Os Vingadores 2: Era de Ultron

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Enviado por Rafael em sex, 04/24/2015 - 00:51

Indo contra uma boa parcela, eu aprecio bastante as produções da Marvel.  São filmes divertidos com personagens interessantes que funcionam como um ótimo entretenimento. Não são perfeitos (olhando para você, Homem de Ferro 3), mas na grande maioria entrega o que promete. Então consumir este pequeno universo à la Galactus que o estúdio criou através de séries e filmes acaba sendo uma experiência que aprecio bastante, realmente soa como uma realidade paralela a nossa. Os Vingadores 2: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, 2015) é a última produção que chega aos cinemas. E, assim como o exemplar anterior da superequipe, é um formidável blockbuster, que consegue ter mais acertos do que erros.

Os Vingadores 2 continua a trama de Capitão América: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014). Sem a S.H.I.E.L.D. para ajudar, os heróis se reúnem em busca do cetro de Loki que se encontra em posse do atual líder da Hidra, o Barão Von Strucker (Thomas Kretschmann). Logo a equipe se depara com humanos alterados, os gêmeos Pietro (Aaron Taylor-Johnson) e Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen). Enquanto o primeiro tem supervelocidade, a segunda tem controle mental e telecinésia. Em meio a isso, Tony Stark ( Robert Downey Jr.) com a ajuda de Bruce Banner (Mark Ruffalo) começa a desenvolver uma inteligência artificial programada para proteger o mundo, o programa Ultron (James Spader). E (como o título entrega) isso não dá certo.

A minha breve sinopse do filme já entrega o principal defeito do filme: tem muita coisa acontecendo. Joss Whedon sabe dar uma função na trama para os vários personagens para assim poder desenvolvê-los e fazer com o que o espectador se importe e queira saber o destino de cada um deles.  Então faz bastante sentido que existam  vários subplots ocorrendo. Porém, eles não se encaixam completamente, tornando tudo bastante confuso no sentido de que não há muito tempo para digerir todas as informações que o filme manda. Há muitas informações simultâneas que acabam prejudicando o ritmo do longa, já que a narrativa é bastante quebrada por estas tramas menores (como exemplo a trama envolvendo os códigos nucleares, que é extremamente descartável). Então quando há momentos mais calmos, como determinada cena no meio do longa envolvendo o Gavião Arqueiro, eles  são muito bem vindos, não só por darem um tempo do espectador processar tudo que aconteceu, mas também para desenvolver mais os personagens.   Já os momentos mais movimentados do filme, as cenas de ação, são em sua maioria perfeitamente magistradas e empolgantes, mas tem certos momentos que elas se prolongam demais  por estarem ocorrendo várias cenas em paralelo. Então se a sequencia de abertura soa empolgante, já a perseguição em Seul soa mais como uma cena de ação obrigatória.

Joss Whedon, mais uma vez,  faz o que sabe melhor:  colocar estes personagens para interagir.  Como já dito, o diretor e roteirista sabe como trabalhar os personagens e construir os dilemas de cada um, além de estipular as diferenças e faze-los dialogá-los entre si.  Ver o grupo principal lutando e brincando juntos se torna divertido e serve como uma forma de mostrar o respeito e coleguismo deste grupo de indivíduos poderosos. Assim, quando conflitos surgem nesta equipe (sobre como lidar com Ultron e os gêmeos), entendemos o porquê.  Se o primeiro filme foi sobre a construção da equipe, Os Vingadores 2 tenta abordar como este grupo de indivíduos com habilidades especiais consegue se manter unidos e fortes.  O fato de o vilão ser uma criação por parte dos membros da equipe torna este relacionamento interessante. Já bastante acostumados em interpretar estes personagens, o elenco faz o habitual. O grande destaque vem justamente de Jeremy Renner, o único personagem que não tinha aparecido.  Não só o personagem é melhor desenvolvido dentre todos, mas como também tem ótimos momentos e é um dos personagens mais divertidos. Renner tem mais espaço para trabalhar Clint do que no primeiro filme, onde era apenar uma marionete com a função de juntar o time. 

Porém, apesar de todos os personagens novos terem uma backstory e terem arcos no filme, eles não funcionam como deveriam. Mesmo Ultron e os gêmeos tendo desenvolvimento e suas ações explicadas, ainda sim eles ficam devendo na profundidade. Por mais que os personagens funcionem narrativamente, eles nunca chegam a ser interessantes ou ameaçadores como Joss gostaria que fosse.   Justamente por nenhum destes personagens terem tido filmes antes e estarem aparecendo pela primeira vez é que a construção deles deveria se focar mais em estabelecer uma empática com o público. Isso não ocorre devido a já citada pressa do filme em amarrar todos os plots, ainda que Elizabeth Olsen, Aaron Johnson Taylor (e especialmente James Spader e Paul Bettany) se esforcem ao máximo para deixar seus personagens mais dimensionais.

Assumindo um tom mais pesado e mais maduro do que o primeiro filme, esta mudança é muito bem vinda por tornar tudo mais tenso em uma escala global dos acontecimentos. É justamente na transição para momentos mais cômicos que o filme se atrapalha: parte do humor fica muitas vezes deslocada e soando desnecessária, especialmente quando envolve Ultron.  Esta tentativa de ter várias gags não chega atrapalhar como aconteceu em Homem de Ferro 3, por exemplo, mas certamente não encaixa perfeitamente com o tom adotado pelo filme.  

Grandes blockbusters geralmente são comparados com passeios em montanhas-russas, o que faz perfeito sentido já que ambos podem provocar no público sensações como tensão, empolgação e até enjoo (franquia Transformers comprova esta última parte). Assim, Os Vingadores 2 é um ótimo passeio com diversos momentos divertidos, mas que pode ficar bastante confuso devido às diversas voltas que faz e por não ter um ritmo melhor definido.  Não é o melhor brinquedo no parque de diversões da Marvel, mas ainda sim vale o passeio pela diversão que proporciona.

Poltronas 

4

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