Roubando Ofício - Ademar Berois

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Enviado por Luciana em sab, 11/19/2011 - 08:45

O novo filme da série de documentários Majestades Anônimas, que já contou com outros dois títulos, Vou Vender Meu Samba (2007) e Areia dos Lençóis (2009), traz agora Roubando Ofício – Ademar Berois. Todos os três longas foram dirigidos por Ana Paula Guimarães.

Enquanto Vou Vender Meu Samba é focado em Renato Borgomoni, um sambista que gravou seu primeiro CD aos 92 anos, e Areia dos Lençóis foca em uma comunidade de Lençóis Maranhenses que vive isolada de tudo o que pode ser considerado tecnologia, Roubando Ofício – Ademar Berois é um documentário relativamente curto (52 minutos) sobre a vida de Ademar Berois, um uruguaio de 77 anos radicado em São Paulo desde que ali chegou, na década de 1960, com sua esposa Celsa e seu violão, depois de uma exaustiva e longa viagem de motocicleta.
 
 
Berois é artista plástico, escultor e entalhador de madeira, além de esportista e músico-poeta. Teve uma infância difícil, cheia de privações, viveu em orfanatos, mas nunca lhe faltou amor ou a companhia dos irmãos. Na adolescência começou a trabalhar como entalhador e aos poucos foi se aperfeiçoando, para logo depois ter suas esculturas expostas nas galerias das ruas de São Paulo.
 
É interessante ver a diversidade de coisas às quais ele se dedicou e ainda se dedica. Ao falarmos de uma pessoa de 77 anos, a primeira coisa que se pensa é que não faz mais tudo o que fazia antigamente. Engana-se quem pensar isso de Ademar, que chegou para a sessão de pré-estreia do filme (no Instituto NT em Porto Alegre, em 11/11/11), lépido e faceiro com sua câmera digital em mãos, tirando fotos de tudo e de todos, e conversando com quem quer que fosse ao seu encontro.
 
 
Hoje ele ainda se dedica aos esportes, e continua produzindo as mais belas esculturas. Dedicou-se durante um tempo à fabricação de móveis, mas não móveis simplesmente, móveis extremamente bem entalhados, com inspiração Maia, Inca e Asteca.
 
O filme conta com vários depoimentos de amigos e familiares (seus filhos, principalmente), e tomadas da oficina de Ademar, onde ele aparece trabalhando em suas esculturas e, é claro, como não poderia faltar, tocando violão e cantando. Uma pessoa e tanto: inteligente e amante das coisas às quais se dedica. 
 
 
Entretanto, em meio às virtudes já citadas do projeto, é um pouco frustrante não encontrarmos no documentário as verdadeiras motivações que fizeram Berois adentrar no mundo das artes: quais são as suas maiores influências? Algum vizinho, amigo, parente, quem o influenciou no seu caminho trilhado? Mesmo estando radicado no Brasil em torno de 50 anos, quais suas lembranças (se é que elas existem) envolvendo seu ofício em relação ao seu país de origem, o Uruguai? Essas e outras questões não chegam a ser abordadas no filme, o que, se não chega a ser algo extremamente necessário, acaba deixando a sensação de que o documentário poderia ter explorado mais essa faceta, esses detalhes da vida de Berois. 
 
Depois de mais essa obra da série, esperamos que Majestades Anônimas possa em breve nos contemplar com mais um personagem tão carismático quanto Ademar Berois.

Poltronas 

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