Adaptações para o Cinema

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Enviado por Maza em qua, 07/13/2011 - 19:41

De uma forma ou de outra, todos já ouviram ou até muitos já mencionaram a frase de que “o livro é sempre melhor que o filme”. Considerando as infinitas formas de se trabalhar um livro, a chance de isso acontecer é de fato grande. Você elabora um texto, uma obra, e cada leitor interpreta determinados pontos de uma forma distinta: a vizinha deve ser uma velha enrugada, tal casa deve ter as paredes velhas, caindo aos pedaços, o sol se pondo e visto do alto da ponte gera uma imagem linda... Tudo isso e muito mais não precisa estar necessariamente exposto na obra, vai da mente, da imaginação de cada leitor. No cinema os roteiristas, diretores e outros precisam colocar isso em prática, com aquilo que eles acreditam que seja a melhor forma a ser observada no formato de imagem. Mas alterar o rumo de alguns personagens ou acrescentar novos, eliminar determinadas passagens para melhorar o ritmo do filme, mudar o tom que o livro tinha como objetivo inicial, tudo isso é apenas uma pequena parte do que pode ser considerada uma adaptação. No próprio conceito da palavra, adaptação significa: Ação de adaptar; resultado desta ação. Transposição de uma obra literária para o teatro, televisão, cinema etc. Arranjo, adequação de uma obra estrangeira que, além da tradução, implica modificações do texto original. 

 
Dito isso, é preciso separar bem a questão literatura e cinema, embora seja quase inevitável em meio à leitura o pensamento: ok, esta cena no cinema ficaria muito boa, esse livro precisa virar filme. E nos casos das Histórias em Quadrinhos (HQs), que você já consegue visualizar, ter a imagem a seu dispor, mas você ainda imagina: que ator ficaria bem nesse papel, quem teria esse porte físico? Será que tal atriz segura bem tal personagem, ela é uma garota que mal entrou na adolescência e sai dando tiro na cabeça, cortando corpos, jorrando sangue para todos os lados. Isso nunca vai virar um bom filme, irão estragar a obra!
 
Com essa ideia e baseado em algumas de minhas humildes leituras, resolvi elaborar uma lista com adaptações para o cinema. Tal lista não tem por intenção ser a melhor e mais selecionada lista de adaptações, já que infelizmente muitas obras literárias e/ou HQ´S não consegui ler para realizar uma análise breve, que seja, entre literatura e cinema (alguns exemplos como Stardust, trilogia Millennium, Perfume – A História de Um Assassino, O Segredo dos Seus Olhos, etc), mas ainda assim, acredito que consegui listar bons livros/HQs que geraram adaptações cinematográficas bastante qualificadas.
 
E você, concorda com a lista? Lembra de alguma obra que leu e que achou interessante sua adaptação para os cinemas? Comente, divulgue, critique, participe; seja você leitor ou cinéfilo, fã de literatura ou cinema, contamos com sua participação!
 
OBSERVAÇÃO: como base para essa lista, não posso deixar de citar os ótimos textos dos amigos e colunistas Guilherme (leia aqui) e do Gustavo (leia aqui) que de forma direta e indireta influenciaram muito nesta escrita. Saliento ainda, que os filmes citados abaixo não encontram-se em ordem de preferência e sim descritos de forma aleatória.
 
1. Como Treinar seu Dragão: o texto de Cressida Crowell tem méritos pela história agradável, pela linguagem do protagonista, pelo bom humor, tudo isso e outros pontos foram muito bem adaptados para o cinema, mas é indispensável mencionar que nos minutos finais do filme, existe uma alteração em relação à obra original que melhora e muito o resultado final. Um final ousado e que quebra aquela falsa ideia de um filme meramente infantil e feito apenas para crianças. Respondemos pelos nossos atos, e tais decisões podem gerar consequências que nos seguirão por toda a vida, e quem viu o filme entenderá a que me refiro.
 
 
 
2. Clube da Luta: dono de uma filmografia invejável, David Fincher dirigiu aqui, aquele que é considerado por muitos sua obra-prima, sua maior e melhor obra (pode soar exagerado, mas também, fica complicado dizer qual seu melhor filme em meio a filmes como Seven, Zodíaco, Rede Social e outros). Visceral, com ótimas atuações, trilha sonora arrebatadora e uma história que ataca na pleura do capitalismo exacerbado, do consumismo irresponsável, na loucura de um mundo cada vez mais workaholic e assim por diante. Mas tudo isso foi possível também pelo fato de ser uma das melhores adaptações de todos os tempos, o texto original de Chuck Palaniuk é bárbaro, e cada palavra, trecho, tudo foi muito bem lançado na tela grande. Talvez o principal ponto que seja diferente, seja justamente o desfecho, que até nisso o filme acaba por ser superior ao livro (no ponto de vista deste que vos escreve, é bom deixar claro).
 
 
 
3. Laranja Mecânica: no livro de Anthony Burgess, a ideia inicial era mostrar um grupo de jovens deliquentes que praticaram atos de sadismo, selvageria e similares em uma sociedade futurista. A obra de Stanley Kubrick ainda hoje é impactante pela abordagem dos temas, pela montagem, até a maravilhosa atuação de Malcolm McDowell, etc. Novamente o final é alterado, ou melhor, é suprimido em relação à obra original que finalizava de uma forma mais amena e até causando uma pequena sensação de bem estar no leitor, bem ao contrário do fim da obra de Kubrick, em que a versão mais pessimista e amarga da sociedade permanece.
 
 
 
4. Coraline: talvez aqui um dos casos em que mais encontramos mudanças em relação ao texto original, sem que isso gere uma obra de qualidade inferior. Um personagem infantil é adicionado para criar uma amizade inusitada com Coraline, o filme também reforça alguns pequenos musicais que no texto de Neil Gaiman era algo muito discreto e breve. Em compensação, a caracterização da vilã é muito mais sutil, sua transformação nos é revelada mais próxima do terceiro ato e a utilização dos recursos 3D são excelentes, ampliando a profundidade de campo entre os dois mundos a que Coraline passa a frequentar.
 
 
 
5. Kick-Ass: a HQ de Mark Millar tem bom humor, ritmo ágil, mas principalmente, um patamar de violência que seria impensável em um filme à altura nas telas. Felizmente o diretor Matthew Vaughn provou o contrário, trabalhando com ótimos diálogos, trilha sonora empolgante, sequências de ação eletrizantes entre outros pontos. Mas, nada disso teria sido plenamente satisfatório se não tivéssemos a atuação espetacular da Hit Girl dos HQs, pois Chloë Moretz superou as expectativas e fez de sua Hit Girl uma personagem arrebatadora e desde já Cult: Hit Girl detona!
 
 
 
6. Fim de Caso: a obra de Graham Greene é trazida para as telas como um dos melhores filmes da carreira de Neil Jordan. Fim de Caso tem uma trilha sonora marcante, um roteiro adaptado muito bem acertado em encurtar ou até eliminar algumas subtramas da obra original, e consegue trabalhar com vários gêneros (romance, guerra, drama), sem que isso pareça algo bagunçado ou sem foco. Destaque para o trio de atores composto por Stephen Rea (parceiro de Jordan em tantos outros filmes), Julianne Moore e Ralph Fiennes. Fim de caso é um filme arrebatador onde a fé é inequívoca, a guerra é irreversível e o sofrimento e a dor são irreparáveis. 
 
 
 
7. Hamlet (1948): Mesmo passadas mais de 6 décadas, Hamlet dirigido por Laurence Olivier é, ainda hoje, uma das melhores adaptações da clássica tragédia escrita por William Shakespeare. Mesmo com limitações da época, é possível perceber o cuidado com a direção de arte e os cenários, figurinos, além de uma ótima trilha sonora. Entretanto, isso tudo fica em segundo plano diante da atuação do personagem principal. Olivier encarna um Hamlet possesso de raiva e fúria, indo ao seu limite em busca de vingança pela morte de seu pai. Vencedor de vários Oscars, incluindo o de melhor filme. 
** Não assisti às versões de Mel Gibson e Kenneth Branagh, logo, não posso falar muito mais a respeito.
 
 
 
8. O Senhor dos Anéis: A trilogia dirigida por Peter Jackson superou as expectativas de muitos que imaginavam não ser possível reproduzir toda a fantasia da obra máxima de J.R.R. Tolkien. O roteiro muito bem adaptado (o que de fato surpreende, já que foi trabalhado a seis mãos: por Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens), equilibra bem os momentos de ação, construção de personagens, ritmo, entre outros. E os locais por onde passam Frodo, Sam e Gollum, enquanto se dirigem para Mordor, além é claro do Condado e do Pônei Saltitante (citando apenas algumas entre dezenas de outras regiões da Terra-média), são extremamente bem retratados. Aliado a isso, observamos atuações acima da média, o descobrimento de ótimos atores (Viggo Mortensen, para citar um ao menos) e o surgimento de uma nova empresa no ramo dos efeitos especiais: a WETA Digital, desbancando a até então imbatível Industrial Magic & Light. Que venha logo O Hobbit!
 
 
 
9. Harry Potter: Por mais que os fãs mais radicais possam alegar que os filmes são bem inferiores aos livros de J.K. Rowling, reclamando da alteração em partes da trama, a supressão de outros elementos e personagens, a franquia Harry Potter nos cinemas possui muito mais acertos do que erros. Observando todos os 7 livros e também os 7 filmes já realizados até o momento, o saldo é mais do que positivo, e é muito satisfatório observar a evolução da saga do bruxo nos cinemas. Mesmo que tenha tido um começo que muitos julgam inferior com Chris Columbus (embora reconheça que mesmo não gostando do diretor, observando agora me parece ter sido um bom diretor para retratar o começo da saga, a descoberta de um mundo novo e de descobertas por parte dos alunos de Hogwarts), a série de uma maneira geral foi crescendo em qualidade e melhorias em seus aspectos técnicos, além de roteiros mais bem trabalhados (com exceção de a Ordem da Fênix, pois ali falharam em alguns pontos, incluindo no anticlímax da morte de importante personagem). Até a divisão do último livro em dois filmes, outrora julgada como se fosse uma jogada meramente lucrativa (o que não deixa de ter lá o seu pouco de verdade), me pareceu uma ótima decisão para detalhar mais aspectos importantes do fim da saga de Harry Potter. Esperamos que o encerramento  seja o mais arrebatador possível!
***** Confira aqui nosso Especial Harry Potter!
ATUALIZADO EM 17/07, 18:15 : após olhar o filme na sessão da 00h01, com fãs insanos, gente aplaudindo, pessoas chorando de forma exacerbada e tudo mais (não estou reclamando, foi bem divertido e tudo), devo dizer que para mim foi sim, o encerramento foi arrebatador e ficou a altura de toda a saga do bruxo mais famoso do cinema!
 
 
 
10. Sin City: As HQs de Frank Miller são marcantes por suas histórias, personagens emblemáticos, pela violência, pela “pintura” de cada quadro, entre outras virtudes. Inicialmente, Miller era contrário a uma adaptação de sua obra até que Robert Rodriguez, sem o seu conhecimento, dirigiu um curta (The Customer Is Always Right) e mostrou para Miller. Sua satisfação e surpresa foram tamanhas, que aceitou o trabalho de adaptação, participando nclusive, como um dos diretores do longa. O que se vê em cena, em muitos casos, são os próprios enquadramentos das HQs na tela grande, retratados com violência chocante por vezes, e com atuações empolgantes (quem gosta de dizer que Mickey Rourke voltou ao cinema com O Lutador de Aronofsky, deveria rever sua atuação em Sin City: Rourke como Marv é a reencarnação do personagem nas telas! Ah sim, Rourke está arrebatador em O Lutador, tal qual no filme de Frank Miller), Sin City foi um achado em meio a tantas adaptações duvidosas de inúmeras Grafic Novels dos últimos anos. 
P.S: Frank Miller teria se empolgado tanto com o resultado, que anos mais tarde tentou repetir o sucesso na direção adaptando mais uma Grafic Novel, Spirit. O resultado eu não sei como ficou porque não assisti, mas pelo que a maioria fala...
 
 
 
HOUR CONCOURS: 
 
The Godfather: Reza a lenda de que o escritor Mário Puzo teria recebido o adiantamento de 5 mil dólares para escrever um livro envolvendo a Máfia. Em 1969 é lançado O Poderoso Chefão, narrando a saga da família Corleone. Mesmo que sejam notórios os méritos de tal livro, ninguém poderia imaginar a obra-prima que viria a surgir a partir de tal história. Muito pode se dizer a respeito da maior obra de Francis Ford Copolla, roteiro impecável, elenco irrepreensível, tecnicamente inquestionável e assim por diante. Mas por mais que tenhamos adjetivos a escrever, ainda assim não estaremos descrevendo plenamente uma das maiores obras do cinema de todos os tempos!
** O próprio Mário Puzo auxiliou nos roteiros de O Poderoso Chefão parte 1 e parte 2.
 
 
 
OBSERVAÇÃO FINAL: a velha máxima da elaboração de listas aqui permanece. Difícil listar poucos títulos como esses, deixando de fora obras excelentes e de adaptação igualmente qualificadas como Bravura Indômita, O Silêncio dos Inocentes, A Fantástica Fábrica de Chocolates (me refiro a adaptação dirigida por Tim Burton), Preciosa, entre outras tantas obras.
 
 

Comentários

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Enviado por Angela (não verificado) em qui, 07/14/2011 - 17:44

Stardust é muito bom. Só vi o filme até agora. E gostei. Harry Potter fiz o contrário, vi primeiro os filmes. Agora leio os livros aos poucos. Ainda estou muito absorvida pro Games of Thrones. Que está sendo muito bem transposto para a tela da TV. Admiro o trabalho desse pessoal aqui do Fila K (aliás é minha fileira predileta no cinema). Gostaria de ter esse senso crítico que vocês tem. Eu simplesmente gosto ou desgosto de um filme. Valeu. Continuem assim

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