X-men: Primeira Classe

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Enviado por Rafael em dom, 06/05/2011 - 21:01

Em se tratando da franquia X-Men, a qualidade muda de um filme para o outro. Enquanto temos um primeiro filme bom, mas raso em termos de história, o segundo vai ao ápice, sendo o melhor filme da saga, mas é soterrado pelo mediano terceiro longa e pelo péssimo spin off do mutante canadense Wolverine. Matthew Vaughn teve a difícil missão de resgatar a saga dos mutantes do limbo, o que parecia impossível, porém conseguiu com êxito, evoluindo (pegou o trocadilho?) a saga.

Voltando no tempo, mais precisamente nos anos 60, somos apresentados a dois jovens: Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lensherr (Michael Fassbender). Enquanto o primeiro vinha de família rica e construía para si um futuro brilhante, o outro corria atrás dos culpados pela morte de sua mãe e seu sofrimento nos campos de concentração. Ambos por terem habilidades únicas provenientes de mutações genéticas acabam tendo seus caminhos cruzados quando Sebastian Shaw (Kevin Bacon), outro mutante, pretende concretizar a guerra fria, a fim de poder ascender como governador mundial aliado a outros mutantes. Eric e Charles juntamente com a CIA formam um grupo para poder impedir Shaw e seus ajudantes.

Sabendo alternar o foco da trama, ora concentrado na busca de vingança de Magneto contra o assassino de sua mãe, ora mostrando o imaturo Charles Xavier lidando com os poderes; junto com a brilhante montagem de Lee Smith e Eddie Hamilton, os roteiristas Ashley Miller e Zack Stentz  conseguem converter sabiamente as subtramas para o mesmo ponto sem deixar pontas soltas.  Quando ainda separadas, estas subtramas conseguem funcionar sozinhas, não dependendo uma da outra para o longa correr, além de serem essenciais para apresentar os personagens e mostrar o porquê da natureza de cada um, ficando mais visível no arco de Eric/Magneto.

Ainda que explore todos os mesmos elementos dos quais já estamos acostumados, como o preconceito e o ódio dos humanos, o roteiro não se restringe pelos outros filmes, dando seu toque único, construindo esse ódio de forma orgânica e inserindo à trama na medida certa, sem que se torne cansativo ou repetitivo, tendo em vista que este é um assunto corriqueiro na franquia.  Trazendo novas caras para série (o que deve fazer grande parte do público perguntar cadê o fulano? Cadê o ciclano?) e as desenvolvendo bem, sem muito aprofundamento, algo que desgastou os filmes anteriores por viverem em torno do Wolverine, sendo que até mesmo os personagens que pouco aparecem como Darwin consigam aparecer de forma convincente, não sendo inseridos apenas para “cumprir espaço”, além de mostrar não ter medo ao dar destinos diferentes para certos personagens, indo contra o esperado.

Ao conseguir transmitir todas estas boas qualidades que o roteiro tem para a tela, Matthew Vaughn se consagra como uma grande promessa, tendo em mente seus ótimos trabalhos anteriores, como os brilhantes Kick Ass e Stardust. Apesar de já ter trabalhado com o tema super herói, mais precisamente em Kick Ass, o diretor dá uma diferente abordagem ao tema, não somente com idéias diferentes, mas por retratar tudo de forma diferente, original e brilhante. Vaughn deixa sempre bem claro a diferença entre os dois personagens, ficando mais evidente graças à fotografia e o figurino que nada mais são do que reflexos do estado de espírito de Eric e Charles. Mas o grande mérito vem das cenas de ação, mostrando–se ainda mais maduro do que em seus trabalhos anteriores, ele consegue criar cenas espetaculares, principalmente a batalha final, não precisando picotar o filme como um Michael Bay da vida para conseguir levar o publico ao êxito total.

Apresenta-se também como grande destaque o elenco, que tanto em conjunto quanto individualmente consegue ser extremamente eficiente. James McAvoy consegue conciliar o lado  festeiro e irresponsável com o sábio e conselheiro, dando uma nova cara para o personagem. Sabendo mostrar maturidade na hora precisa, McAvoy foge do estereotipo de professor sabidão e nos apresenta um personagem mais realista, exibindo também um lado ruim que este personagem tem, o que faz com que eu não tenha medo de dizer que apaga sim o bom desempenho de Patrick Stewart, o Professor Xavier dos filmes anteriores. Se destacando entre os demais temos Michael Fassbender (que junto com McAvoy se revela uma das grandes promessas para a nova geração de atores) em uma atuação inesquecível condizendo com o personagem que já tinha recebido tal atuação por parte de Ian Mckellen. Não só repaginando, Fassbender nos mostra o quanto ele sofreu somente com a expressão de seu olhar, conseguindo humaniza-lo, fazendo-o parecer a grande vítima, pois finalmente compreendemos o motivo pelo qual ele odeia os humanos, o que sem a atuação de Fassbender não seria tão excepcional.

Kevin Bacon, que há anos não fazia um projeto bom, nos traz uma boa performance, sem cair no clichê do vilão super malvado, nos mostra um vilão mais como um grande estrategista, que não só quer se dar bem, mas que pretende liderar todos os mutantes por serem uma raça melhor (similar a um grande personagem histórico conhecido nosso). Jennifer Lawrence faz bastante pela sua Mística, traçando bem a evolução da personagem de uma adolescente rebelde para uma mulher idealista, semelhante a Nicholas Hoult que nos traz um fera como alguém inteligente e determinado, que acaba sofrendo consequências pelos próprios atos.

Ainda evocando um clima digno dos filmes de 007, com elementos como a tensão constante, o mocinho beirando a anti-herói (aqui se divide o lado bom: Charles e o lado mal: Eric), o vilão megalomaníaco, a femme fatale e uma trilha sonora espetacular, X-Men não deixa de ser um filme para os fãs, conectando-se com os outros filmes e ainda colocando referências para estes fãs da franquia (temos duas grandes participações especiais e várias referências a outros personagens e a grandes ícones conhecidos da saga). X-Men: Primeira Classe consegue ser um brilhante filme sem deixar de ser uma grande forma de entretenimento.  E mesmo que tenha pequenos defeitos que poderiam comprometer o filme, como a maquiagem e alguns dos efeitos especiais,  X-Men consegue trazer os mutantes de volta para a primeira classe (sim, estou inspirado) de elite dos super heróis.

 

 

Poltronas 

5

Comentários

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Enviado por Maza em seg, 06/06/2011 - 07:33

De fato Rafael, muito inspirado o Sr. estava na construção da crítica...e claro, o filme quando é bom (no caso ótimo) acaba facilitando. No mais, crítica digna do filme...isso que dessa vez deixou de fora uma análise mais detalhada dos personagens em relação as HQ´S ...rss

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