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SCREAM-A-THON - Por que "Pânico" é o slasher definitivo?

Enviado por Giordano em dom, 05/01/2011 - 04:11
Considerações:
Após uma maratona de filmes da série “Pânico”, da qual sou muito fã desde a infância (culpem meus tios fãs de terror), sinto-me preparado para uma análise dos elementos que tornam essa série a obra prima dos Slasher Movies (vulgo filmes-de-assassino-matando-jovens-estúpidos).
 
Desculpem o tamanho, é um texto longo, feito de fã para fã, mas também para detratores e interessados que tiverem paciência para ler.
 
ATENÇÃO! MUITA ATENÇÃO. HÁ SPOILERS DE TODOS OS FILMES DA SÉRIE POR TODO O TEXTO.
 
Então, a menos que você não se importe, só leia se assistiu aos filmes.
E não se preocupe se faz tempo que assistiram aos filmes e não lembram de detalhes, há muita sinopse e descrição no texto. 
As partes de cada filme funcionam como críticas individualmente, mas decidi uni-las, constituindo um artigo.
Portanto, se o leitor tem interesse em ler apenas sobre um filme específico, pode ir direto ao capítulo que fala do filme.
Ao final, há as notas de cada filme.
 

“ S C R E A M - A - T H O N ”

Por que "Pânico" é o slasher definitivo ?

 

PÂNICO (1996)

A Cena Inicial

Quando uma desavisada Drew Barrymore atendeu, em 1996, um telefone que tocava insistentemente, já não havia mais volta. E a pipoca já estava no fogo. Todo fã de filme de horror, ao ouvir a grave e ameaçadora voz que flertava com a personagem de Drew, Casey Becker, já tinha certeza absoluta do destino da personagem. Isso por que os filmes de horror, em especial o subgênero slasher movies, encontraram um irremediável padrão, fundamentado em estruturas e estereótipos, que se provou saturado ao tocar do telefone no primeiro plano da primeira cena de Pânico (Scream).  E ao evidenciar isso para qualquer espectador com o mínimo de conhecimento referencial sobre o gênero é o maior trunfo da série que é a obra prima de Wes Craven, um dos responsáveis pela padronização desse tipo de história. 

   

A metalinguagem de Wes Craven (que faz uma participação como um zelador vestido de Freddy Krueger) e Kevin Williamson é explicitada na mais icônica frase do filme, “Qual é o seu filme de horror favorito?”, ao que Casey responde “Halloween” ao mesmo tempo em que uma pipoca começa a passar do ponto, simbolizando a saturação da estrutura canônica dos slasher movies.   E embora cada indivíduo que assista ao filme tenha certeza de que Casey não escapará viva de maneira alguma, ficamos impossibilitados de avisá-la. Embora Casey e todos os outros jovens da série “Pânico” tenham noção de todas as regras de um filme de terror, eles não têm essa consciência de que estão, de fato, em um, ficando então, condenados a segui-las para dar continuidade à história.  E a pipoca começa a queimar.

A partir do momento em que Casey percebe a ameaça, o assassino começa a explicar as regras, como “a polícia nunca chega a tempo”, “nunca pergunte ‘quem está aí’” e “nunca mande alguém verificar um barulho estranho”. A garota vai comprovando deliberadamente encaixar-se no estereótipo da loira burra, e assume ainda mais quando grita “Eu tenho um namorado, ele é grande, ele joga baseball e vai acabar com você!”. Quando o assassino começa as perguntas sobre os filmes de horror, Casey já está completamente assustada pelos próprios clichês e por isso, condenada à morte, enquanto a pipoca continua queimando. Mas Casey não se deixa morrer sem antes bater no ameaçador e atrapalhado assassino e tocar desafiadoramente na máscara, mostrando a própria vulnerabilidade do gênero. E a pipoca já havia queimado faz tempo.

A Iconografia

A essa altura, “Pânico”, já afirmou que ao mesmo tempo explicita e segue a estrutura dos slasher movies, e o que diferencia de um para o outro são os elementos iconográficos. Freddy, com os sonhos, as crianças, as garras, o fogo. Jason, a máscara, o facão, a maternidade. E “Pânico” desenvolve esse ícone logo nessa primeira cena: o telefone, o zoom, os falsos sustos, a voz, a metalinguagem, a vulnerabilidade do assassino, a máscara do ghostface, a faca, e é claro, o grito.

Sidney Prescott 

Uma vez montado o circo, os personagens são jogados na arena. Somos apresentados à constante heroína da série, Sidney Prescott, que embora represente o estereótipo da garota virgem e madura que sobrevive, está longe de ser uma heroína estúpida que sobrevive por sorte como as recorrentes no gênero, mostrando-se uma figura que ao longo da série, passa por uma transformação, maturidade e fortalecimento. Um aspecto interessante da personagem é que, ao contrário de quase todas as protagonistas de filmes de horror lembradas como “scream queens”, Sidney grita cada vez menos durante os filmes, embora seja a única que protagoniza uma série chamada “Scream”. 

Billy, Steve e o padrão do “namorado” na série

Billy Loomis surge como o suspeito número 1 da primeira história, logo na primeira perseguição à Sidney, e a partir de Billy e de Steve (namorado de Casey Becker assassinado na primeira cena), podemos perceber um padrão de par romântico na série: ou o namorado é suspeito ou é um imbecil, ou transita entre as opções. Billy não o faz, ele é o “suspeito” desde o princípio, e uma vez inocentado, cessam as suspeitas, uma vez que a idéia de dois assassinos dificilmente passa pela cabeça de um espectador despreparado para a série. (por “despreparado” entendam como alguém que jamais viu um filme da série, um Todo Mundo em Pânico ou não foi vítima de spoilers)

A Turma

Sendo um gênero evidentemente adolescente, é mais do que óbvio que os filmes encontrem um grupo de adolescentes, uma "turma" para serem os agentes da história. Todos na turma tem uma ambígua cumplicidade, ao mesmo tempo em que são todos amigos e todos são vítimas, todos também são possíveis suspeitos uns para os outros. E todos também são baseados em estereótipos.

Tatum Riley, a irmã de Dewey, é um estereótipo que voltará a aparecer com freqüência na série (e em qualquer outro filme de horror adolescente) é o da garota muito atraente amiga da protagonista, cuja morte é geralmente bastante elaborada.

Stu, que mais tarde se revela o assassino mais sem propósito da série, é um alívio cômico chato por grande parte do tempo. Em contrapartida a Randy Meeks, que se torna um amálgama do cinéfilo de horror que assiste ao filme, já que o personagem, por ser um fã, compreende cada uma das regras do universo em que se encontra, mesmo sem ter noção de que, de fato, encontra-se nesse universo.

Todos esses personagens, sempre um grupo de amigos, nem parece suficientemente afetado no “momento pós morte” (outra situação importante para a estrutura desse tipo de filme) das primeiras vítimas, como pode ser percebido na nostálgica cena da fonte, na qual os personagens comentam as mortes de Casey e Steve. 

Gale, Dewey e os pais – os “Adultos” em Pânico

É mais do que evidente que o público ao qual “Pânico” se destina é o público adolescente. Para gerar uma identificação e envolvimento maior com a atmosfera, leia-se “para meter mais medo”, é necessário fragilizar na história os elementos que garantem segurança. Daí, surge um dos mais recorrentes padrões desses filmes: pais viajando. Os pais de Casey não estão em casa quando a garota é assassinada, chegam tarde demais. A mãe de Sidney já está morta quando a história tem início, e o fraco pai de Sidney “viaja”, assim como os pais de Stu, cuja casa serve para o clímax da história.

É preciso também fragilizar outro elemento, o da polícia. Essa fragilidade, além de ser baseada num padrão da vida real, é exagerada em uma grande quantidade de filmes, independente do gênero, para que não haja a possibilidade da instituição chegar como Deus Ex Machina e salvar o dia. Daí a finalidade de um dos personagens do “tripé” da série, Dewey, que fracassa em quase toda atividade que tenta cumprir durante todos os quatro filmes.

Completando a tríade dos personagens constantes, ao lado de Sidney e Dewey, temos a repórter Gale Weathers, particularmente meu personagem favorito. A repórter intrometida, diferente dos outros personagens, não está ali para representar um conceito essencial para constituir um padrão de slasher movie, e sim para desempenhar uma função forte dentro da narrativa, dentro da transformação do personagem de Sidney, e também em seu próprio arco narrativo ao redor do massacre de Woodsbooro

O Assassino – “Ghostface”

“Ghostfaceé um apelido, e não o nome de um personagem. “Ghostface” é uma máscara, e não a pessoa por detrás dela. Portanto, embora todos, incluindo Wes Craven e Kevin Williamson, tenham a tendência de pensar em Ghostface como um assassino mascarado que persegue Sidney ao longo dos filmes, ele não é um indivíduo, e sim, sete. Billy, Stu, Mickey, Sra. Loomis, Roman, Charlie e Jill são pessoas diferentes, que partilham a psicose por matar e a obsessão por Sidney, mas levados por motivações (quase sempre) diferentes. Isso já o difere de Jason, Myers ou Freddy Krueger, e dá origem ao novo ciclo de slashers.

Já comentei sobre a primeira cena, na qual Drew Barrymore toca o rosto do fantasma, logo depois de empurrá-lo e bater nele, e quando ela o faz, nós ouvimos o gemido do assassino. Aí percebemos a vulnerabilidade do personagem. Aliás, sendo uma piada recorrente na série, é difícil saber quem apanha mais nos filmes, se é Dewey ou Ghostface. Opa, estou falando do assassino como uma pessoa só novamente.

E sobre o design, não poderia ser mais genérico e sintético, e por isso mesmo, genial. O desenho associa o traje do assassino à idéia que se tem da Morte como entidade (roupa preta, capus), fazendo com que no Halloween essas duas fantasias, a de Morte e a de Ghostface, sejam altamente confundíveis, fazendo com que a imagem do assassino da série "`Pânico" remeta SEMPRE à morte. Outro trunfo do design do personagem é que consegue ser ao mesmo tempo genuinamente assustador e ridiculamente engraçado.

As Regras

A questão da metalinguagem é um dos grandes diferenciais da série “Pânico”. Randy, como já citado, é a representação ideal do cinéfilo no início da série, e é ele quem expõe as principais regras no clichê do clímax perfeito (uma festa). Nunca faça sexo, não se drogue, não diga “eu já volto”, não pergunte “quem está aí”, não verifique um barulho estranho e lembre-se sempre que depois de aparentemente morto, o assassino sempre se levanta para um susto final. Outra regra que Pânico segue, mas sem verbalizá-la até o quarto capítulo, é o do falso susto. O susto sonoro do telefone, os personagens inofensivos atrás de portas, árvores, plantas de teto, ou Dewey segurando a máscara do Ghostface... É um recurso que funciona tanto para fomentar a atmosfera de horror quanto para descontrair e levar-se menos a sério.

Star System

"Pânico" ajuda a fortalecer um novo star system que tem força na segunda metade dos anos 90 e início dos anos 2000, constituído por atores com forte ligação com TV, e com comédia, e que jamais emplacaram com força no cinema fora de Pânico. A exceção de Drew Barrymore, só nesse primeiro filme, temos a lindíssimas e desaparecidas Neve Campbell (Part of Five) e Courtney Cox (Friends), David Arquette (que jamais emplacou, mesmo tendo feito uma série de trabalhos na televisão), Mathew Lillard (o Salsicha de Scooby Doo), Rose McGowan (que tornou-se famosa por Charmed e foi recentemente ressuscitada por Tarantino e Rodriguez em Grindhouse),  Skeet Ulrich (que contracenou com Neve em Jovens Bruxas) e Jamie Kennedy (apresentador de TV casado com outra parte desse star system, que nunca participou de Pânico, Jennifer Love Hewitt). Surpreendentemente, Freddie Prinze Jr. não participou de nenhum filme da série Pânico.

A Repercussão

Pânico deixou uma marca permanente na história dos filmes de horror, dando início a esse novo ciclo de slashers. Diferente do ciclo dos anos 80, essa onda na qual Wes Craven surfou na crista, uniu duas já conhecidas estruturas, a do slasher e a do whodunit (quem matou?). Outros famosos exemplares dessa leva são Eu sei o que vocês fizeram no Verão Passadoe Lenda Urbana e suas seqüências. O ciclo parece ter se esgotado após 2001, quando chegou às telas o péssimo Medo em Cherryfalls, em que o assassino tem uma obsessão que quebra uma das regras do slasher: ele mata apenas virgens. Depois desse filme, os slashers tiveram um ou outro representante como um divertidíssimo Freddy X Jasonou um Cry Wolf(o Bon Jovi era o assassino, pronto falei),e até entraram na onda de remakes, com as fracas novas versões de Freddy, Jason e Myers. 

Pânico permanece como o apogeu dos slashers, pois além de funcionar como um descerebrado e sanguinolento filme de horror, ele também é um grande comentário a esse subgênero tão popular, dissertando sobre seus clichês e tendências do primeiro ao quarto filme, em cada aspecto. Não só nos diálogos brilhantes de Williamsom, como em outros aspectos técnicos. A direção de Craven, que emprega um tenso e cômico zoom e equilibra o uso de câmera subjetiva e objetiva. O design de produção que utiliza o caricato comedido ao construir seus estereótipos de personagens e cenários. A trilha de Marcus Beltrami, que por mais óbvia que seja, encaixa-se perfeitamente nos filmes (principalmente no quarto, melhor composição de Beltrami). Enfim, todos os elementos cinematográficos da série Pânico colaboram para que os filmes constituam uma grande crônica sobre um tipo de cinema que jamais é levado a sério, e nem deve ser, pois é na falta de seriedade que encontram-se os méritos desses filmes.

P Â N I C O  2

No começo de “Pânico II”, é difícil imaginar que algo seria mais metalingüístico na série do que Stab (ou Punhalada), o filme dentro do filme baseado no livro que é baseado nos eventos ocorridos no primeiro filme. Isso até ver o quarto filme. Mas depois comento sobre isso. No segundo elemento, os filmes Stab, que se tornam importante elemento da série, são introduzidos na seqüência inicial, numa pré estréia do filme, acompanhamos Jada Pinkett-Smith e Omar Epps (seguindo a tradição de atores que nunca emplacaram com força no cinema, ela lembrada por ser esposa de Will Smith, e ele por interpretar Foreman em House). Os dois discutem na fila o elemento afro-americano negligenciado nos filmes de horror, quando o personagem de Jada afirma “Stab é um filme de brancos, com garotas brancas tolas, exibindo suas bundas brancas!”.    Na sessão, fãs do gênero estão mascarados e fantasiados como o ghostface do primeiro filme, e aparecem comendo pipoca, gritando e brincando no cinema, seguido por um bizarro momento em que dois ghostface aparecem usando o mictório do banheiro, mostrando o descompromisso dos próprios criadores do filme em manter algum tipo de aura em sua própria criação. Segue então  uma morte quase tão icônica para o cinema de horror recente quanto a de Drew Barrymoore, que é a morte de Jada Pinkett Smith, no meio da sala de cinema, cujos gritos são superados pelos gritos de espectadores de filmes, o que permite ao assassino mascarado fugir em meio a tantos sósias seus.

Após a já tradicional cena inicial, nos encontramos em um cenário que não mais é Woodsbooro, e sim um campus universitário cheio de irmandades com nomes de letras gregas, no qual percebemos uma amadurecida Sidney, de cabelos curtos, e lidando com geeks fãs de Stab, e ela, e o amigo Randy, não poderiam estar estudando outra coisa além de cinema. Aos poucos, conhecemos os personagens novos e reencontramos os já conhecidos rostos. Descobrimos que Cotton Weary (mais um sujeito que não emplacou com força, Liev Shrieber), o sujeito que Sidney acusou injustamente de ter matado sua mãe, continua na história. Descobrimos um Randy ainda apaixonado por Sidney. Uma muito bem sucedida Gale Weathers lucra com o sucesso de seu novo livro, O Massacre de Woodsboro, que dá origem à série Stab, e que continua com seus atritos com Sidney. Um Dewey tão ou mais fracassado quanto no primeiro filme, mas agora com essa estupidez evidenciada no livro de Gale. 

Quanto aos personagens novos, temos o novo (e é claro, suspeito) namorado de Sidney, Derek (Jerry O’Connel, famoso pelo papel infantil em Conta Comigo e que fez uma recente e bizarra participação em Piranha 3D), a nova melhor amiga de Sidney, Hallie (Elise Neal, que contracenou com O’Connel em Missão: Marte), outro geek de cinema,Mickey (Timothy Oliphant, que protagonizou Deadwood e participa de Show de Vizinha e Duro de Matar 4) e a patricinha Cici Cooper(Sarah Michelle Gellar, a eterna Buffy do seriado e Dafne, de Scooby Doo). Há também uma fã obcecada com Gale, uma tal Debbie Salt (Laurie Metcalfe), o novo cameraman de Gale, Joel Harlen (Duane Martin) e  os seguranças que cuidam de Sidney.

Há, é claro, novas regras, as regras da seqüência. Número de mortes maior, mortes mais elaboradas, assassino inesperado. A promessa é cumprida, as mortes são mais brutais, e não por isso menos marcantes, como a morte inicial no cinema, e a catártica morte de Sarah Michelle Gellar correndo pela escada atirando objetos no assassino depois de assistir Nosferatu, do Herzog.  As brincadeiras com o star system de Hollywood cada vez mais freqüentes, com os atores em Stab, David Schwimmer (colega de Courteney Cox em Friends) interpretando Dewey, ou Luke Wilson, que faz Billy Loomis. Na onda de piadas internas, a personagem de Courteney Cox diz em certo momento que apareceu uma foto sua na internet com seu rosto colado no corpo de Jennifer Aniston (também sua colega em Friends), e ainda há a referência a Tom Cruise em Top Gun, na cena que Derek faz uma serenata para Sidney.

É bacana o suspense à Scooby Doo criado por esse filme, mais que em qualquer outro filme da série. Suspeitamos de Gale Weathers, que estaria ávida por novas publicações para tornar seu sucesso constante. Suspeitamos de um ressentido Randy maníaco por cinema e por Sidney. Suspeitamos do novo namorado de Sidney, e suspeitamos, é claro, dos verdadeiros assassinos. Um deles é a mais suspeita desde a primeira vez que aparece, Debbie Salt, uma aspirante a Gale Weathers que pensamos estar interessada em um grande furo jornalístico, a surpresa é o motivo da protagonista, ela é, na verdade, Sra. Loomis, mãe do assassino do primeiro filme. O outro assassino é o maníaco Mickey, que na verdade, não tem motivo nenhum, mas inúmeras pistas nos levam a desconfiar dele. É ele quem estimula Sidney a duvidar de Randy e de Derek, e ele parece obcecado em provar para os colegas que seqüências podem sim, serem superiores ao original (Aliens, Exterminador do Futuro 2, Poderoso Chefão 2).

Outro aspecto interessante de “Pânico II” é a questão da teatralidade. Sidney, nas aulas de drama, interpreta a amaldiçoada Cassandra, e discute o papel e as questões trágicas da personagem com seu professor de drama. Essa questão da teatralidade faz uma rima interessante com o final, trazendo a idéia trágica da maternidade com a Sra. Loomis, algo já presente com Maureen Prescott, mãe de Sidney.  A heroína também usa truques teatrais para confundir e atormentar a vilã no clímax do filme. 

“Pânico II” funciona individualmente e também como parte de uma série, pois os personagens continuam a ser desenvolvidos. Sidney, Dewey (que por milagre, sobrevive nesse episódio), Gale, Cotton e Randy têm seus próprios arcos dramáticos construídos ao longo dos episódios que participam. Cotton, inclusive, é quem conclui o filme após o excelente clímax, fazendo uma rima com o início metalingüístico, afirmando que tudo o que aconteceu nesse segundo massacre “vai dar um ótimo filme”.

P Â N I C O 3

Cotton, que encerrou o segundo filme, abre esse terceiro. O personagem, depois dos eventos do segundo filme, tornou-se uma pseudo-celebridade, com um programa bobo na televisão e participando de Stab III, como ele mesmo. Quando ele surge, já percebemos que ele será assassinado pela tendência da série de mortes na primeira cena, no entanto, temos dificuldade em se importar com Cotton, já que não nos foi um personagem muito empático no filme anterior. Wes Craven usa nessa cena mais câmera subjetiva do ponto de vista do assassino que nos outros dois filmes.  O humor dá lugar a um indefinido entre levar-se a sério e o contrário. O início de “Pânico III” é, sem dúvida, o mais esquecível da série, assim como o resto do filme, que embora seja eficiente, faz a média geral cair.

Kevin Williamson, roteiristas dos filmes anteriores, não participou do roteiro de “Pânico III”, o que com certeza prejudicou o roteiro, que peca ou em levar-se a sério demais ou em deixar-se levar pelos momentos cômicos que passam dos limites. Logo após o assassinato inicial, voltamos a encontrar Sidney, agora morando no meio do nada em uma zona rural, com o pai, e trabalhando com outro nome como telefonista de um atendimento de emergência para mulheres. Encontramos também Gale Weathers, agora palestrante sobre métodos jornalísticos. Conhecemos o Detetive Kincaid (Patrick Dempsey, antes de Grey’s Anatomy), que investiga os novos assassinatos, e procura Gale para orientá-lo, já que uma foto de Maureen Prescott (Mãe de Sidney) foi encontrada na cena do crime. Paralelo a isso, acompanhamos os bastidores da produção de Stab III abalada pela morte de Cotton Weary, que atuaria no filme. Quem também trabalha no filme é Dewey, que orienta e flerta com a intérprete de Gale, Jennifer Jolie (Parker Posey). Os assassinatos são todos ao redor da produção do filme, uma vez que o assassino está matando na ordem que os atores morrem no roteiro.  

O que orienta a brincadeira da série com clichês, nesse filme, é uma fita cassete que o falecido Randy deixou para a sua irmã (interpretada pela sumida atriz de Bem Vindo à Casa de Bonecas, Heather Matarazzo) na qual ele expõe as regras da terceira parte de uma trilogia: Um assassino super poderoso, que dificilmente morre. A volta ao passado, os elementos do filme estão intrinsecamente ligados aos eventos do início da história, isto é, a morte da mãe de Sidney. E por fim, a mentirosa regra de que tudo pode acontecer e que qualquer um dos personagens principais pode morrer (Sidney, Gale e Dewey), colocada no roteiro apenas para sentirmos algum tipo de ameaça.

A idéia de ambientar o filme nos bastidores de Stab III é muito interessante, e de fato é bem explorada pelo roteiro e essa é a melhor qualidade do mesmo, em situações como aquela em que Sidney encontra-se encurralada numa falsa versão de sua própria casa na Woodsbooro cenográfica, ou a curiosa relação de Gale e da atriz que a interpreta no filme.  Outro momento criativo é aquele no qual uma personagem foge do assassino no depósito de figurinos, onde encontramos vários figurinos de Ghostface, permitindo ao assassino camuflar-se no meio das roupas.  

Outro aspecto bacana de “Pânico 3” são as participações especiais, que infelizmente, não surgem tão orgânicas quanto deveriam, mas ainda assim, divertidas. Jay e Silent Bob, personagens criados por Kevin Smith em seu universo, que em 2000 ainda estava em alta. Carrie Fischer, a eterna Princesa Leia, interpreta uma atriz fracassada que fez teste para Star Wars, mas que perdeu o papel para “aquela que dormiu com o George Lucas”. E um dos produtores mais famosos de Hollywood, Roger Corman, famoso pela produção de filmes de gosto duvidoso, interpreta um executivo de estúdios de cinema. E há ainda a brincadeira com estrelas de cinema ao nomear os atores de “Stab III” com nomes como Angelina, Tom e Jennifer Jolie, e o nome do diretor ser Roman.

Com tantos detalhes divertidos e boas situações, onde está o problema de Pânico 3, que o fragiliza frente a todos os outros filmes da série? Está, claramente, no desenvolvimento dos personagens e no envolvimento com a história. O roteiro tenta levar a sério demais a questão do assombro da mãe de Sidney, para justificar o absurdo final, uma história desinteressante que envolve apenas Sidney e o assassino, e que deixa todo o resto boiando. Não há como suspeitar de personagem algum durante o filme, pois nenhum é desenvolvido o suficiente para ter algum motivo para realizar o massacre, muito menos para atingir Sidney, e devido a essa falta de desenvolvimento faz com que não tenhamos empatia alguma com os personagens, tornando-os apenas úteis para a contagem de corpos. A absurda revelação do assassino (o diretor Roman era, na verdade, um desaparecido irmão de Sidney, filho bastardo de Maureen Prescott) surge completamente de para quedas, e é de longe, o mais estúpido dos sete assassinos.

No entanto, a segura direção de Wes Craven cria excelentes perseguições, para as quais a trilha musical colabora muito, e as já citadas boas sacadas do roteiro fazem com que a experiência de Pânico 3 seja mais positiva do que negativa, e o filme, sem dúvida, diverte muito. Mas felizmente não foi esse o final da série. 

P Â N I C O  4

Breve descrição e comentário acerca da Introdução

“Pânico IV” tem uma cena inicial brilhante. Num primeiro momento, temos Lucy Hale e Shanae Grimes (pseudo-celebridades da televisão americana) conversando sobre a série Jogos Mortais, cada uma com uma opinião típica de fãs de horror. Uma delas afirma que a série não tem desenvolvimento de personagem algum, logo, não há como se importar com quem morre ou deixa de morrer, sem falar que os filmes são mais nojentos do que assustadores. A outra rebate afirmando que Jigsaw é um assassino muito criativo e que as mortes são muito bem elaboradas (eu tendo a concordar com a primeira). Em seguida, um psicopata do facebook que persegue uma delas manda mensagens (ao invés de ligar, como é tradicional para a série) até que DOIS ghostface surgem e ignorantemente cortam as vítimas. E logo depois percebemos que se tratava do começo de STAB 6. E que havia outras duas garotas assistindo ao filme, e preferiram desligar a televisão.

                As garotas eram Kristen Bell e Anna Paquin. A primeira, conhecida pela TV com Veronica Mars Gossip Girl. A segunda venceu um oscar quando criança por O Piano, e foi relegada ao esquecimento por anos, lembrada por interpretar a Vampira nos filmes de X-Men e recentemente, voltou ao estrelato com a série de horror True Blood. As duas assistiam à sétima parte de Stab, que desde o segundo filme, é o alter ego da própria série “Pânico” dentro das histórias. Então, quando Anna Paquin diz algo como “esses filmes da série Stab já deram o que tinha que dar, jovens desconstruindo filmes de horror enquanto são assassinados um por um pelo Ghostface? To cansada dessa bobagem metalingüística pós moderna” ela está se colocando no papel de alguém que não gostou do filme em que ela mesma está, tornando-o quase à prova de críticas. Em seguida, a personagem diz que nada mais a surpreende e a sua colega tira uma faca do nada e a esfaqueia. Mas aí descobrimos que na verdade, toda essa introdução foi, na real, a introdução de “Stab 7” e não de “Pânico 4”, e que outras duas garotas estavam assistindo esse filme, e essas sim serão as “assassinadas da primeira cena”.

Descarada e despudoradamente metalingüístico, como a personagem evidenciou, “Pânico 4” surge após dez anos, funcionando como um balanço do gênero de horror nos anos 2000, e abordando suas principais tendências: os torture porn, os fantasmas asiáticos que se manifestam por tecnologia,  a onda de remakes e a câmera diegética em primeira pessoa. Com esse início, Craven já mostra seus elementos recorrentes. Surpresas, mas não muitas. Humor e susto bem equilibrados. E a superficial e propositalmente forçada (e não por isso, menos genial) metalinguagem. Tudo isso já aparecia, com elegância, nos dois primeiros volumes. Aqui, isso é elevado ao cubo, e sim, perde a elegância. E não poderia deixar de perder, já que a série brinca com as tendências de um gênero que se tornou absurdamente deselegante nessa década que passou. E o roteiro, em questão de narrativa, ao mesmo tempo, dá seqüência, refaz e desfaz o original. 

No filme, Sidney volta a Woodsbooro, desde o primeiro Pânico que não visitamos a cidade-natal de Sidney. Ela volta para lançar um ridículo livro de auto-ajuda (Saindo da Escuridão, o título)  e reencontra os amigos Gale e Dewey, que agora estão casados (e já em crise, uma vez que a assistente de Dewey constantemente o provoca). Sidney também encontra uma outra parte de sua família, que ainda não conhecíamos, e é através desse núcleo que girará o remake”

Remaking “Scream”

Jill Roberts  (Emma Roberts, sobrinha de Julia Roberts, o que provavelmente rendeu a piada com o nome da protagonista do filme) vive na tranqüilidade com sua fraca mãe Kate Roberts (Mary McDonnel). Quando sua prima Sidney está na cidade, suas amigas logo brincam com Jill que a sua parente é o “anjo da morte” que só traz tragédia onde vai. Jill logo se estabelece como uma protagonista empática do filme, como Sidney no primeiro filme, que é praticamente orientada pela sua “antiga versão” quando os assassinatos começam a acontecer, dando um significado maior a frases que saem da boca de Neve Campbell, e que em qualquer outro filme, não passariam do clichê, como “Eu sei como você se sente” ou “Você me lembra... a mim”.

Como substitutos para Randy, temos como cinéfilos de horror a dupla Charlie (um dos irmãos menos famosos  do Macaulay, Rory Culkin) e Robbie (Eric Knudsen, de Jogos Mortais II). Além deles, temos a atriz saída da série Heroes, Hayden Pannettiere, no personagem novo mais empático do filme, Kirby. Outras figuras recorrentes adolescentes que aparecem aqui é o da gostosa da escola, Olivia (Marielle Jaffe, que perdeu o papel principal de Aos Treze) e o namorado suspeito de Jill, Trevor (Nico Tortorella, estreante no cinema). 

Para ajudar no time de “adultos idiotas”, temos Judy Hicks (Marley Shelton, de Grindhouse), a atrapalhada ajudante de Dewey, os policiais Hoss (Adam Brody, de The O.C.) e Perkins (Anthony Anderson, de Todo Mundo em Pânico), e por fim, a assistente editorial de Sidney, Rebecca Walters (Alison Brie, de Mad Men). Trata-se de um grupo de personagens levemente incômodo, já que não têm grandes funções na hitória além de serem suspeitas (como o momento que Judy Hicks conversa com Sidney), vítimas (como na ótima cena da perseguição de Rebecca) e algumas piadas fracas (como a que o personagem Anthony Anderson faz com o ator Bruce Willis, pouco antes de sua ridícula morte). 

Esses personagens, embora sejam mero número para contagem de corpos e para as já referidas funções, são figuras desenvolvidas o suficiente para que o espectador eventualmente se importe com elas ou então desconfie delas, diferente dos personagens de “Pânico 3”. Diferente do filme anterior, nesse, nos vemos torcendo pela morte de um ou outro personagem, e pela sobrevivência de outro, como nos primeiros exemplares da série, e essa interação com os personagens é o que torna um slasher movie uma experiência divertida.  

                É o primeiro filme que se passa em Woodsbooro desde o primeiro, e as ruas ainda nos são conhecidas. A cidade parece até comemorar a data dos assassinatos, já que é a única razão pelo qual a cidade é lembrada, o que faz com que os jovens da cidade, no “aniversário” do acontecimento, decorem a cidade com motivos de Ghostface e realizem uma maratona Stab-athon” (maratona dos sete filmes da série Stab).

Logo fica claro, para Sidney, para a polícia e para o espectador, que o Assassino pretende fazer um remake do primeiro Massacre de Woodsbooro. Uma vez sabendo isso, o fã da série poderia pensar em alguns personagens como “equivalentes” das figuras recorrentes da série, embora a “melhor amiga” e o “cinéfilo fã de horror” tenham se multiplicado e se entrecruzado, e novas figuras tenham surgido, ainda é possível estabelecer essas correspondências. Isso garante uma excelente (e nostálgica) cena, no qual o suspeito Trevor visita Jill pela janela, remetendo diretamente a Billy e Sidney do primeiro filme.

Uma vez estabelecidas, resta ao espectador pensar. Quem se beneficiou no primeiro massacre, mesmo que involuntariamente? Quem sobreviveu a ele. Sidney, e em escala bem menor, Randy. Logo, se o remake pretende ser perfeito, quem se beneficiaria são os equivalentes óbvios de Sidney e Randy: Jill e Charlie. Essa é a grande pista fornecida não pelo roteiro desse filme, mas pelo conhecimento prévio da mitologia da série, embora as já citadas brincadeirinhas estilo Scooby Doo estejam espalhadas pelo filme para desvirtuar dessa pista.

Unmaking “Scream”

                As mudanças da atmosfera da série não são numerosas, mas são altamente significativas. Os personagens explicitam algumas delas verbalmente, como a do falso clímax que foi a festa, e o verdadeiro clímax acaba acontecendo na casa de Kirby. Esse truque de roteiro é algo que alguns remakes de filmes de horror dos últimos anos, de fato, tentam criar, mas sem sucesso. Em “Pânico 4”, no entanto, funciona perfeitamente.

                Outra mudança interessante é a inserção, desde os primeiros minutos até o clímax, da tecnologia que tomou conta do cinema de horror na década. A gigantesca influência asiática sobre o gênero coloca os assombros e ameaças nos meios tecnológicos: a fita de O Chamado, os celulares de Uma Chamada Perdida, ou a internet de Kairo. Wes Craven e Kevin Williamson são espertos ao brincarem com isso, colocando na primeira cena, um stalker do facebook, ou a orgânica inclusão de webcams e webloggers em seu roteiro, e ainda trabalha esses elementos como ferramentas de susto. 

E devo afirmar que Jill é a mais FODA (desculpem a expressão) de todos os sete assassinos da série. Enquanto os outros assassinos da série ou pensavam em vingança (Billy, Sra. Loomis e Roman) ou não tinham motivo algum (Stu, Mickey e Charlie), Jill Roberts é uma patética, absurda, invejosa e obcecada prima mal criada de Sidney, que deseja mais do que tudo ser como ela. Em uma entrevista sobre “Pânico 2”, Kevin Williamson afirmou que Sidney é tudo que essas heroínas de slasher movies querem ser, sem sucesso. Jill, portanto, é uma dessas heroínas de slasher movies que sonha em ser Sidney, e por isso mesmo, ele se torna a assassina. Além de ser muito interessante e convincente, Jill ainda é a pior de todas. Mata a própria mãe, o parceiro de crimes, machuca a si mesmo para tornar-se uma vítima convincente (em uma das mais impagáveis seqüências da série) e é, sem dúvida, a que mais machuca e chega perto de matar Sidney e Gale em todos os filmes.  

  

Sobre a sobrevivência de Sidney e do recado de Wes Craven sobre remakes

                Outra opção curiosa essa em relação à criticada “não-morte” da Sidney. Pela boba lógica estabelecida pelo terceiro e falho filme, era naquele que Sidney deveria ter morrido, mas fico grato por essa falha, já que devido a ela, foi possível conceber este quarto. Já pela interessante lógica desse quarto filme, não faria sentido a morte de Sidney, uma vez que Craven quer mostrar que os remakes, no geral, são falhos e que não há nada como o original. No filme, qualquer fã de "Pânico" ou de Neve Campbell leva um susto ao ver a protagonista levar a facada no estômago, pois pela tradição, personagens que sobrevivem podem no máximo levar facadas no ombro. Jill, sabendo dessa regra dos "Stab", simula uma facada em si mesma, e ainda faz piada disso com Gale). Isso para mais tarde fazer com que a garota se surpreender ao perceber que sua velha versão, a original, ainda está viva. Portanto, há essa tentativa de assassinato do elemento original, mas que retorna para destronar sua nova versão, e estabelecer-se como a “one and only”.

Essa discussão acerca dos remakes é explicitada por Craven e Williamson em um momento icônico para os fãs do gênero. A personagem Kirby (que merecia ter sobrevivido, uma pena, e talvez uma falha do filme) lista todos os remakes de filmes de horror da década. “Halloween, Massacre da Serra Elétrica, Madrugada dos Mortos, Viagem Maldita, Horror em Amityville, Sexta Feira 13, Hora do Pesadelo, Dia dos Namorados Macabro, Quando um Estranho Chama, A Morte Convida para Dançar, Natal Negro, Aniversário Macabro, Casa de Cera, A Névoa, Piranha 3D!”diz a personagem desesperada sem nem ouvir o final da pergunta do assassino, que começa com “Qual remake dos anos 2000 de um filme de horror...”. Wes Craven e Kevin Williamson, ao listar todos esses filmes para o espectador, levam o fã do gênero a uma involuntária reflexão sobre a quantidade de filmes abaixo da média que chegou aos cinemas nos anos 2000 (excluo da lista Madrugada dos Mortos). Mas vários dessa lista são não só inferiores, como até ofensivos aos seus originais em níveis impensáveis, seja na narrativa, iconografia, e também na manipulação do medo. O filme (e o discurso de Wes Craven) é conduzido de tal maneira, que faz com que o fã de terror sinta vontade de aplaudir quando Sidney impera “You forgot the number one rule about remakes. DON’T FUCK WITH THE ORIGINAL!”.

 

- Pânico (1996) – 5 poltronas

- Pânico 2 (1999) – 5 poltronas

- Pânico 3 (2000) – 3 poltronas

Pânico 4 (2010) – 5 poltronas

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