Os melhores e piores do cinema no 1º semestre de 2011

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Enviado por Maza em qui, 06/30/2011 - 21:43

Dia desses, conversando com o amigo e cinéfilo Luiz Rigotti (dono de uma coleção de DVDs que já passou a casa das 1000 unidades, tem o meu respeito o cidadão), ele sugeriu: Maza, tu que vai várias vezes por semana ao cinema, não vai postar no site uma lista dos melhores e piores nos cinemas esse ano? Boa ideia!

Dito isso, a lista não tem a intenção de colocar os filmes que são disparados os melhores ou piores desse ano, mas sim tem por foco listar, de forma humilde, os melhores e piores lançamentos nos cinemas brasileiros nesse primeiro semestre de 2011, conforme a opinião deste que vos escreve. 
 
Também ressalto 3 outros pontos: 1. A lista é baseada nos filmes lançados em Porto Alegre nesses 6 primeiros meses; 2. Nunca será uma lista definitiva, pois cada qual tem seus gostos, interesses e variáveis, e, principalmente, deixei de assistir a inúmeros filmes. Logo, não estranhe se na lista você não encontrar títulos como Turnê, Fora da Lei, Scott Pilgrim Contra o Mundo, entre outros títulos; 3. Evitarei ao máximo os grandiosos e inconsequentes spoilers, podem ler numa boa. 
 
Vamos lá então!
 
OS MELHORES:
 
1. Cisne Negro: sombrio, assustador, perturbador, brilhante. Adjetivos não faltam para a espetacular obra de Darren Aronofski. E claro, Natalie Portman, sua linda! Leia a crítica aqui.
 
 
 
2. Copie Conforme: o que é real e o que é ficção? Até que ponto a cópia vale mais que o original? Abbas Kiarostami trabalha cuidadosamente tal questão, de forma lenta, até chegarmos a um ponto do filme em que tudo se transforma, e que cada um tirará suas conclusões sobre o que aconteceu. Ao acabar de assistir, era tudo real? Ficção em meio à realidade? A única certeza de fato, é a brilhante atuação de Juliette Binoche. Sempre linda, sua atuação é empolgante e fundamental para a qualidade final do filme. E para quem gosta de filmes com a tal “alternância constante de idiomas”, observando Binoche falar em inglês, italiano e francês ao longo do filme, tem como não gostar de sua atuação? Leia a crítica aqui
 
 
 
3. Incêndios: o filme canadense apresenta uma história aparentemente desconexa, e exige uma paciência inicial de seu espectador para o que está vendo em cena. Aos poucos, tudo vai ficando mais explicitado, mas nada nos prepara para o arrebatador desfecho da obra, chocante e para se pensar (e discutir) após o término da projeção.
 
 
 
4. Namorados para Sempre: quem me conhece, um pouco que seja, sabe da dificuldade que tenho em aceitar romances, e principalmente, boa parte das comédias românticas, onde tudo é idêntico ao longo de duas horas (brigas e mais brigas), mas nos minutos finais o casal vai caminhando pela rua com um gigante sol se pondo ao fundo e tudo se resolve. Como em um filme da sessão da tarde. O Amor no cinema, em muitos casos é assim: fútil, bobo, ilusório, falso, hipócrita, tolo. Namorados para Sempre (ou Blue Valentine no original) é uma exceção a regra: com uma trilha sonora variada e empolgante, indo para as intensas e arrebatadoras atuações de Ryan Gosling e Michelle Williams, e fechando com um roteiro que enfia a mão na ferida dos relacionamentos sem nenhuma cerimônia, Namorados para Sempre é um filme perfeito para se ver a qualquer momento, e que no fim, apenas nos quer mostrar que o real Amor é isso: por vezes lindo, mas também cruel, sofrível, imperfeito e cheio de altos e baixos, como a vida de qualquer um de nós. Leia a crítica aqui.
 
 
 
5. Meia Noite em Paris: Woody Allen não para de filmar, e mesmo com seus 75 anos sempre nos entrega, em média, um filme por ano. Às vezes a decepção é grande (vide o recente Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos), mas quando ele acerta (como neste filme), nos brinda com uma belíssima obra que nos remete aos seus filmes antigos, suas melhores comédias e ainda faz com que fiquemos encantados ainda mais pela Cidade Luz, mesmo que a maioria de nós conheça pouco ou nada sobre tal cidade. E bom, tendo como personagem principal alguém que ama uma cidade chuvosa, é praticamente certo de que o filme será de qualidade inquestionável. Viva a Paris chuvosa! Vida longa a Woody Allen! Leia  a crítica aqui.
 
 
 
6. X-Men – Primeira Classe: é sempre motivo de receio saber que determinado filme ou franquia terá um prequel, pois normalmente a primeira impressão que temos é de que o único motivo para isso é encher os cofres dos estúdios com mais um filme “caça-níqueis”. Confesso que estava muito receoso com esse filme. As imagens iniciais não ajudavam, e o trailer também não. Mas, eis que o filme estreia e... UOU! O roteiro é bem escrito e coerente, as atuações são ótimas, o filme alterna momentos de humor, tensão e ação de maneira adequada. Tudo isso partindo de um filme que nos mostra a infância, e principalmente a fase adolescente, o início dos mutantes da Marvel. Surpreendente, uma excelente obra! Leia a crítica aqui
 
 
 
7. Homens e Deuses: a história dos monges católicos na Argélia, que precisam optar por seguir com seu trabalho ou sair da cidade para sobreviver, pode parecer banal para alguns, mas a meu ver ressalta a fé daquelas pessoas na esperança e no impossível, por vezes, de conseguir seguir sua missão, mesmo sabendo dos riscos para suas vidas de tais decisões que deverão tomar.  A cena que antecede aos minutos finais do filme (e seu desfecho) é de uma beleza impressionante, muitos foram às lágrimas no cinema.
 
 
 
8. Rango: Gore Verbinski é inegavelmente um diretor versátil. De filmes de terror a blockbusters, de dramas a obras infantis, de tudo um pouco conseguimos observar em sua filmografia. Talvez até por isso, aguardava com alguma expectativa pelo seu novo filme, mas em nenhum momento poderia imaginar algo tão brilhante quanto a primeira animação da Industrial Magic & Light, com que ele estava a nos brindar. Desde a perfeição do movimento dos personagens, aliado a uma trilha sonora empolgante e adequada (ah, La Valchiria! que prazer sempre lhe ouvir e vê-la presente em trilhas sonoras), a um roteiro inteligente, com humor refinado e que não menospreza a inteligência do espectador, e ainda somado a inúmeras referências cinematográficas, Rango derruba qualquer animação lançada até o momento e desde já é o candidato certo para inúmeros prêmios no próximo ano. Merecidos serão! Leia a crítica aqui.
 
 
 
9. Reencontrando a Felicidade: como evitar aquele que talvez seja o (ou um dos) mais clássico (s) dos clichês, o luto, a dor da perda? Normalmente filmes assim caem na situação-comum de atuações banais e dramáticas de forma exagerada, e uma trilha sonora falsa com um único intuito: o choro do espectador e fim.  Mas “Rabbit Hole” (título original) foge desse perfil clássico de abordagem. As atuações de Nicole Kidman e Aaron Eckart (em especial a deste último) são de entrega plena. Um filme onde seus personagens estão mais próximos de uma realidade tangível, onde a dor da perda não é tratada com pena e tapinha nas costas, pois os outros podem estar sofrendo tanto ou mais que você. Seu vizinho pode estar de luto, seu colega de trabalho, eu mesmo posso estar de luto. E o filme aborda justamente isso, que precisamos superar ou simplesmente seguir em frente, mesmo com manchas que nunca virão a serem apagadas, dores que não acabam e feridas que nunca cicatrizam. Cabe a cada um de nós a decisão de continuar na amargura e no sofrimento eterno da perda, ou seguir a vida lidando com isso.
 
 
 
10. Não me Abandone Jamais: temos o direito de sermos os donos de nossos atos? Somos predestinados a seguirmos com as nossas vidas já estabelecidas passo a passo? Temos consciência do que fazemos? Em Não me Abandone Jamais, mesmo que lento em sua abordagem, isso é brilhantemente retratado, seja pela música e fotografia de Rachel Portman ou ainda pela atuação do elenco principal composto por Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knightley. Definido por muitos como uma ficção científica, e baseado na obra Never Let Me Go, de Kazuo Ishiguro, o filme é triste desde seu início, amargo com o passar da projeção e por que não dizer revoltante em boa parte de seu fim. Em suma, brilhante. Leia a crítica aqui
 
 
 
OS PIORES:
 
 
1. A Garota da Capa Vermelha: Catherine Hardwicke segue com seu estilo de direção que lembra muito a saga Crepúsculo, e aqui não seria diferente. Pelo contrário, desde os planos iniciais, indo para as atuações, trilha sonora, os efeitos mal utilizados, tudo lembra a história da garota apaixonada pelo vampiro, mas com uma queda por um lobo (até o terceiro filme era assim, poderá piorar, ainda). Um roteiro mal escrito, onde elementos clássicos são jogados em cena apenas para constarem na película, um suspense enfadonho sobre quem é o temido lobo mau (que em determinadas partes do filme parece ser vegetariano) e que não leva a lugar algum, e com um final absolutamente vergonhoso, que novamente só nos faz lembrar... Crepúsculo! Só faltou a participação especial de Steve Carell como Michael Scott, pois A Garota da Capa Vermelha é muita vergonha alheia! Leia a crítica aqui.
 
 
 
2. O Mistério da Rua 7: um filme sem propósito, com um roteiro mal escrito e atuações constrangedoras. Onde do nada as pessoas somem e só restam os seus pertences na terra, e onde a fé salvará as pessoas de bem, e um “elemento-surpresa” (para não soltar grande spoiler) poderá ser o causador de sua morte, poderá lhe matar quando menos você esperar. Seria O Mistério da Rua 7 um “arrebatamento às avessas”? Não sei. Mas digo que quando o filme acabou (aliás, durante o filme já vinha pensando nisso) pensei: “Fim dos tempos” tem muitas virtudes perto de “O Mistério da Rua 7”. E convenhamos, um pensamento assim é sempre algo no mínimo apavorante.
 
 
 
3. As Mães de Chico Xavier: de alguns anos para cá, ficou claro que os filmes espíritas carregam um bom público de devotos ao cinema. Sendo assim, mais um filme envolvendo a vida do médium brasileiro era inevitável que acontecesse. Dividido em três histórias aparentemente desconexas, o filme não tem um foco, não fica claro se quer passar a mensagem do espiritismo, se do luto e da perda ou se da reconciliação de personagens. Mais do que isso, o filme tenta em determinado momento fazer suspense em algo que todos sabem, e que não existe nada a esconder (exemplo: certo personagem aparece constantemente após uma cena tensa. TODOS sabem que ele morreu. Todos, menos os roteiristas e a produção do longa). Confirmando a máxima de que tudo o que é ruim ainda poderá piorar, os minutos finais do filme são de um equívoco colossal, algo absurdamente repugnante e nojento, menosprezando ainda mais a inteligência do espectador. Queremos filmes de qualidade sobre determinada crença e não apenas filmes focados para determinado público, com a idéia de que quem é devoto de tal religiosidade irá aceitar o que nos é mostrado em cena!
 
 
 
4. Zé Colméia: uma animação em que o personagem principal perde espaço para o coadjuvante (sim, Catatau é melhor no filme do que o assaltante de cestas de piquenique), onde todos os clichês possíveis são colocados no roteiro para entreter as crianças, mas nem isso consegue, fracassando miseravelmente; Um filme onde percebemos nítidas falhas na interação dos atores reais com os personagens em CGI; Um filme com tantas falhas não poderia dar certo, nem mesmo com um personagem tão ilustre de Hanna Barbera. O que sobrou de válido na sessão foi o curta do Papa Léguas e do Coiote. Se ao menos Zé Colméia tivesse sido um curta, e não um longa, quem sabe nesse caso teríamos algo ao menos razoável de se assistir. Leia a crítica aqui.
 
 
 
5. O Turista: una o diretor do excelente A Vida dos Outros, com dois dos astros mais badalados de Hollywood e você terá um filme excelente. Excelente? Bem pelo contrário. A trama dirigida por Florian Henckel von Donnersmarck é bastante irregular ao misturar espionagem com humor e ação, tudo parece muito forçado em cena. Johnny Depp parece perdido no filme, com uma atuação abaixo da média, filme esse onde todos os holofotes focam Angelina Jolie e seus trejeitos, seu olhar, sua boca gigante e assim por diante. Uma pena para o diretor, que se torna mais um entre os inúmeros casos de diretores com excelentes filmes fora de Hollywood, mas que quando dirigem filmes americanos não conseguem realizar uma obra ao menos razoável.
 
 
 
6. Sexo sem Compromisso: Natalie Portman, como diria alguém (acho que o @clickfilmes), precisa trocar de agente. Não é admissível que uma atriz com mais de 15 anos de carreira e interpretando os mais variados papéis, acabe participando de um projeto como esse. O pôster do filme já indica tudo, mas mesmo assim, não ganha nada quem adivinhar como acabará a história do filme em que ela contracena com Ashton Kutcher. Vergonhoso.
 
 
 
7. O Noivo da Minha Melhor Amiga: Hollywood e suas velhas comédias românticas e patéticas. Longo, sem graça, superficial a cada take e com atuações canalhescas. Kate Hudson vai se afundando cada vez mais a cada filme que faz, não lembrando nem de longe a sua linda e charmosa Penny Lane de Quase Famosos. Patético, lamentável.
 
 
 
8. Brasil Animado: uma animação com duração de 75 minutos, e que mesmo assim carece de um bom ritmo. Piadas sem graça até para crianças, quem dirá para adultos. Tudo é muito forçado em cena, e uma animação precária que parece ter sido feita apenas para confirmar o posto de primeira animação 3D realizada no Brasil (que por sua vez, também não acrescenta muita coisa ao formato). 
 
 
 
9. Esposa de Mentirinha: Jennifer Aniston tinha um futuro promissor nos cinemas. Por um Sentido na Vida (2002) mostrou o quanto a atriz tinha capacidade para ir além das comédias ou personagens engraçadas, como sua clássica Rachel, do seriado Friends. Infelizmente foi apenas uma impressão, pois cada vez mais a vemos em comédias que nada acrescentam ao gênero. Nesse filme recheado de piadas sexuais bobas e sem ritmo algum (mais de duas horas de duração), acaba sendo parceira de cena de Adam Sandler. Bem podem imaginar o resultado final de tudo isso.
 
 
 
10. Lope: Andrucha Waddington nos entrega um filme muito irregular (talvez o mais fraco de sua carreira), onde a história de Félix Lope de Vega nos é mostrada de forma boba, com trilha exagerada em diversos momentos, diálogos por vezes constrangedores e um ritmo arrastado. Nem Selton Mello se salva no filme.
 
 
 
OBSERVAÇÃO: Realizar listas é cruel. É difícil deixar de fora filmes interessantíssimos como Bravura Indômita, Um lugar Qualquer, entre outros. Da mesma forma, em vários momentos pensei em colocar entre os piores, filmes como Desenrola, Fúria Sobre Rodas, Você Que Sabe... Listas são feitas de escolhas e nem sempre conseguiremos contemplar tudo que desejamos inicialmente não é mesmo?
 
 
A VOZ E A VEZ DOS TWITTEIROS: 
 
Conforme prometido, segue o melhor e o pior na opinião do pessoal do twitter, que colaborou bastante com a votação. A todos o meu muito obrigado pela participação!
 
O MELHOR:
 
* Cisne Negro: tinha como ser outro resultado? Ninguém fica indiferente junto a este filme!
 
 
 
Outros votos entre os melhores
 
Copie Conforme, X-Men - Primeira Classe, Meia Noite em Paris, Incêndios, entre outros.
 
            
 
 
O PIOR:
 
A Garota da Capa Vermelha: é cedo para dizer isso, mas temos grandes possibilidades de chegar ao final do ano e ainda assim, esse estará entre os piores, se é que não com o título de pior! Vergonhoso, vergonhoso. 
 
 
 
Outros votos entre os piores:
 
Entrando Numa Fria Maior Ainda, A Árvore, As Mães de Chico Xavier, Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles (leia a crítica deste último aqui), etc.
 
            
 
 
OBSERVAÇÃO FINAL: Fator atípico e que merece ser citado:
 
Filme que entrou tanto na lista de melhores, quanto na de piores do ano até agora: 
 
Thor: cada um veja o filme e tire suas próprias conclusões...hehe. Leia crítica aqui.
 
 

 

Comentários

imagem de André Nique

Enviado por André Nique (não verificado) em qui, 06/30/2011 - 22:18

Cisne Negro em primeiro! \o Mas faltou Bravura Indômita nessa lista, hein? =D

Já to catando pra baixar Incêndios, fiquei curioso pra assistir.

imagem de Robson Saldanha (Hobitss)

Enviado por Robson Saldanha... (não verificado) em sex, 07/01/2011 - 10:33

Ótima lista Maza. Ainda preciso ver alguns filmes aí... só retiraria Não me Abandone Jamais dos melhores e colocaria nos piores. hehehe

P.s.: O filmde Binoche não seria o Cópia Fiel? =)

imagem de @_DanielSilva

Enviado por @_DanielSilva (não verificado) em sex, 07/01/2011 - 11:35

Adoro listas, apesar de trocar itens no segundo seguinte da finalização. Concordo com os melhores e assisti a poucos dos piores, ainda não cheguei no nível de mesmo sabendo que a opinião geral e desastrosa ter a necessidade de conferir com os próprios olhos. Me valho de filtros, e esse site é um dos meus grandes filtros. Parabéns pelo site, está efervecente! Abraços!
P.S.: Não colocaria 'X-Men - First Class'. Substituiria por 'Abutres' ou 'Bravura Indômita'.

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