Transformers: O Lado Oculto da Lua

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Enviado por Giordano em sex, 07/08/2011 - 23:02

"Transformers - O Lado Oculto da Lua" é o terceiro capítulo da história de Sam Witwicky. Ou melhor, trata-se da terceira história envolvendo Sam Witwicky e os robôs gigantes. Digo isso, pos a ligação narrativa deste terceiro com os anteriores é bastante frágil. O primeiro "Transformers" apareceu com a curiosa ideia de fazer um filme baseado em uma linha de bonecos de plástico, mas embora o clima do primeiro filme (e apenas do primeiro filme) seja de uma inocente aventura à Spielberg (que não por acaso, produz a trilogia), toda a franquia incorpora elementos contemporâneos e questões cada vez mais em voga no século XXI. Como bem disse a teórica e crítica Fatimarlei Lunardelli, Transformers acaba sendo mais do que um mais um produto de apelo masculino que soma mulheres a automóveis, tornando-se um elogio à sociedade de consumo, presente desde o primeiro filme (no qual Sam é encontrado pelas máquinas através do E-Bay). . E não só isso, a franquia se mostra um produto neofuturista ao mostrar uma fascinação com máquina, movimento, velocidade  que deixaria Marinetti, o líder da vanguarda futurista italiana, orgulhosíssimo.

Transformers - O Lado Oculto da Lua ganha este título pois tem seu início (sua parte mais interessante) como uma versão alternativa para a corrida espacial dos anos 60, quando na chegada do homem à Lua, foi encontrado um autobot. Quando voltamos à Sam Witwicky, ele está desempregado depois de salvar o mundo duas vezes e com uma nova namorada (já que a intérprete da anterior, Megan Fox, foi demitida por ofender o diretor Michael Bay), e novamente acaba envolvido entre uma briga entre Autobots e Decepticons, agora com a presença do robô perdido Sentinel Prime.

No mais, narrativamente, Transformers 3 tem o solitário mérito de brincar com os acontecimentos politico-sociais do nosso mundo, um mérito que é completamente esquecido mais tarde, constituindo um terceiro ato gigantesco na interminável batalha final. Os diálogos entre Megatron e Sentinel parecem sugados dos diálogos entre Professor Xavier e Magneto, que por sua vez, inspiram-se em Martin Luther King e Malcom X, o que não deixa de ser bacana, uma vez que a história do filme flerta com os anos 60 a todo instante. 

O que mais chama atenção nese terceiro Transformers, é a superficialidade das relações humanas de Sam em comparação à relação dele com as máquinas. A troca da personagem depois da demissão de Megan Fox é a maior prova disso. Se o ator Hugo Weaving (presente no filme apenas em sua sensacional voz), o personagem Megatron com certeza se manteria, mesmo que com outro timbre. É claro que um dos motivos é por que o espectador, no caso de Megan Fox, reconhece logo de cara que não se trata da mesma atriz. Mas não me parece ser esse o único motivo: o fato é que o filme joga de maneira que tanto Sam quanto o espectador se envolva mais com os robôs do que com os humanos. Portanto, quem se importa com a troca da namorada de um filme para o outro? Ninguém, a não ser uma horda de adolescentes em fúria apaixonados pela inexpressiva Megan Fox. Mas se Megatron, ou o melhor amigo de Sam, Bumblebee, fossem substituidos por outros personagens, seria uma adaptação bem mais difícil para o espectador. 

Essa é uma questão absurdamente contemporânea que Transformers tem o mérito de colocar em roda, mas de maneira alguma é um mérito narrativo do filme possuir personagens tão mal desenvolvidos, quanto a própria namorada interpretada por Rosie Huntington-Whiteley, os pais, o ex-militar de John Turturro, o absurdo chefe de John Malkovich e a militar caricata de Frances McDormand. Os seres humanos, em Transformers, funcionam todos como um superficial alívio cômico para uma profunda disputa tecnológica entre máquinas, o que não deixa de ser uma visão de mundo assustadoramente possível para os dias de hoje.

Poltronas 

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