Transformers: o Lado Oculto da Lua

imagem de Rafael
Enviado por Rafael em qui, 06/30/2011 - 13:25

Steven Spielberg é, sem dúvida, uma lenda viva do cinema. Seus filmes são amados por todos, ele ajudou a criar personagens icônicos e a lançar bons atores para o mercado. Ultimamente, resolveu tirar uma folga da direção, se “autotestando” como produtor. Acabou, porém, virando um tipo de “Viagra” para certos filmes, levantando a moral de produções que iriam passar em branco não fosse seu nome. Nesta sua fase de produtor, Spielberg ajudou a consagrar dois pupilos: Peter Jackson e Michael Bay. Enquanto um trilhou caminho próspero até a Terra-média, o outro não se saiu tão bem em Cybertron.

Fechando a trilogia (assim espero) da saga dos robôs gigantes, este Transformers começa em meio à corrida espacial iniciada após a queda, no lado escuro da Lua, de uma nave dos Autobots que contém uma arma capaz de dar fim à guerra entre eles e os Decepticons. No tempo presente, Sam (Shia LaBeouf) aparece com uma nova namorada, Carly (Rosie Huntington-Whiteley), buscando se adequar ao seu novo emprego, após ter salvo o mundo duas vezes. Mas, por coincidência (ou devo dizer “preguiça do roteirista”?), um de seus colegas acaba morrendo, após contar a ele algo sobre segredos envolvendo os robôs e o passado da humanidade.

É até surpreendente que o roteiro deste Transformers tenha sido escrito por uma única pessoa: Ehren Krueger vomita incompetência de forma surreal. Mesmo tentando costurar os dois primeiros longas a todo custo com um contexto histórico (a volta de Megatron só comprova que ele já ressuscitou mais que o Goku), Krueger (primo do Freddy, que explica que fazer terror é de família) acaba tocando tudo água baixo quando passa a trama para o presente e simplesmente ignora o que já foi feito, criando uma trama confusa e que não exprime nenhuma lógica interna. Se temos uma sequência inicial plausível, logo depois somos atirados não em furos, mas em crateras de roteiro, que funcionam muito bem apenas para comprovar a estupidez de todos os seus personagens, que parecem ter um Q.I mais baixo que Forrest Gump.

Krueger parece ter feito uma lição de casa: assistir a todos os filmes de Michael Bay. Somente isso explicaria os diálogos da projeção, que nos presenteia com as clássicas pérolas “Você não está sozinho”, “Eu não vou abandoná-lo” “Você traiu você mesmo”, entre outras. Não bastasse isso, o longa está repleto de personagens descartáveis - que não contribuem em nada com a trama - e ainda desperdiça o talento de bons atores, caso de John Malkovich e Frances McDormand. Como se toda essa situação não fosse suficiente, somos obrigados a agüentar tiradas cômicas sem graça e draminha raso – o que não é novidade, pois temos tudo isso no segundo Transformers (que Krueger ajudou a roteirizar).

E se os efeitos especiais e o design de som se sobressaem, dando fluidez e uma certa realidade para o movimento e barulhos dos carros-robôs gigantes (sendo interessante o modo como todos detalhes são bem construídos para a composição dos robôs), o mesmo não se pode dizer do elenco: ele se limita a correr e gritar. LaBeouf, que está ficando bom em interpretar o tipo “revoltado, mas bonzinho”, faz mais do mesmo, correndo de um lado para outro e reclamando de tudo. A novata Rosie Huntington-Whiteley, por sua vez, não consegue preencher o espaço deixado por Megan Fox nem pela interpretação como par romântico, nem pela beleza, deixando bastante visível sua dificuldade em contracenar com os robôs. O resto do elenco fica no básico: ou solta alguma frase de efeito, ou uma tirada cômica, ou fica atirando nos robôs.

Como todo filme de Michael Bay, não poderia faltar: travelling circulares (vários), discurso patriótico, aviões/ helicópteros em direção ao pôr-do-sol, câmera lenta, explosões (várias, várias), contra-plongeé, referência a sua carreira através da citação de algum de seus filmes anteriores, cortes nas cenas de ação (vários, vários, vários), inserção de cenas sem sentido para a narrativa, pontas soltas (várias, várias, várias), mulher como mero símbolo sexual e toda a técnica que aprendeu através do Google.  Surpreendentemente, Bay consegue usar o 3D de maneira adequada, inserindo-o de forma natural na narrativa (interessante observar as cenas de Chicago destruída), e não deixando o efeito cansativo em nenhum momento das já longas duas horas e meia de projeção. 

“Transformers: O lado oculto da Lua", além de desnecessário, poderia ter sido um curta-metragem, pois todas as boas cenas estão nos seus 20 minutos iniciais (e também no seu primeiro trailer - ou seja, assistir ao trailer é suficiente). Pelo visto, a tentativa de voltar ao clima divertido do primeiro filme, para esquecer o fracasso do segundo, acabou indo parar no ferro velho, junto com a carreira de Michael Bay.

Poltronas 

2

Comentários

Comentar

Plain text

  • No HTML tags allowed.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.
CAPTCHA
Esse desafio é para nos certificar que você é um visitante humano e serve para evitar que envios sejam realizados por scripts automatizados de SPAM.
CAPTCHA de imagem
Digite o texto exibido na imagem.