Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

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Enviado por Rafael em sex, 05/20/2011 - 17:36

Desde que o terceiro filme da série Piratas do Caribe deixou o final aberto, era só uma questão de tempo para um quarto filme surgir. Não apenas pela exorbitante quantia financeira que rendeu, mas principalmente pelo carisma do pirata anti-herói Jack Sparrow, que cativou o público e rendeu uma indicação ao Oscar para Johnny Depp. Logo, não é a toa que este quarto filme use esse carisma e boa interpretação de Depp como muleta (uma perna de pau seria o termo mais apropriado) para sustentar-se pelos seus 130 minutos.

Rob Marshall assume a cadeira de diretor, lugar deixado por Gore Verbinski (diretor dos três primeiros filmes, e que realizou o brilhante Rango) neste quarto capítulo, que dando continuidade à história, começa algum tempo depois do final do terceiro filme. Após falhar na sua busca pela fonte da juventude, principalmente pelo fato de estar sem o seu amado Pérola Negra, Jack Sparrow acaba encontrando uma figura do seu passado: Angélica (Penélope Cruz), que também busca a fonte e precisa da ajuda de Jack, mesmo que este não queira cooperar, Jack então, acaba ajudando Barba Negra (Ian McShane), o pirata mais temido de todos, que também é pai de Angélica, na busca pela fonte, competindo com a marinha Espanhola e a Marinha Britânica, esta liderada por Barbossa (Geoffrey Rush), agora um corsário a serviço do rei.

Ao contrário dos anteriores, este novo exemplar da franquia coloca a aventura em segundo plano, o que interessa aqui é quanto se pode usar Jack Sparrow para conseguir riso do espectador. Algo que não seria um problema se não fosse a insistência dos roteiristas em inserirem diálogos que além de desnecessários, são inseridos inoportunamente, servindo apenas para demonstrar o quanto engraçado o personagem é, algo que fica muito visível nas cenas em que o pirata faz algum ato heróico. Esta falta de cuidado com a trama acaba ficando mais evidente à medida que o filme avança, principalmente quando a trama converte todos personagens para o mesmo lugar, mas acaba sem saber o que fazer com todos eles, alargando assim ainda mais os furos que o roteiro contém.

Sem esquecer que esta é uma continuação, o que acaba atrapalhando ao tentarem nos lembrar disso a toda hora, os roteiristas Ted Elliot e Terry Rossio empregam não só referências, mas personagens que nada mais são do que reflexos dos anteriores, por exemplo, ao invés de Elizabeth e Will com seu amor proibido, aqui temos Philip (Sam Claflin) e Syrena (Astrid Berges-Frisbey), e como outro exemplo, saem a dupla Pintel e Ragetti e entra o grupo de piratas liderado por Scrum; do mesmo modo que o próprio clima sobrenatural que se dá logo no início e em torno dos “piratas maus” (e qual não era?) provém diretamente do primeiro filme. A própria direção de Rob Marshall se mostra oca, não trazendo nada de novo, exceto pelas cenas de ação bem menos empolgantes e um número bem menor de planos gerais em torno dos navios. O efeito 3D aparenta ser mais uma imposição de Bruckheimer e Cia, visto que este, além desnecessário é repetitivo. Estas falhas são compensadas pela trilha sonora brilhante de Hans Zimmer, que combina perfeitamente com o humor e a (pouca) aventura do filme, bem como a fotografia, que juntamente com a direção de arte captam o clima de cada navio: o obscuro barco de Barba Negra ou o limpinho e brilhante barco da marinha Britânica.

Ao ter que aguentar a pressão de sustentar o longa, Jonhy Depp consegue se sair excelente, mesmo que isso não seja grande novidade. O modo como constrói a moral do personagem consegue beirar o brilhantismo, a ponto de nunca conseguirmos prever o seu próximo ato, porém acaba sendo sabotado pelo roteiro, que insiste em transformá-lo em uma cópia de Indiana Jones. Ainda trazendo todos os modismos os quais estamos acostumados, seja a maneira de andar, os olhos arregalados e a fala estranha, Depp consegue, mais uma vez, transformar o personagem em um ícone.

Não muito atrás vem Rush, que consegue com todo seu talento roubar a cena muitas vezes, surgindo para completar Depp em cena, dando uma certa dimensão para seu Barbossa, que nada mais é do que um “real pirata”; mas elogiar Rush é como chover no molhado. O restante do elenco faz o que pode, já que ao contrario de Rush e Depp, não têm muito espaço para criar. Penélope Cruz se sai relativamente bem no papel, mesmo que esteja ali mais pela beleza do que talento, imagino que outra atriz poderia substituí-la sem erro. McShane também sofre do mesmo problema, não podendo ir muito além do que lhe é proposto, o que acaba gerando um vilão beirando a caricato. Alem disso Kevin McNally consegue ganhar mais destaque interpretando Mr. Gibbs, fazendo por merecer tal destaque.

Mesmo tendo bons momentos, que também resultam das participações especiais de Keith Richards e Judi Dench, Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas termina  por ser somente mais um filme, visto que não cria uma identidade própria, causando um grande Deja Vú, seja por usar duelos de espadas parecidos com os anteriores ou criar um figurino sem grande diferença de um grupo de personagens para outro. Apesar de deixar algumas pontas soltas em forma de perguntas sobre o destino de alguns personagens para se fazer um novo filme, a real pergunta que fica é se Depp não retornar, não irá a franquia afundar (com o perdão do trocadilho)?

Obs.: Existe uma cena pós-créditos que apesar de não ser relevante para o filme e sim para o futuro da franquia, não deixa de ser engraçada. 

Poltronas 

3

Comentários

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Enviado por Ghuyer em sab, 05/21/2011 - 13:03

Muito legal tu ter citado o trabalho do ator. Ninguém se lembra dele (até eu não o mencionei na minha crítica), mas o cara é fundamental para o Jack Sparrow funcionar, além de divertido por si.

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Enviado por Rafael em sab, 05/21/2011 - 18:50

Eu gosto muito do personagem e do ator. Ele e Jack, por acaso, me lembram muito Capitão Gancho e Mr. Smith, só que mais engraçados e inteligentes, é claro. Alias uma das cenas realmente engraçadas do filme é o final em uma cena que aparenta ser puro improviso.

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Enviado por cleber.neitzke em ter, 06/21/2011 - 12:30

Tive uma sensação de Déjà vu quase que o filme todo. Mas não esperava nada diferente e queria ver isso, uma recriação das melhores cenas dos primeiros. 

Recomendo, gostei bastante do filme.

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