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Eu Não Quero Voltar Sozinho

Enviado por Ghuyer em sab, 04/13/2013 - 15:21

Recentemente brotou a polêmica em torno do curta-metragem que foi censurado no Acre por tratar de um tema delicado. Provocado a fazer uma pequena resenha sobre o filme, tentei então assistir o mesmo com olhos céticos. Mas, talvez em função da notícia da censura, caiu sobre mim uma tensão constante durante a maior parte do curta. A sensação de que algo iria dar muito errado. Não sei se isso acontenceu só comigo, ou se é uma impressão comum a quem assiste ao curta tendo conhecimento prévio sobre o que o levou a ser censurado. E talvez por isso, por esperar algo ruim que não acontece e que, por não acontecer, apenas enriquece a experiência de se acompanhar a história em questão, eu não tenha encontrado um único problema nesse belíssimo filme.

Por iniciar os créditos com o som da máquina de escrever em braile, que em seguida aparece sendo utilizada pelo protagonista, o filme já nos coloca sob o ponto de vista deste. A cena de abertura dentro da sala de aula serve para apresentar o espectador ao personagens principais da trama e ao contexto em que estão inseridos. É sintomático que a professora ali seja retratada como alguém que não possui a atitude moral necessária a sua posição. Quando alguém toca uma bola de papel no aluno novo enquanto ele se apresenta para a turma, a professora começa a repreender o ato, mas logo desiste assim que o sinal do colégio soa. Uma cena tristemente verossímil, que reforça o drama da história que irá se desenrolar. A amizade entre Leonardo, Gabriel e Giovana é desenvolvida de forma rápida e eficiente, graças à boa montagem, que intercala cenas variadas de convívio entre os três, e principalmente ao maravilhoso elenco, que cativa o espectador sem a menor dificuldade. Nisso entra também o mérito do diretor (e roteirista) Daniel Ribeiro, que conduz os jovens (e promissores) atores muito bem, trazendo descontração à encenação. A performance de Ghilherme Lobo, como Leonardo, então, é a cereja do bolo. Se ele não é cego, compôs um cego perfeitamente; e se é cego, soube usar sua expressão facial de modo admirável, abrindo um leve e lúdico sorriso em momentos chave da narrativa. É graças a ele que o filme funciona. E funciona muito bem! Com um drama humano, recorrente e relevante, “Eu não quero voltar sozinho” representa o que há de melhor na cinematografia de curtas no Brasil, construindo uma narrativa coerente, fluida e bela, e esculpindo felicidade no estado de espírito de quem assiste a obra.

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