A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1

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Enviado por Luciana em ter, 12/13/2011 - 20:05

Há tempos que nos encantamos com a beleza e o poder de persuasão (e por que não dizer de sedução?) dos vampiros. Mesmo que eles sejam maus, e eles realmente são, pode apostar. Eles viram cinzas quando expostos ao sol, se alimentariam do nosso sangue sem a mínima cerimônia e ainda por cima são imortais, precisa mais? Quem nunca assistiu a Entrevista com o Vampiro (Neil Jordan, 1994) e não se solidarizou com a vampirinha Claudia, interpretada por Kirsten Dunst? Mas, infelizmente, hoje em dia a avalanche de livros de supostos “vampiros” enche as prateleiras das livrarias e dos quartos de milhares de pessoas mundo afora. Como é o caso da “Saga” Crepúsculo.

Seguindo a mesma linha dos três longas anteriores (Crepúsculo, 2008; A Saga Crepúsculo: Lua Nova, 2009 e A Saga Crepúsculo: Eclipse, 2010), todos baseados nos livros de Stephenie Meyer, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, filme dirigido por Bill Condon (Dreamgirls - Em Busca de um Sonho, 2006), aparece como mais um filme cheio de erros e que tenta (sem sucesso) nos convencer de que o mundo é cor-de-rosa (ou seria “purpurinado”?).

Bella Swan (Kristen Stewart) é uma garota sem graça e sem sal, que parece atentar a todo o momento contra a própria vida, já que insiste em permanecer ao lado de seu amado “vampiro” Edward Cullen (Robert Patinson). A atuação de ambos é vergonhosa, visto que Kristen exibe o mesmo semblante de sempre, totalmente apática, sem expressão. Seja em cenas de alegria, de aflição, de dor ou desespero, o seu olhar será sempre o mesmo (fazendo com que em certa cena, quando ela pergunta para Edward “não percebe o quanto estou feliz?” seja não um exercício de consternação, mas uma constatação de que não há como notar felicidade em Bella). E o que dizer de Pattinson, que fala parecendo que não articula uma única palavra, pois quase não mexe os lábios, a não ser para dar aquele sorrisinho de quem está satisfeito com o que ocorre ao seu redor.
 
 
O roteiro de Melissa Rosenberg (a mesma dos filmes anteriores) parece ter sido podado por um carismático e desocupado Edward Mãos-de-Tesoura, pois contém somente o que parece interessar para fazer sucesso no filme, deixando de lado as tramas paralelas presentes no livro (sim, infelizmente eu li os livros - e detestei todos, preciso dizer), já que existe todo um universo de acontecimentos que não é nem de perto mencionado, o que certamente causará certo estranhamento caso algo seja subitamente mencionado no último (ufa!) filme. (Spoiler!) O que parece importar? O casal sem graça + o casamento do casal sem graça + a lua de mel do mesmo casal sem graça + a gravidez da pobre mocinha (que surpresa... Sem graça!) + a luta entre “lobisomens” e “vampiros” em função da pobre mocinha estar grávida de uma criatura que eles não fazem ideia do que seja. Junte tudo isso em uma mesma película e encontre um filme pavoroso que foi dividido em dois somente para nos causar tortura em dobro e render muita grana aos envolvidos no projeto, uma vez que os acontecimentos deixados para a segunda parte teriam condições de ser inseridos nesse filme, caso o recurso “encher linguiça” fosse deixado de lado.
 
Ao menos nesse quarto filme não ouvimos o barulho e nem presenciamos o purpurinar destes seres branquelos ao brilhar ao sol, mas será que isso pode ser considerado um acerto da equipe de efeitos visuais? Creio que não, pois acredito que o diretor optou por realizar somente cenas em que não fosse necessária a exposição direta dos “vampiros” ao sol. Por outro lado, a maquiagem utilizada neles está bem mais convincente do que nos filmes anteriores. Mesmo que agora eles se pareçam com bonecos de cera, pelo menos não percebemos onde começa e onde termina a maquiagem. (Spoiler!) Da mesma forma, o recurso utilizado para “emagrecer” Bella enquanto definha em função da gravidez está quase que o ideal, fazendo parecer que Kristen realmente emagreceu tudo aquilo para gravar as cenas (em especial aquela em que ela aparece com as costas nuas, prestes a entrar na banheira). Mas, infelizmente, isso só comprova que esta equipe está desperdiçando seu talento com o filme errado.
 
 
(A partir daqui não mais irei sinalizar com a palavra spoiler, mas é inevitável que eles apareçam, e talvez em um bom número.)
 
Tendo como ponto de partida os preparativos para o casamento, vemos Bella padecer em cima de um salto, mal conseguindo se manter sobre as pernas, para logo ali adiante vermos que ela não só consegue andar de salto, como correr com eles. Estranho, não? O casamento ocorre sem maiores problemas (a não ser as paranóias de Bella, mas isso não é lá de se surpreender), até o momento em que Jacob (Taylor Lautner, que tira a camisa logo na primeira cena de filme, outra novidade) aparece e fica pasmo e furioso ao perceber que “sua Bella” terá a lua de mel ainda como humana. O que de fato ocorre. Os pombinhos se casam, viajam para o Rio de Janeiro, dançam um pouquinho na Lapa (muito samba, pagode, algumas mulatas e principalmente, planos com alguns casais pelos cantos em meio aos amassos, demonstrando – mais uma vez – que o próprio longa não confia em si mesmo para demonstrar a tensão sexual existente entre os protagonistas) e dali partem para a lua de mel na Ilha Esme, um local fictício na costa do RJ. Vale ressaltar que depois da “famosa” cena em que Edward aparece destruindo o quarto do casal, ele se recusa a tocar novamente na esposa (ele teme tê-la machucado), e então eles passam as próximas duas semanas jogando xadrez ao invés de fazerem sexo, com o perdão da expressão (mesmo que Bella se esforce a todo momento para isso, com decotes e outros: não basta ser vampiro purpurina, precisa também optar por xadrez ao sexo).
 
 
Bella se descobre grávida e, depois de serem interpelados pelos caseiros brasileiros (seria engraçado caso não fosse ridículo Pattinson esbarrando no português), o casal retorna a Forks, a fim de que Bella se livre da “criatura” que carrega no ventre. Como a moça não consegue resistir ao seu instinto suicida, ela decide levar a gravidez adiante, para desespero de quase todos. “Lobisomens” vêm, “vampiros” vão, lutas aqui (ainda sobre os efeitos especiais, é de péssima qualidade o confronto entre vampiros e lobisomens na noite. Ora, era sabido que não teríamos um confronto assim em plena luz do dia, mas o que vemos em cena é uma fotografia muito mais escura do que o aceitável, parecendo tentar mascarar a falha dos efeitos especiais nesse momento), conversas bobas ali, e o tempo vai passando até o momento do parto em si: um quadro dos horrores, uma espécie de quadro da dor na moldura do desespero. E o mais ridículo é que tudo aparentemente se resolve pelo fato de Jacob sofrer imprinting com a pequena criaturinha que nasce de nome “Renesmee” (e se você acha esse nome estranho – não tente descobrir a origem dele, é ridícula –, vale comentar que se a criatura fosse homem, Bella já tinha escolhido o nome: Edward Jacob. Tirem suas próprias conclusões). Deixando claro que se utilizar de um recurso assim no quarto filme da “saga”, sem maiores explicações sobre o assunto nos longas anteriores, só mostra a falta de maturidade e comprometimento com o projeto, pois essa situação de imprinting é amplamente discutida em um dos livros, não recordo se no terceiro ou mesmo neste último, e que deveria ter sido pelo menos abordada (mesmo que em menor escala) em algum momento anterior a esse.
 
Mas, o que podemos esperar de um filme como este, que se baseia em um material que vai contra tudo o que sempre concebemos como a figura de um vampiro, e que tem como protagonista um casal como Bella e Edward? Nada além de um projeto que não merece o mínimo de crédito, e que infelizmente só serve para entendermos que mesmo alguns bons profissionais (como Michael Sheen, por exemplo, que não entendo como foi parar ali) também cometem erros e acabam indo parar nos créditos de um filme desse tipo. Agora é aguardar por Amanhecer - Parte 2 e finalizar de vez tal “Saga”!
 
OBS.: Existe uma cena adicional durante os créditos finais em que Aro, personagem de Michael Sheen, deixa a impressão de um gancho para o segundo filme. Mesmo que a princípio, de acordo com a história do livro, o ponto principal venha a ser outro.

Poltronas 

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