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Paul Thomas Anderson sobre Christopher Nolan

Enviado por Ghuyer em dom, 10/05/2014 - 18:25

Além dos fãs, das bilheterias astronômicas e das esnobadas do Oscar, de uns anos para cá o diretor Christopher Nolan tem acumulado uma parcela incrivelmente pentelha de opositores e haters. As justificativas destes são vagas, indo das frágeis alegações de que "ele não tem estilo" e que "seus filmes são intelectualmente rasos", e passando pelas críticas um pouco mais consistentes que, com certa razão, apontam o dedo para os pontos fracos do diretor, como o fato de seus diálogos serem expositivos demais, ou sua mise-en-scene se mostrar deveras confusa em cenas de ação. Esses são os opositores, que questionam o talento do diretor, mas que não deixam de reconhecer seus méritos. Críticas negativas vindas desse grupo de pessoas sempre podem se mostrar interessantes, apresentando um ponto de vista contestador, mas razoável.

Porém, a grande maioria que reclama o faz sem argumentos para defender tal opinião. São os haters. Há os xiitas da DC Comics que desgostam de sua versão do Batman, e que por tabela não gostam dos outros filmes do diretor. Há os pseudocinéfilos hipsters que detestam todos os cineastas que conquistam o grande público e aprendem a lucrar com os blockbusters (essa é a mesma turma que não gosta de Spielberg e James Cameron, por exemplo). E há o pseudointelectual que passou anos lendo Bazin e assistindo Godard e que não suporta diretores que não utilizem o cinema para desconstruir o próprio cinema e extrapolar os limites linguísticos do meio. Essa galera realmente não suporta o Nolan. Porque o Nolan é um convícto artíficie da narrativa clássica. Ele a compreende muito bem, e estrutura suas tramas se utilizando de princípios narrativos específicos para chegar a efeitos determinados. Nolan é um diretor que valoriza muito mais a sequência em que vai apresentar os acontecimentos da história, do que a história em si, ou que elementos da linguagem cinematográfica empregará para chegar a tal. Nolan é um diretor de trama; não é um diretor de espetáculo visual. De fato o estilo visual de seus filmes tropeça em qualidade e propósito em determinados pontos. O visual é plasticamente belo, mas significantemente vazio (no mais das vezes). Mas a competência de Nolan em organizar os eventos de uma história de modo a surpreender o espectador é um talento especial e, sinceramente, inquestionável. É preciso ser muito cabeça dura, teimoso e prepotente para não reconhecer essa qualidade em Christopher Nolan.

Paul Thomas Anderson é o cineasta contemporâneo que essa galera chata sempre usa de contraponto ao cinema que o Nolan faz. Brandam eles que Anderson faz o cinema realmente bom e respeitável, um herdeiro de Scorsese e Hitchcock. Pois bem, mas quem sabe o gosto de Anderson seja duvidoso? Ou esse pessoal que adora o utilizar como exemplo de tudo aquilo que o Nolan não consegue fazer talvez tenha que rever seus conceitos. Afinal, o próprio Anderson acaba de dizer o seguinte sobre Interstellar, o mais novo filme de Christopher Nolan: "Fucking incredible. Brave the line. See it in IMAX".

Tomem essa, haters. Cadê seu deus agora?

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