Tomboy

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Enviado por Luciana em sab, 01/14/2012 - 02:09

Um filme pode ser concebido sob várias óticas diferentes, dependendo da intenção do diretor, a fim de torná-lo, por exemplo, menos cruel – como O Menino do Pijama Listrado, em que parte dos acontecimentos são abordados pelo ponto de vista de duas crianças – ou mais suave, mais leve, como é o caso de Tomboy, em que a história também é vista pela ótica das crianças, e neste caso são elas que comandam o filme.

 
Árvores, sol, vento e uma criança aproveitando o momento através do teto solar do carro do pai, passado por várias ruas da cidade em direção à nova casa, pois acabam de se mudar. Laure (Zoé Héran) e sua pequena, mas nem por isso menos inteligente irmã Jeanne (Malonn Lévana) aguardam pelo nascimento do irmão, já que a mãe está grávida. A família é um tanto comum, o que desperta certa curiosidade no espectador.
 
Dirigido e roteirizado por Céline Sciamma, (Lírios D’Água, 2007), Tomboy acompanha a história dessas crianças de forma quase poética e um tanto ingênua, sendo os adultos meros coadjuvantes, ao ponto de durante toda a projeção não terem seus nomes citados.
 
Laure é uma menina de 10 anos que se veste e se porta como um garoto e, em função disso, quando conhece Lisa (Jeanne Disson) – outra menina do condomínio – essa entende Laure como um garoto, que por sua vez não se preocupa em desfazer o engano. A partir daí vemos Laure se assumindo como Mickaël (nome que ela se dá como garoto) e fazendo de tudo para se parecer com um.
 
 
O excelente roteiro de Céline é complementado pelas brilhantes atuações do elenco infantil, Zoé encarna Laure com competência e segurança, mas o destaque absoluto é para Malonn Lévana, que na pele da irmã de seis anos de Laure dá um show de inteligência e cumplicidade, principalmente no momento em que precisa livrar a irmã mais velha de uma enrascada. 
 
Acompanhamos as ações dos protagonistas com a bela trilha sonora de Jean-Baptiste de Laubier, que pontuada da forma correta, traz ainda mais emoção às cenas. Aliado a isso, a fotografia de Crystel Fournier contribui de forma importante a manter o clima ingênuo e levemente despreocupado do filme. 
 
Como em toda a situação em que a verdade é omitida, chega um momento em que não é mais possível continuar dessa forma. Mas, por mais que saibamos da importância de que esse “engano” seja esclarecido, e de que Laure venha a se apresentar como a menina que é, no momento em que isso se dá ficamos divididos – por mais que não seja o correto – pois da forma como acontece olhamos primeiramente pelo lado dela, de como irá lidar com tudo que acontecerá dali para adiante.
 
 
Tomboy é magnífico e trata o tema com elegância. É um filme que comove, mas que não peca pelo exagero. Não sabemos nada pelo que essas crianças passaram antes, por que se mudaram ou trocaram de escola, quais seus medos ou suas dúvidas. Mas, é este momento vivido por elas o que temos de mais belo no longa, são crianças crescendo e aprendendo a viver a vida. Passando por belas experiências e culminando em um final onde nada mais precisa ser dito, em que simples olhares nos mostram como as coisas podem ser mais simples e menos complicadas, o filme de Céline Sciamma é uma pérola que merece ter seu local de destaque no intrínseco mundo da Sétima Arte.

Poltronas 

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