Padre

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Enviado por Jana em dom, 05/22/2011 - 20:48

Baseado nos quadrinhos do koreano Min-Woo Hyung, Padre conta a história de um futuro pós-apocalíptico, onde um grupo de padres guerreiros com superpoderes pôs fim à guerra que se estendia por séculos, entre humanos e vampiros. Esta guerra devastou o mundo, e quando acabada, os humanos sobreviventes foram condicionados a viver em cidades cercadas por gigantescos muros e comandadas com rigidez pela igreja, enquanto os vampiros que restaram foram levados pelos padres para viver em reservas distantes. Os padres, por sua vez, tiveram seu grupo dissolvido e foram obrigados a viver nas cidades, onde são de certa forma marginalizados, sem nunca conseguirem ter uma vida normal. A trama gira basicamente em torno de um lendário padre (Paul Bettany) que tem sua sobrinha raptada por um grupo de vampiros e que acaba por quebrar as regras impostas pela igreja ao sair da cidade para tentar salvá-la. 

O filme começa bem, quando já nos créditos iniciais somos apresentados a uma narrativa por animação no estilo quadrinhos. O que pode ser considerada uma técnica preguiçosa por muitos aqui funciona perfeitamente bem, visto que Padre provém de uma HQ. O que pode ser visto como problema na animação apresentada é que tenta passar muita informação em muito pouco tempo. E acreditem, este é apenas um dos problemas do filme, que como mencionei, começa bem, mas desanda de uma maneira a qual nem muita reza pode salvar!

O diretor Scott Stewart (que também dirigiu Paul Bettany em Legião) é um ex-técnico em efeitos visuais, o que talvez explique o fato de ele querer priorizar o aspecto visual do filme e deixar de lado os personagens e o próprio roteiro, escrito pelo estreante Cory Goodman; e mesmo parecendo ter dado prioridade ao visual, o filme falha nisto, uma vez que toda e qualquer cor parece ter sido sugada da fotografia e o efeito 3D surge para escurecê-la ainda mais. O CGI empregado na cidade futurista nos remete positivamente à cidade de Blade Runner, por outro lado, as cenas de luta não parecem reais em momento algum, e os vampiros nada mais são do que uma mistura mal feita das criaturas de O Labirinto do Fauno e Lord Voldemort, acabando por não convencer e tornarem-se até risíveis.

Talvez esteja aí o ponto mais fraco de Padre: o filme se leva muito a sério o tempo todo! Por exemplo: quando o padre prepara-se para sair da cidade, troca de roupa (longa capa preta), pega suas sagradas armas e sua super moto, e Paul Bettany mantém a expressão séria e concentrada, o que não tirou a minha vontade de rir ao ver o Padre-ninja-Hancock partindo para sua missão. E também me fez questionar o que um ator tão talentoso como ele faz em um projeto clichê desses, afinal qualquer ator poderia ter feito o papel do padre, uma vez que o roteiro jamais desenvolve nenhum dos personagens e insiste em diálogos ruins e pobres; o único personagem que possibilita ao ator uma certa liberdade para criar é o vilão Black Hat, bem interpretado por Karl Urban.

Padre termina se tornando uma obra que não cativa sua platéia pois por mais que tente, nunca entrega entusiasmo nem mesmo o suspense que promete a cada take, a cada plano e que é sempre ressaltado pela trilha sonora bastante exagerada de Cristopher Young. No fim das contas, o filme é bastante prejudicado por não ser fácil defini-lo em um gênero específico, oscilando entre o terror, ficção científica e western a todo momento, mas sem de fato deixar claro qual seu principal ponto central. O filme de Scott Stewart transforma a HQ em um projeto de pouca emoção, o que nos leva a questionar se a obra original é tão limitada quanto o projeto que observamos na tela.

Poltronas 

2

Comentários

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Enviado por Ghuyer em seg, 05/23/2011 - 18:18

Não vi o filme ainda, mas li a HQ, e posso afirmar que ela é bem mais interessante do que o filme aparenta ser. Aliás, o filme, pelo que mostra o trailer, não tem quase nada a ver com a história original da HQ. Só a caracterização do "padre" já está completamente mudada. O que me lembra o papel de Paul Bettany em O Código Da Vinci. No livro, Silas era um cara enorme, musculoso, e com cabelo comprido. A descrição do "padre" na HQ de Min-Woo Hyung é basicamente essa. Ou seja, nos dois projetos Bettany acabou interpretando personagens parecidos fisicamente, mas trucidados pelo roteiro. Uma pena.

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Enviado por Luciana em dom, 05/29/2011 - 14:23

Então, eu aguardava por esse filme desde há +- 1 ano atrás, quando assisti ao trailer pela primeira vez nos cinemas. Nunca li os quadrinhos, e de certa forma gostei do filme. Claro, poderia ser infinitamente melhor, mas gostei. Minha cotação ficou em 3 poltronas.

Acho a atuação do Paul Bettany nesse filme bem interessante (adoro o trabalho dele). E creio que não rendeu mais em função do próprio roteiro que não ajudou em nada. Em Legião também, apesar de o filme como um todo não ajudar muito, ele estava bem.

Quanto aos vampiros, poderiam realmente ser mais bem feitos. E melhor explorados. Por exemplo, já que a cena do "primeiro" ataque deles, que ocorre na casa do irmão do Padre (interpretado pelo bonitão de True Blood), seria de tal importância no filme, nada mais acertado do que terem ali o espaço que mereciam por isso.

Já filosofei demais.. hehe 

Excelente crítica, Jana!

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