Rango

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Enviado por Jana em dom, 03/13/2011 - 21:40

Confesso que quando vi o trailer de Rango pensei em se tratar de mais um filme de animação com personagens fofinhos e mensagem positiva. Fui ver e constatei que a animação é perfeita. O filme traz sim suas mensagens positivas, e quanto aos personagens fofinhos, bem, leia mais abaixo. O fato é que Rango definitivamente não é “mais do mesmo”, nunca vi um filme como este!

A história parece simples: um solitário camaleão doméstico, que foi criado em um aquário e usa camisa Hawaiana, é perdido na estrada enquanto viajava no carro de seu dono. Após o acidente ele se encontra no deserto Mojave e então caminha para a cidade sem lei de Dirt, onde é tido como herói e também a última esperança da população para resolver o seu problema, o que faz Rango, por sua vez, questionar sua própria identidade. Mas a palavra “simples” não se aplica a, sequer, uma cena de Rango.

Dirigido por Gore Verbinski (Piratas do Caribe 1, 2 e 3, O Sol de Cada Manhã, O Chamado) e escrito com originalidade por John Logan (O Gladiador, Sweeney Todd, O Aviador, O Último Samurai), Rango nos é entregue como um filme de ação bem estruturado, bem humorado e com bastante energia, recheado de boas atuações e muitas referências aos clássicos filmes Western de Hollywood.

Na abertura já somos surpreendidos por uma banda mariachi formada por quatro corujas que nos recepcionam e constantemente quebram a quarta parede ao conversar diretamente com a audiência, são elas que narram a história. A banda então canta sobre o camaleão, que é logo mostrado em seu aquário encenando uma história criada por ele e co-estrelada por alguns de seus brinquedos e, até mesmo, um inseto morto, dando a idéia de o quanto só é o lagarto que até então não menciona seu próprio nome. Johnny Depp faz o papel do camaleão e atua na película com a devoção que geralmente desenvolve seus personagens, sendo assim, foi a escolha perfeita para este.

Na animação, o camaleão é jogado para fora do carro em que viajava após ocorrer um acidente na estrada. Ele cai batendo e trombando em vários outros carros e quase é atropelado por Raoul Duke e Dr. Gonzo de Medo e Delírio em Las Vegas (1998), referenciado nesta cena. Ele logo se encontra perdido e sozinho no meio da estrada, sem água e exposto ao sol escaldante. É então que encontra um tatu, também atropelado, Roadkill (Alfred Molina), que o aconselha a andar até Dirt para que encontre água. No caminho conhece Beans (Isla Fisher), que lhe dá carona até quase entrar na cidade. Rango aprende que não existe água em Dirt (onde a mensagem ecológica começa a ser introduzida), e é ai que a aventura realmente começa a acontecer.

Diferentemente de qualquer outro personagem da Disney, Pixar ou Dreamworks, Rango não é bonitinho e fofinho (o que parece ser critério para qualquer filme de animação Hollywoodiana), mas sim magrelo, feio e desajeitado, esquisito assim como todos os outros personagens no filme. Sim, todos são visualmente feios, Beans lembra Jar-Jar Bins de Star Wars, e Priscilla (Abigail Breslin), a única personagem criança e que, portanto, espera-se que seja bonitinha, mas não é. Ao mesmo tempo em que não são fofinhos, os personagens apresentam uma certa doçura percebida e desenvolvida ao decorrer do longa.

Tendo Rango este visual tão diferente, é de se aplaudir em pé o trabalho da Industrial Light & Magic (fundada por George Lucas), pelo superior trabalho de animação feito com criatividade e cuidado, pois os detalhes vistos em cada frame da animação são maravilhosos! Preste atenção em Rattlesnake Jake (Bill Nighy), por exemplo, e perceba como cada escama se mexe, assim como o medo que dá de olhar em seus olhos.

Não acredito que Rango seja uma obra para crianças, embora tenha classificação livre, pois como falei dos personagens, eles podem chegar a assustar os pequenos. O filme também é mais longo do que os do seu gênero, mas as surpresas e o visual diferente podem atrair.

Vale a ressaltar que vi a versão legendada, e neste filme especialmente tem seus prós pelo sotaque, expressões e obviamente pelas interpretações.

Rango é maravilhoso e impressionantemente diferente. Recomendo!

Poltronas 

5

Comentários

imagem de Cleber

Enviado por Cleber em seg, 03/14/2011 - 11:20

O que mais me chamou a atenção neste longa foi a qualidade das animações. Os detalhes de cenário e o capricho nos coadjuvantes, que quase me fez esquecer dos problemas na formação do personagem principal. Os personagens tem uma feiura tão real que parece bonita, e a que mais me impressionou foi a cascavel, que confesso não ter reparado em todos os seus detalhes pela quantidade que este tinha, casa escama, movimento, sombra, poeira e tudo foi muito bem integrado e executado.

Agora a parte onde eu vou apanhar de alguns fans, mas não é um personagem para o Johnny Depp. De todos os trabalhos que eu lembro dele, são loucos e/ou muito problemáticos a ponto de todos serem caricatos. Rango é diferente, ele não é um gerador de problemas, sua função é de resolver sem causar mais, o que o torna relamente um herói.

Mas o problema de formação da personalidade do personagem não é culpa exclusiva do Depp, o roteiro não deu tempo ao personagem, não criou ambições, esqueceu de mostrar como ele sofria por não ter amigos, tive a impressão durante o filme que ele estaria muito melhor na compania do seu peixe e da sua barbie sem cabeça. 

Animação excelente, mas ainda não esta a altura de Kung Fu Panda ou Os Incriveis, animações que não tinham a mesma qualidade gráfica, mas que sobram em roteiro e construção da história.

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