Os Muppets

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Enviado por Luciana em sex, 12/02/2011 - 08:33

É notório que a produção em Hollywood carece de novas ideias, e que até em função disso acabem surgindo com maior frequência filmes novos de ideias velhas, mais e mais obras com as tão surradas fórmulas de tentar atrair o grande público, deixando de lado aquilo que deveria ser o principal, a qualidade do projeto. Além disso, nos últimos tempos, temos presenciado um número cada vez maior de remakes, o resgate de obras clássicas ou até medianas, ruins e com o pretexto de realizar algo contemporâneo, trazendo o mais do mesmo para as telas. Assim, restaurar um projeto com os personagens de personagens criados por Jim Henson nos anos 50 era algo um tanto quanto arriscado, justamente pela chance de vir a cair na “vala comum” já citada. Mas, felizmente o que se vê em cena é diferente disso tudo: dirigido por James Bobin e roteirizado por Jason Segel e Nicholas Stoller, Os Muppets é engraçado no que se propõe, inteligente para crianças e adultos e por que não dizer emocionante, tão emocionante como poucos filmes infanto-juvenis lançados recentemente.

Gary (Jason Segel, quando adulto) e seu irmão Walter (aqui a inteligente introdução de Walter como um Muppet) cresceram assistindo aos VHS’s dos programas dos Muppets, e Walter é tão fã dos carismáticos bonequinhos de feltro que em tudo e por tudo que é seu podemos ver sinais deles. Eles vivem em Smalltown, um vilarejo dos EUA, seus habitantes são muito alegres e todos se conhecem. Gary e sua namorada Mary (Amy Adams) viajam para Los Angeles a fim de comemorarem seu aniversário de namoro, e como os irmãos são inseparáveis, acabam por levar Walter junto.
 
  
 
O primeiro local a ser visitado na cidade é o antigo Estúdio dos Muppets. Nesse momento, um misto de nostalgia e choque toma conta de Walter, muito pelos memoráveis shows ocorridos no passado, mas principalmente ao perceber que o local está abandonado e praticamente em ruínas. Sensibilizado pelo que acaba de presenciar, Walter resolve entrar no escritório de Kermit, o Sapo (nosso querido Caco) e sem querer descobre os planos do diabólico Tex Richman (Chris Cooper, em excelente atuação), que pretende destruir completamente as instalações do Estúdio para dar razão a outros fins lucrativos. 
 
 
Assim, nada mais correto que encontrar e “despertar” os Muppets para tentar impedir tal ato, começando por Kermit. Aqui, e em outro momento anterior o roteiro (que, diga-se de passagem, é muito feliz em confiar na inteligência no espectador e saber que ele reconhecerá todo o carisma dos Muppets e sua importância para aqueles personagens, não perdendo tempo com maiores apresentações para a plateia) se utiliza de um artifício interessante, uma quebra de expectativa por assim dizer, onde o que pensamos ser uma coisa se revela ser outra bem diferente. Os detalhes da casa de Caco são incríveis, e nada é desperdiçado no que diz respeito a fazer música, tudo é motivo de novos números musicais, outro acerto do roteiro. Aliás, o filme se utiliza muito desse recurso, o que funciona com perfeição. 
 
 
O resgate dos Muppets espalhados rende boas cenas e muitas risadas. A cena da Montagem é no mínimo genial! E o que dizer da Viagem de Mapa? Riso e lágrimas podem se misturar nesses (e em vários outros) momentos. Um personagem que tenho como extremamente carismático, apesar de seu “jeitão” amalucado é Animal, que no momento do resgate se encontra em uma ”reunião de controle de raiva”, juntamente com seu tutor Jack Black, uma entre tantas outras participações, tais como Rashida Jones, Whoopi Goldberg, Selena Gomez, Neil Patrick Harris e também Dave Grohl, que faz uma parceria com o Urso Fozzie. Vale comentar que algumas dessas participações rendem cenas hilárias, das quais destaco Emily Blunt se deixando satirizar no primeiro grande papel de sua carreira, contracenando com nada menos que a durona e elegante Miss Piggy (não me cabe aqui revelar como se dá o momento, mas o espectador mais atento irá identificar na hora o papel da porquinha, e qual filme é a referência inevitável).
 
 
Tendo em seu terceiro ato a ação dos Muppets de tentarem salvar o Estúdio, o que observamos em cena é muito mais do que um show, é perceber como pequenos bonecos de feltro podem nos sensibilizar tanto, a ponto de nos emocionarmos com eles e ainda recebermos o terceiro melhor presente do mundo. É incrível como conseguem transmitir através do “olhar”, dos gestos e das expressões faciais dos bonecos os seus sentimentos e o que pensam. Eles parecem realmente ter vida. 
 
O roteiro tem seus pontos máximos em cenas como na canção “Man or Muppet”, ou quando centrado em um momento chave para Walter, e na máxima de apresentar a canção mais famosa de Os Muppets de uma forma totalmente renovada e emocionante. E por que não dizer engraçada? O enredo é verossímil e plenamente aceitável naquilo que se propõe, mesclando lembranças do passado misturadas ao mundo atual, onde os nossos queridos Muppets se encontram novamente para tentar resgatar toda a glória que nunca lhes deveria ter sido tirada. 
 
 
Os Muppets é um filme lindo, divertido, inteligente, emocionante e para todas as idades. É gratificante ver resgatados personagens tão queridos e engraçados em meio a tantos filmes sem sentido do mesmo gênero que vemos por aí todos os dias. É uma renovação para o espírito assistir a um filme como esse, não percam essa oportunidade e... Mahna Mahna para todos!
 
 
Obs.: Precedendo o filme temos a apresentação do novo curta da Pixar Small Fry, que traz os conhecidos e queridos personagens de Toy Story em uma situação totalmente inesperada, onde Buzz Lightyear se vê esquecido em meio a um grupo de apoio (tipo o AA) para brinquedos descartados. 
 
 
Atualização: (Cuidado, tem SPOILERS! Se preferir leia depois de assistir ao filme)
 
Depois de rever o filme na versão dublada resolvi retornar aqui e comentar a respeito. A dublagem é péssima, infelizmente. Segue abaixo alguns pontos importantes que diferem uma versão da outra (e que fazem grande diferença, em minha opinião):
 
1. Algumas piadas perderam completamente o sentido, pois foram dubladas pela metade, como é o caso da cena da fábrica de privadas do Gonzo, onde alguns personagens estão bem acomodados sentados nas privadas:
- Na versão dublada temos: “Essa é a nossa linha executiva de privadas”. 
- Na versão legendada temos: "Essa é a nossa linha executiva de privadas recilcladas”.
 
2. As canções em geral são mais bonitas e melodiosas no áudio original, mas a "Man os Muppet" teve seu sentido alterado.
 
3. A conversa entre Miss Piggy e Kermit, quando eles passeiam pelas ruas de Los Angeles, teve certa frase com sentido totalmente alterado:
- Na versão dublada temos: Miss Piggy: “Eu construí uma casa para nós”; e Kermit: “E quem passou todos esses anos procurando?”
- Na versão legendada temos: Miss Piggy: “Eu construí uma casa para nós”; e Kermit: “E quem passou todos esses anos cuidando da casa?
 
4. A cena da "barbearia" com Jack Black ficou mais fraca em função de parte das falas terem sido suprimidas na dublagem:
- Na versão dublada temos Jack Black falando algo como: “Vocês estão destruindo a melhor canção de todos os tempos”.
- Na versão legendada temos Jack Black falando algo como: “Isso é Nirvana?!? Vocês estão destruindo a melhor canção de todos os tempos”
 
5. A cena do pedido de casamento de Gary a Mary no final do filme tem melhor "sonoridade" no áudio original, ficando até engraçada. Pois ele diz algo do tipo: "Mary, marry me?"
 
Enfim, apenas algumas diferenças que lembro agora e que julguei ser importante comentar.

Poltronas 

5

Comentários

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Enviado por Ghuyer em sex, 12/02/2011 - 13:40

Não consigo acreditar que alguma coisa com os Muppets possa ser tão boa.. Vou ter que "ver para crer", rsrsrs

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Enviado por Maza em sex, 12/02/2011 - 14:36

Seguindo a ideia de que filmes 'supostamente' infantis devem ter suas versões dubladas em sua maioria, aqui em Porto Alegre não foi diferente. Mesmo que alguns jornais tenham divulgado que na cidade teremos cinemas exibindo a versão legendada, a Luciana ligou para essas salas e elas afirmaram que a mídia divulgou de forma errônea, que as salas irão exibir a versão dublada. Com isso, temos mais um exemplo da falta de respeito com o público, em simplesmente lançar versões dubladas e não dar chance de escolha pelo áudio original. Esse ano lembro de Enrolados e Smurfs, lançados aqui apenas dublado. E pelo visto Muppets também. E o mais bizarro: na versão cabine de imprensa foi legendado...ora, se recebemos uma versão legendada e a mesma foi exibida...nada mais justo que tal opção ser oferecida ao cliente. Não queremos apenas versões legendadas, não chegamos a esse ponto. Mas queremos sim poder ver o filme com o seu formato original, só isso. Não é pedir muito, é direito da plateia.

Saudações

p.s: Happy Feet estreou em diversos cinemas e em apenas uma sala, em apenas um horário (21h50) ele está sendo exibido com seu áudio original...já basta pois assim o público pode escolher, mesmo que de forma quase que restrita, pelo formato original do filme.

imagem de Ghuyer

Enviado por Ghuyer em sex, 12/02/2011 - 15:22

A última animação que lembro de ter opção legendada foi Como Treinar Seu Dragão.. e também só sessões perto ao após as 22h.

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Enviado por Maza em seg, 12/05/2011 - 09:37

Muito válido o post. É comum falarmos que o original é sempre melhor mas poucos são os que conseguem falar isso com a propriedade de terem avaliado as duas versões e melhor, em pequeno espaço de tempo. De fato, algumas partes na versão dublada soaram fracas, na versão original devem ter mantido seu real valor.

Enfim, é um filme para rever, seja nos cinemas com versão legendada (sei lá, vai que em uma segunda semana o filme venha a ser exibido também no formato original) ou depois, em blu-ray ...

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