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O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Enviado por Luciana em qui, 12/13/2012 - 17:09

Já tivemos o privilégio de ver adaptados para o cinema aqueles livros que são tidos como a obra máxima de Tolkien: a Trilogia de O Senhor dos Anéis. Depois de alguns anos, muitas idas e vindas, troca de diretor, etc., é chegado o momento em que mais um filme baseado na obra do professor chega aos cinemas, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é a primeira parte de mais uma trilogia que se passa na Terra-média.

O longa tem início de forma curiosa, nos apresentando brevemente algumas informações a respeito de Bilbo e sua aventura. Uma jogada ousada de Peter Jackson, por assim dizer, pois o artifício utilizado por ele para unir este filme à Sociedade do Anel foi no mínimo inspirado (vejam o filme e entenderão o que digo). É nesse ponto também que conhecemos como os anões construíram sua cidade, Erebor, e como ela foi posteriormente tomada por Smaug, o temível dragão. Por falar em Smaug, dele vemos chamas, sombra e fumaça, mas não muito mais do que isso, a grande aparição do dragão provavelmente se dará no segundo filme.

O roteiro escrito por Peter Jackson, Frances Walsh, Guillermo del Toro e Philippa Boyens é eficiente não só ao dar prioridade aos principais acontecimentos da obra, como também ao construir aos poucos a atmosfera do filme, desenvolvendo cada personagem de maneira que o espectador possa se identificar com ele de imediato, seja positiva ou negativamente. Ainda com relação ao roteiro, a escolha de incluir passagens, e esmiuçar cada detalhe, a princípio pode parecer algo que vá atrapalhar e até tornar o filme cansativo. Entretanto, engana-se quem pensa que Peter Jackson faz algo por acaso, pois cada pormenor é alinhavado de forma a não deixar pontas soltas e nos apresentar da forma mais intensa possível o que vemos na tela. Os diálogos são bem desenvolvidos e inclusive os fãs poderão reconhecer algumas passagens do livro, o que dá certo charme à narrativa. Quanto à adaptação, posso dizer que foi bem feita, visto que o material utilizado não se restringe somente ao livro O Hobbit, o que dá margem à equipe para certas liberdades artísticas.

A chegada dos anões à casa de Bilbo acontece de forma inesperada, o que faz com que o hobbit fique além de totalmente surpreso, francamente assustado. Afinal não é todo dia que vemos nossa toca/casa invadida por um monte de anões esfomeados e sedentos por hospitalidade, acabando com toda a comida de sua despensa. Quando à apresentação dos anões, ela se dá de forma aceitável. Alguns é claro, são mais bem desenvolvidos que outros, pois são aqueles que terão maior impacto na narrativa. E como não poderia deixar de ser, Thorin Escudo de Carvalho é o que ganha mais destaque, não só por sua personalidade forte – o que foi extremamente bem conduzido pelo roteiro e trabalhado pelo ator Richard Armitage (Capitão América – O Primeiro Vingador) – como por sua importância na missão.

A direção de arte de Dan Hennah repete aqui a magnificência de seu trabalho realizado na trilogia, pois o que vemos é incrivelmente bem construído: a cidade subterrânea dos orcs é super bem elaborada, apesar de parecer por natureza um local feio, a estrutura é fascinante. Locais como Valfenda, o Condado e a cidade dos anões merecem destaque também, devido à grandeza de detalhes. Falando um pouco sobre as locações escolhidas a dedo por Peter Jackson, o visual das tomadas aéreas é de tirar o fôlego em determinados momentos, tamanha a beleza.

Criando uma atmosfera por vezes alegre e descontraída, por outras sombria e amedrontadora, a fotografia de Andrew Lesnie acompanha a narrativa de forma adequada e contida, sem exageros, conseguindo tornar críveis as situações e os locais onde estas ocorrem. Os efeitos visuais criados pela WETA digital nos entregam um resultado fabuloso, principalmente com relação à Gollum, pois ele aparece tão real quanto qualquer outro personagem da história. E aqui entramos na questão da construção e desenvolvimento do personagem, pois para conseguir o resultado que temos, somente com grande empenho, não somente desta equipe da WETA, mas principalmente de Andy Serkis, que como muitos já comentaram, mereceria um Oscar pela sua atuação com Gollum.

Acredito que um ponto de grande expectativa do público era com relação à cena do encontro de Bilbo e Gollum na caverna deste último (por sinal, observamos brevemente a questão de Bilbo e Gollum na caverna no flashback inicial de O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel). O jogo das charadas era uma questão citada ao longo de grande parte do tempo em que o filme estava sendo produzido. Será que será retratado como no livro? Será que ficará convincente, interessante? Essas eram apenas algumas das perguntas que povoavam a cabeça dos fãs. E creiam, caros leitores, essa é uma das cenas de grande impacto no longa, uma das que merecem destaque no conjunto da obra.

Nesta cena podemos também reconhecer o grande talento de Martin Freeman (Sherlock, seriado da BBC), pois talvez seja exatamente neste ponto que comece a ocorrer a grande mudança em seu personagem, Bilbo. Antes um hobbit pacato e inocente, aos poucos começa a perceber que sua realidade agora é outra, e que se ele pretende continuar vivo precisa se adaptar. O hobbit tem aquele jeito alegre e descontraído, que fala o que pensa, e grande parte do sucesso do personagem se deve mesmo à Freeman.

Falando um pouco mais sobre as atuações, Ian McKellen além de ser um excelente ator, tem um personagem que lhe propicia ser ainda melhor. Para aqueles que já eram fãs de Gandalf na Trilogia, preparem-se para se encantar ainda mais por ele, pois mesmo que não exiba grandes feitos como derrotar um Balrog, aqui em O Hobbit ele se mostra mais perspicaz e grandioso do que já fora, se é que isso é possível. Richard Armitage trabalha Thorin de forma exemplar, pois auxiliado pelo roteiro consegue transmitir ao espectador toda a importância de seu personagem, o ódio por aqueles que destruíram seu lar e sua personalidade forte, marcante. Todos estão relativamente bem em suas atuações, mesmo que alguns ainda não tenham tido seus personagens desenvolvidos o suficiente para se sobressair, mas sabemos que ao longo das continuações, anão por anão acabará mostrando seu valor. Christopher Lee, Cate Blanchett e Hugo Heaving estão muito bem em seus personagens, mesmo que suas aparições sejam breves.

A trilha sonora de Howard Shore encanta e emociona, acompanhando a narrativa de forma exemplar. A canção Misty Mountains, cantada pelos anões em determinado momento do filme transforma a cena em algo belo e enigmático, e o uso acertado da movimentação da câmera nesta cena contribui ainda mais para o resultado final. Além dessa canção destaco Old Friends – belíssima – e outra que me chamou a atenção em especial: Song of the Lonely Mountain.

Com relação aos confrontos, eles foram muito bem conduzidos e desenvolvidos, como por exemplo a batalha na cidade dos orcs, que nos entrega uma sequência muito bem feita, apesar de não ser algo memorável. O embate entre Azog, o Profano e Thorin também merece referência em função da importância desta luta para a narrativa, já que Azog é um personagem fundamental na história do anão.

O já conhecido recurso utilizado por Peter Jackson de apresentar ao espectador determinado cenário ou acontecimento através de um travelling é muito bem utilizado neste filme, principalmente ao final, quando a câmera nos mostra o panorama do que é esperado para a segunda parte da trilogia. E já que comentei sobre isso, acho importante ressaltar que o ponto de corte escolhido pelo diretor para finalizar este filme foi acertado, pois apesar de deixar o público com a sensação de “quero mais”, finaliza esta primeira parte de modo compreensível, aceitável.

Para finalizar, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é um grande filme, muito bem dirigido e atuado, com cenas marcantes e longe daquela aura infantil contida no livro. O longa traz os acontecimentos de forma mais adulta, mais urgente. Agora resta-nos esperar para que as duas sequências idealizadas por Peter Jackson sigam desse patamar para melhor, pois o começo foi promissor! 

 

Obs.: A cópia a que assisti na cabine de imprensa foi em 2D e 24 FPS. Depois que assistir ao filme em 3D e 48 FPS retorno com minhas impressões a respeito.

 

Update: Assisti essa semana, na pré-estreia, à versão de O Hobbit em 3D e 48 fps. Devo dizer que me surpreendi positivamente com ambos os recursos utilizados no filme. O 3D da obra é fantástico, e não são arremessados objetos na tela a todo instante para fazer graça com o espectador, ao contrário disso, o recurso é utilizado com sabedoria pelo diretor. Destaco a cena em que uma borboleta voeja por boa parte da sala antes de sair de cena, realmente lindo.

Com relação aos 48 fps, que tanto causou estranheza em várias pessoas nas primeiras exibições, a tecnologia concede a obra um realismo incrível, contribuindo inclusive para que as cenas no 3D em locais com menos iluminação, como a cena da caverna de Gollum, por exemplo, ficassem muito mais nítidas, tamanha a riqueza de detalhes apresentada. Em minha opinião, esse recurso foi muito bem aproveitado e muito bem-vindo a este filme, não me atrapalhou e nem me incomodou durante a exibição, ao contrário disso, me proporcionou uma experiência única.

Poltronas 

5

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