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Antes do Amanhecer

imagem de Julia
Enviado por Julia em sex, 02/25/2011 - 23:40

A busca por expressar um grande amor vem tomando tempo de cineastas ao longo das décadas. O intenso amor de Christian e Satine em Moulin Rouge (Baz Luhrmann, 2001), ou a doce relação de William e Anna de Um Lugar Chamado Nothing Hill (Roger Michell, 1999) podem ser considerados exemplos. A diferença é que Celine (Julie Delpy) e James (Ethan Hawke) em Antes do amanhecer (Richard Linklater, 1995) não enfrentam um Duque malvado ou a grande pressão da mídia. A distância (em 1995 ainda pior, visto que as facilidades da internet ainda não estavam desenvolvidas para aproximar casais distantes – e ao mesmo tempo não se sabe se o casal gostaria de tal instrumento visto que James acha o fato de telefonarem-se “depressivo”) como sendo o grande problema da história não impede que dois jovens solteiros em Viena se apaixonem da maneira como podem.

Celine e James (ou Jesse) conseguem uma intimidade que às vezes leva meses em um casal “convencional” em apenas poucos minutos de conversa no trem. Não há como explicar o que deixou Celine à vontade para, por exemplo, falar da pressão dos pais sobre qual profissão escolheria, ou justamente descer com um homem estranho em uma cidade européia para passar uma noite. Ela apenas sentiu que devia devido a uma afinidade ou química que permeia o filme do início ao fim.

Além disso, a suposta falta de uma relação sexual entre os dois personagens (o que não há como afirmar plenamente se ocorreu ou não, visto que o final da cena fica em aberto) que por muitos pode ser encarado como conservadorismo, ao meu ver é uma forma de destoar da maioria dos grandes amores cinematográficos onde o sexo pode parecer muitas vezes uma forma de “consagração” do amor. No filme, como diz o próprio James (Hawke), isso não é tão importante.

Um dos grandes mistérios está em dizer se o final do longa é feliz. Uma separação sem dúvida dói e ao vermos os lugares que visitaram sem eles, temos vontade que Jesse desista de pegar o vôo e Celine volte de Paris, para que tais pontos de Viena se tornem “completos” de novo, aos nossos olhos. Não se sabe se o encontro aconteceria dali a seis meses, ou se o amor de ambos iria ter maiores frutos caso permanecessem juntos, entretanto, ao vê-los se despedindo na estação, um otimismo preenche todo o fim do filme ao perceber-se um amor que existe apenas graças à afinidade e a disposição de duas pessoas para ficarem juntas.

 

Texto feito em fevereiro de 2010 para o curso de Linguagem e Crítica Cinematográfica, ministrado por Pablo Villaça.

 

Poltronas 

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