de automóveis da cidade. Seus métodos, suas artimanhas para a venda são parte de seu sucesso e nada parece capaz de abalar tal estrutura construída ao longo dos anos. Suas outras únicas paixões são a filha Maryse (Nathalie Cavezzali), dona de um salão de cabeleireiros e o neto Antoine (Jeremy Tessier), garoto inteligente, além de promissor jogador de hóquei.
 
Morando em frente ao estabelecimento, o vendedor faz de seu emprego sua vida, é o primeiro a chegar e o último a sair da loja. E, por mais que a filha ou o neto, ou mesmo seus colegas de trabalho o incentivem a parar, a se aposentar e descansar, esse não é seu objetivo. Seu trabalho é o que torna seus dias necessários, e se fazer presente dentro deste ciclo é de vital importância para ele, seja vendendo, seja auxiliando na retirada da neve que se acumula por sobre os carros.
 
 
O rigoroso inverno poderá trazer sérias consequências, dentre as quais a falência da principal empresa da região, deixando a economia abalada e com ela sua população local. E neste ponto reside o principal problema do roteiro de Sébastien, pois insiste a todo o momento em colocar tal fato em cena, quebrando a narrativa desnecessariamente, visto que obviamente o foco do filme não é esse, e sim a vida de Marcel.
 
A direção de fotografia de Michel La Veaux não encontra muita opção em um cenário assim, mas por mais que a paisagem praticamente não mude, ele consegue fazer um bom trabalho, entregando belas tomadas em que a neblina e a nevasca são os principais elementos na tela. Os sons diegéticos são bem utilizados e de grande importância para o conjunto da obra, tais como do vento e da neve.
 
No tocante às atuações, Gilbert Sicotte empresta ao seu personagem exatamente o que ele precisa, entregando Marcel como uma pessoa reservada, sem maiores ambições além de seu trabalho e quase livre de expressões. São poucos os momentos em que o vemos sorrir ou demonstrar algum outro tipo de emoção. E em determinado momento esperamos que ele tome a decisão correta, pois é o personagem por quem torcemos e percebemos as poucas coisas que lhe trazem um pouco de alegria e determinação. Em contrapartida o elenco de apoio se mostra no limite, sem maiores destaques, já que permanecem menos tempo em cena.
 
 
O Vendedor é um filme fraco? Sim, mas com alguns pontos a favor. Talvez a história de vida, e por que não dizer de superação de Marcel, empreste certo carisma ao projeto, fazendo com que não seja de todo ruim, que tenha sim seus momentos previsíveis e descartáveis, mas que ao final da projeção não deixa a sensação de tempo desperdiçado. 

Poltronas 

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