Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (Suécia)

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Enviado por Luciana em qua, 01/25/2012 - 22:30

Stieg Larsson provavelmente não imaginou o sucesso que fariam os seus livros da Trilogia Millennium quando os escreveu. Ou pode ter imaginado. O fato é que seus livros já venderam mais de 60 milhões de cópias em todo o mundo, desde que o primeiro volume foi lançado em 2005 (em 2008 no Brasil).

A primeira adaptação para os cinemas de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres foi em 2009, pelo diretor Niels Arden Oplev (To verdener, 2008). Essa versão sueca é extremamente fiel ao livro, com poucas alterações e algumas inclusões que só fizeram melhorar a qualidade do projeto. Foram lançados também os filmes A Menina que Brincava Com Fogo (Suécia, 2009) e A Rainha do Castelo de Ar (Suécia, 2009), ambos dirigidos por Daniel Alfredson, e excelentes filmes, que infelizmente não chegaram aos cinemas brasileiros. Agora em 2012 teremos a versão de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres dirigida pelo sempre versátil David Fincher, o que de antemão já nos garante boa parcela de sucesso do projeto. Mas, enquanto isso, vamos ao excelente filme de Niels, com suas tramas para lá de envolventes.
 
Jornalista e um dos sócios da Revista Millennium, Mikael Blonkvist (Michael Nyqvist) é condenado por difamar Hans-Erik Wennerström (Stefan Sauk), nome importante no mundo das finanças. Paralelamente às investigações deste caso, Mikael é investigado por Lisbeth Salander (Noomi Rapace) a pedido do empresário Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube). Henrik acredita que sua sobrinha Harriet foi assassinada e que Mikael é capaz de lhe ajudar a desvendar o caso. O empresário o contrata e o convida a passar um período na Ilha Hedeby, local onde reside boa parte da família Vanger.
 
 
Mikael aos poucos vai se infiltrando nas teias da família, e com a bem-vinda e inesperada ajuda de Lisbeth se deparam com uma série de crimes hediondos que eles acreditam ter tudo a ver com o sumiço de Harriet. Calcado no suspense que se cria, Niels nos conduz aos mais obscuros segredos e revelações. E Lisbeth é de grande importância na trama.
 
Em contrapartida a garota se encontra em situação nada confortável com seu tutor Nils Bjurman (Peter Andersson), que se aproveitando do fato da tutela, tenta manipular a garota. Lisbeth é uma figura incrível na história, e as pistas deixadas pelo excelente roteiro de Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg para a sequência são de extrema importância, já que nas duas continuações a protagonista tem muito mais espaço do que nessa primeira parte da história. É claro que este filme funciona perfeitamente bem sozinho, mas suas continuações agregam fatos importantes à trama, a fim de que conheçamos melhor Lisbeth. É inevitável que eu fale das continuações, pois para mim esta é uma trilogia fantástica. Tanto os livros, quanto os filmes são impecáveis.
 
 
Ainda no tocante ao roteiro, Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg foram extremamente eficazes ao escrevê-lo, pois não deixam pontas soltas, alinhavam a trama de forma envolvente e ainda, contando com a excelente montagem de Anne Østerud fazem com que tenhamos vontade de ver e rever o filme, tamanha a satisfação que temos ao assisti-lo. Palmas também para os diretores de fotografia Jens Fischer e Eric Kress, pois cada plano parece ter sido alinhado à sua luz exata, visto o resultado esteticamente perfeito que temos.
 
Vale ressaltar as excelentes atuações de Michael Nyqvist e Noomi Rapace, sendo que esta última merece ainda mais destaque. Como Lisbeth, uma hacker perturbadíssima, mas extremamente eficiente, Noomi parece ser a própria, tamanha a versatilidade e entrega da atriz ao papel. O olhar penetrante de Lisbeth e sua conduta um tanto quanto duvidosa só fazem com que simpatizemos ainda mais com ela. A atuação de Tauber como o patriarca da conturbada e extensa família Vanger também está impecável, da mesma forma que as atuações mais secundárias também não deixam a desejar.
 
 
Passando ao que diz respeito à trilha sonora, as composições de Jacob Groth são incríveis e se encaixam de maneira absoluta ao filme, não aparecendo somente nos momentos mais importantes, mas estando presentes em quase toda a obra, fazendo com que mesmo depois de terminado o filme ainda tenhamos vontade de continuar a escutá-la. Aliás, os três filmes contam com a música de Jacob Groth, mais um motivo para procurar assistir às continuações.
 
A inserção de imagens adicionais em meio à linearidade com que é apresentada a história, ou os poucos flashes apresentados não comprometem em nada o projeto, ao invés disso somam qualidade ao longa. O tempo passa de forma quase que despercebida enquanto os acontecimentos vão-se apresentando naturalmente aos olhos do espectador, tornando o filme ainda mais intenso, mesmo tendo em torno de 2 horas e meia de duração.
 
Com um terceiro ato eletrizante, o já citado excelente roteiro nos entrega um final coeso e crível, amarrando todas as pontas e nos colocando diante dos olhos o resultado das ações dos personagens e de suas escolhas, deixando claro que cada um deles agora deve seguir no caminho que escolheu e colher os frutos de suas ações, sejam eles bons ou “podres”.
 
É de se pensar que Stieg Larsson – caso estivesse vivo – aplaudiria de pé o resultado da adaptação de sua obra, assim como fez José Saramago ao assistir a Ensaio Sobre a Cegueira. Aguardemos agora pelo filme de Fincher, a fim de nos deleitarmos novamente com esses complexos e intrigantes personagens.
 

Poltronas 

5

Comentários

imagem de Angela Machado Barcelos

Enviado por Angela Machado ... (não verificado) em seg, 01/02/2012 - 17:29

Realmente maravilhoso. Assisti ao primeiro filme sueco depois de ler os livros. Aliás recomendo os livros. A leitura é viciante. O primeiro li em um dia e meio. Não dá para largar.

imagem de K-Jú

Enviado por K-Jú (não verificado) em sab, 01/14/2012 - 13:38

Realmente o fime ficou muito bom. Quero ver os americanos conseguirem fazer melhor... acho que vai ficar no pareo.
Abraços!

imagem de Giordano

Enviado por Giordano em ter, 01/31/2012 - 03:49

Já comentei outras vezes que não acho a versão sueca grande coisa. Posto aqui um comentário meu numa discussão sobre a comparação entre os filmes.

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Na versão sueca, o roteiro me parece mais seduzido pelo "modismo" ao redor dos bestsellers, e por isso mais preocupado em criar um personagem marcante do que um personagem consistente.

A Lisbeth sueca é uma figura graficamente interessante, conceitualmente expressiva, mas me parece muito bidimensional, quase como uma heroína de quadrinhos da era de ouro dos gibis (num contexto muito mais violento e pesado, é claro).

Enquanto a Lisbeth da versão do Fincher mantém todos as qualidades que a personagem teve, mas com outros níveis de leitura. Muito mais do que um personagem "justiceiro", é uma personagem essencialmente defensiva, o que mostra ao mesmo tempo a força e a fragilidade dela. E isso aparece em várias sutilezas na atuação de Rooney Mara.

"

imagem de Ghuyer

Enviado por Ghuyer em ter, 01/31/2012 - 04:07

Poucas vezes concordei tanto com o Giordano, hhehehe

E que atuação da Rooney Mara-vilhosa mesmo - para fazer uso de um trocadilho infame, mas obrigatório (momento Ghuyer encarnando o espírito do André).

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