O Filho da Meia-Noite

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Enviado por Ghuyer em ter, 07/12/2011 - 00:03

Marcando a estréia de Scott Leberetch no comando de longas-metragens, O Filho da Meia-Noite é provavelmente o melhor filme sobre vampiros que eu já vi.

Vivendo sozinho e isolado em um porão, Jacob (Zak Kilberg) sai de casa somente às noites, pois sua pele é muito sensível à luz do sol. A princípio esse problema não o incomoda muito, porém, quando não consegue mais saciar sua fome, Jacob aos poucos começa a perceber que algo realmente estranho está acontecendo com ele. Após se envolver com Mary (Maya Parish), uma mulher que conheceu por acaso, Jacob tenta encontrar um modo de tranquilizar os efeitos de sua misteriosa transformação.

Essa premissa é muito bem explorada por Leberetch, que, ao contrário do que geralmente ocorre em Hollywood, sabe aproveitar o material que tem em mãos com o devido cuidado, sem extrapolar visando somente o potencial lucrativo do mesmo. Adotando um estilo contemplativo e pausado nos dois primeiros atos do filme, Leberetch constrói a narrativa com toda a calma do mundo, permitindo ao espectador conhecer sem pressa todos os detalhes da condição do protagonista, que é desenvolvido à exaustão em ótima performance de Zak Kilberg.

Com cenas rodadas quase exclusivamente à noite e filmado totalmente em Los Angeles, O Filho da Meia-Noite tem uma atmosfera noturna e urbana que ajuda a reforçar a tristeza dos personagens trágicos que habitam a história. Seguindo essa linha, a fotografia de Lyn Moncrief usa uma paleta de cores cruas, evitando estilizar o que ocorre em cena, além de sempre tentar enquadrar o protagonista em planos fechados, evidenciando sua solidão. E a trilha sonora de Geoff Levin e Kays Al-Atrakchi surge discreta e econômica, apostando mais em efeitos de som do que propriamente em composições (como acontece também em Anticristo e Água Negra, por exemplo).

Ajudando a consolidar a peculiaridade do projeto, o elenco, sem contar com uma atuação ruim, é mais do que equilibrado, com cada ator compreendendo bem a personalidade de seus papeis. Aliás, o roteiro de O Filho da Meia-Noite também merece crédito nesse sentido, já que desenvolve suficientemente personagens que, de outra forma, poderiam facilmente ter sido encarados como os estereótipos do cara solitário, da mulher drogada, do negro traficante, entre outros.

Porém, talvez seja a direção segura de Leberetch, mais do que o roteiro bem aparado, o que realmente confere diferencial a O Filho da Meia-Noite. Além de desenvolver calmamente a já citada atmosfera que impera no filme, Leberetch emprega um incrível tom de realismo às cenas, de modo que praticamente não notamos se tratar de um filme sobre vampiros. Deixando de lado a violência gratuita vista em tantos outros filmes do gênero, Leberetch só a usa quando necessário, preferindo intensificar o ritmo da narrativa de pouquinho em pouquinho até chegar ao clímax nos últimos minutos. E provando que é mais do que possível fazer uma história de amor com vampiros sem resultar em algo insosso como Crepúsculo, Leberetch cria um forte arco dramático entre Jacob e Mary que, poeticamente representado no belíssimo plano final do filme, rivaliza com aquele visto em Namorados Para Sempre (Blue Valentine, EUA, 2010).

Poltronas 

5

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